Lembra-se do par de alianças que comprei? Ainda os guardo. Olho aquele nome gravado no seu par e penso em como tudo foi acabar assim. Por quê? Eu deveria parar de me fazer perguntar das quais eu sei que nunca vou ter respostas. Mas mesmo assim. Por quê?
Quis jogar aquela aliança fora junto com tudo o que eu sinto por você, mas é quase como pedir pra apagar seu nome ali gravado. Difícil, cansativo, demorado, quase impossível. Ainda as levo comigo pra qualquer canto que eu vá. Não em meu dedo, não quero que ninguém pergunte por quem eu a uso, não quero ter que se lembrar do nosso fim (como se isso não me atormentasse todos os dias desde que tu foste.)
- Amor, posso te pedir uma coisa?
- Pode ‘mor
- Não sei amor..
- Fala amor
- É que eu queria…
- Queria?
- Quando a gente fizesse um mês de namoro… - Fale menina.
- A gente podia comprar um par de alianças…
Eu o fiz, mas não tive nem a oportunidade de colocá-la em eu dedo. Acabou antes que eu pudesse olhar em teus olhos e dizer todas aquelas palavras que ensaiei em frente ao espelho. Eu queria esquecer. Esquecer-te.
Durante uma semana esqueci nossas alianças jogadas naquela gaveta de trecos e pilhas de papéis rabiscados com qualquer coisa. Juro a mim mesmo que não fui ali à esperança de encontrá-las. Talvez eu estivesse procurando algo que eu ainda não sei ou talvez eu não queira admitir a mim mesmo que fui ali ao intuito de encontrá-las. Mexi e remexi até encontrar. Estava ali, dentro daquela caixinha preta de veludo. Brilhante e reluzente. É pra você, era pra você. Se você ainda quiser pode vir buscar, me buscar e me levar contigo pra qualquer lugar que você for.
Sabe, já virou rotina deitar na cama pra pensar em você, desde que a gente se conheceu o travesseiro é meu maior aconchego naquelas noites em que eu não te tive. ”Desde que a gente se conheceu o travesseiro é meu maior aconchego” Isso te lembra algo?
É frio, sabe? Tudo. Desde que você me deixou. Frio demais, em todos os cantos, mesmo fazendo sol. Dentro de mim, fora de mim, em todos os lugares. Não sei se me acostumei com o calor do seu corpo, o aconchego que você me dava, ou se isso tudo é a realidade que eu vou ter enfrentar de agora em diante. Minha vida sem você. Achei por muito tempo que eu não precisaria ter que pensar nisso.
- Amor.
- Oi, ‘mor.
- Fala.
- Falar o que?
- Aquilo.
- Não sei o que é.
- Que não vai me deixar.
- Preciso?
- Talvez.
- Amor…
- Oi?
- Eu nunca vou te deixar.
Quem me dera tu tivesse cumprido, mas acho que mesmo longe você me protege de alguma forma - Meu Anjo da Guarda. - Assim como eu que mesmo longe observo cada detalhe seu. Consigo ver através desses seus sorrisos falsos a dor que tu sentes por se culpar daquilo que nos afastou. Meu amor, se isso te conforta não se sinta culpada. Não sozinha, porque assim como você, tive culpa em te deixar ir. Tolo fui eu em agir de cabeça quente. Eu gritei,você gritou e ninguém se ouviu e então a gente se deixou. Porque, meu amor? (se é que ainda me permites te chamar assim.)
Olha eu me questionando novamente a mesma coisa de sempre. Sei que não vou obter resposta alguma, mas gosto daquilo que não tenho, assim como gosto de ti.
(Eu tinha músicas específicas que me lembravam você, mas qualquer música de ritmo lento, suave, tocante, agora me lembra você também. Será que posso culpar as músicas, ou deveria me culpar? Na verdade tudo tem me lembrado tanto você que acho que a culpa é minha e não das músicas. Que elas são só um pretexto pra pensar em você mais do que eu já penso ao decorrer do dia. Se as músicas me lembram você, porque eu ainda às ouço?).
- “Amorrrrr” - imitei seu sotaque.
- Pára amor.
- Não consigo amor, é engraçado.
- Não falo mais nada também.
- Você fala “amorrrr”, eu não sei como eu falo “amor”.
- Você fala “amô”
- Não. Eu não falo “amô.” Eu falo “amor”, só que o “r” se esconde, amorrr.
- Amorrrrrrrr, pára.
- Parei amorrrr.
Lembrei-me daquelas vezes que você adormeceu comigo, pude te sentir de verdade ao meu lado. Era como se você estivesse passado à noite comigo e de manhã tivesse ido embora sem avisar com pena de me acordar. Era engraçada a forma como você sempre achou que eu dormia antes de ti, mas na verdade sempre fiquei quieto demais ouvindo sua respiração. Era a melhor música que eu podia ouvir todas as madrugadas, não me cansaria nunca.
- Fala de novo.
- O que?
- Você sabe.
- Amor, sossega.
- Não amor, fala.
- Amor. - Oi?
- Fica quietinho… - Aquele sussurro…
(Ah, garota, você me enlouquece em todos os modos possíveis. Perdi a conta de quantas vezes já acordei no meio da madrugada com uma vontade louca de correr atrás de você. De olhar nos teus olhos e dizer todas as coisas repetidas que eu já te disse inúmeras vezes.)
- Mas, mor.
- Que foi?
- Eu te amo.
- Eu também te amo mor.
- Amor.
- Oi, mor.
- Eu te amo.
- Eu sei amor.
- Mas, bebê.
- Que foi amor?
- Eu te amo.
- Eu também, amor.
- Mas, polegarzinho.- Oi, amor.
- Eu te amo…
Já era difícil ter que suportar você longe enquanto eu estava no colégio ou você no mercado. Era um espaço curto de tempo, mas pra quem ta acostumado com alguém por perto 24H por dia era quase impossível ter que aguentar. Mesmo que fosse pouco, pra mim era quase a eternidade. É difícil me acostumar com a idéia de que você foi embora e me deixou aqui com toda essa bagunça, toda essa confusão. Você podia pelo menos voltar, não pra mim. Por mim. Por nós. Aquele nós que era quase difícil de decifrar. Um nós confuso que ecoava como perfeito. Um nós que começou e acabou rápido demais. Aquele nós que era nosso, que é nosso, meueseu, assim, sem espaço. Pra não da chance pras dúvidas. Eu sei que ainda existe o nosso plural, aquele nosso pra sempre. O nosso pra sempre. Lembra?
- Você não vai aguentar.
- O que?
- Você vai embora rápido, todos foram.
- Não sou todos.
- Todos diziam isso.
- Eu vou ficar você vai ver.
- Não. Não vai... - Eu ainda to aqui.
(Sua voz ecoa na minha mente ainda, todas as noites. Perdi a conta de quantas vezes acordei de madrugada querendo te ligar só pra dizer que te amo. A sua foto no meu celular ainda permanece e mesmo que ela não tivesse lá não daria para esquecer-me do teu rosto. Ele me assombra todas as noites antes de eu pegar no sono. Sono que não tenho faz tempo, ou tenho, mas some logo depois que ouço sua voz em algum lugar do meu quarto, da minha sala, da minha mente…)
Eu não queria mais nada pra minha vida, só queria ficar quieto. Como eu disse, só estava observando. Foi quando você apareceu. Era tudo escuro demais, quando você chegou e acendeu a luz que havia sido apagada em meu interior há muito tempo atrás. Clichê seria dizer que você me mudou e mudou tudo o que havia acontecido. Mas, seria um clichê verdadeiro. Que posso eu fazer se me vejo dependente de ti? Um dia sem você é muito pra mim. É como se fosse anos e anos de uma espera cansativa por você chegar e me abraçar apertado e dizer “voltei, demorei, mas cheguei.” E abrir aquele sorriso lindo que tanto gosto, aquele sorriso que só você tem. Mas você foi embora e eu fiquei aqui, tentando colocar em palavras todos os nossos momentos – Tentando em vão. Nunca consegui dizer em palavras tudo o que senti nesse meio tempo em que estávamos juntos. - Momentos que, nunca esqueci mesmo com sua ausência gritante. Momentos aqueles que me assombram todas as noites, todos os dias e tardes. Mesmo que eu diga que não, mesmo que eu demonstre tudo ao contrário, você é e sempre vai ser a única que me fez sentir todas as coisas rápido demais. Todos os sentimentos juntos, de uma só vez. .
- Amor. Vamos dormir.
- vamos sim, bebê.
- Me espera na cama então.
- To esperando, vem logo.
- Pronto amor. Vamos?
- Vamos.
- Abraçou o travesseiro?- Abracei…
(Menina mimada dos olhos castanho-esverdeados, sentimental demais, estressada demais, tudo demais, sempre. Menino bruto dos olhos castanho-escuros, frio demais, realista demais, bruto demais. É assim, diferença enorme. É quase uma cratera em cada personalidade, mas se encaixavam de alguma forma. Assim como suas mãos, diferentes, uma suave, outra áspera. A dele maior que a dela. Mas mesmo assim, quando fechadas se encaixavam perfeitamente)
- Amor.
- O que?
- Eu te amo.- Eu também te amo polegar.
“Eu não sinto sua falta.” Repito isso todos os dias em todos os lugares como se fosse um pedido desesperador pra me convencer de que eu realmente não sinto. Digo isso todos os dias mesmo sabendo que é mentira. Convenço-me disso durante o dia, mas vejo que isso tudo é falho quando abraço o travesseiro e sinto aquele sentimento angustiante da sua ausência em meu peito. É como se todas as coisas que eu fizesse tivessem sentido só se você estivesse por perto. E quer saber de uma coisa? Eu sinto sua falta.