quinta-feira, 4 de abril de 2013

Eu ia dizer.

Eu ia dizer que todas as noites eu relembro os poucos momentos que tivémos juntos. Ia dizer que apesar de ter me afastado de você, ter congelado no tempo e ter parecido não mais me importar, eu sempre quis saber como estava sendo o seu dia e o que você estava fazendo.
Eu também ia dizer que mesmo você não me dando atenção, me enrolando entre assuntos puxados às 01h35min. da madrugada e que mesmo morrendo de sono depois de ter tomado algunas muitas xícaras de café era ali que eu permanecia conversando com você por horas só porque desta forma eu poderia te sentir um pouco mais perto.
Eu ia dizer que até hoje eu lembro do modo estranho que nos conhecemos. Da música um tanto constrangedora que me fez encostar o corpo ao teu. Eu ia dizer que o gosto dos teus lábios não saem dos meus; e que seu perfume ainda passeia pelas linhas das minhas roupas e pela minha narina.
Eu ia dizer que todo santo dia quando escuto "Lanterna dos Afogados" me dá um aperto no coração, só por querer saber se você ainda se lembra da letra dessa música, e também, se ainda se lembra de mim.
Eu ia dizer muita coisa. Ia mesmo. Assim mesmo, no verbo conjulgado no passado.

Eu também ia dizer que sinto sua falta, mas você não merece saber..

Paloma M. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Apenas uma reflexão sobre eu mesma.


Um dia você vai se lembrar de mim. Os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum para discar. Talvez, até tente o meu, mas até lá posso não querer mais te atender ou talvez nem seja mais meu aquele número. Você vai tentar chamar alguém, mas não vai haver ninguém pra sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo ou acariciar seus cabelos até que o mundo pare de girar. Nessa fração de segundo, quando seus pés perderem o chão, você vai lembrar do meu carinho e do meu sorriso infantil. Virão súbitas memórias gostosas dos meus beijos e abraços, da minha preocupação quando você saía e esquecia de pegar a blusa de frio… E só terá uma música repetindo no seu rádio: a nossa doce sinfonia. Em um novo momento você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração, e vai torcer bem forte para ter o nosso mundinho de volta, mundinho difícil, mas cheio de amor e carinho. Vai ouvir a chuva cair e vai sentir um imenso vazio por não ter um grande amor pra compartilhar esse momento. Não terá alguém para brincar de se jogar na grama nos dias ensolarados, nem para admirar o pôr-do-sol sobre a ponte da pequena cidade. Talvez, nem consiga mais sentir o frescor do vento. O nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto e te falava sempre. E quando você finalmente bater na minha porta, ela estará trancada, ou se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que são lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. E você vai lembrar dos carinhos nas costas pra você dormir, dos paninhos quentes pra aliviar sua dor de madrugada, da minha inocência que ria de tudo que você falava, do meu jeito bobo, do meu jeito de tentar te fazer feliz… O nome do enjoo que você vai sentir é arrependimento, e a falta de fome será a tristeza, a mesma que eu senti por tanto tempo. Um dia você irá se deitar, e quando olhar para o teto do quarto escuro, vai se lembrar que as estrelas poderiam estar lá, para iluminar todas as suas noites frias. Mas tudo o que você verá é a escuridão. Então quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer e ninguém te olhar com os meus olhos encantados… você encontrará a solidão. E você vai ver que diante de tudo isso, alguns dos meus defeitos poderiam ter sido perdoados. A partir daí, o que acontecerá chama-se surpresa. E provavelmente o remédio para todas essas sensações… é o tal do tempo em que você tanto falava!