sexta-feira, 17 de abril de 2015

Uma longa viagem de amor, por favor!

Sabe o que tem me assustado ultimamente? A forma como as pessoas morrem de preguiça de conhecer outra pessoa... Elas já chegam com aquela frase clichê do tipo "E aí, o que você acha que eu não vou gostar em você?". Parece que hoje em dia, as pessoas perderam aquela vontade de ir se conhecendo aos poucos, já querem tudo mastigado em mãos, querendo encontrar um amor na velocidade da luz. E aí da nisso: "me conta o que eu vou gostar e o que eu não vou gostar em você pra agilizar o processo?". As pessoas perderam a capacidade de entender que, ás vezes, o que não é qualidade para uns é exatamente o que provoca borboletas no estômago para outros. Porque perfeição não existe, relacionamentos não são como uma equação matemática de adição de qualidades. Muitas vezes os "defeitos" que vemos no outro, são justamente as características que nos encantam, por serem diferentes da gente ou incomuns. Lembro-me uma vez de ter ouvido a seguinte frase: "Ela tem um mau humor tão bonitinho!". É uma demonstração de amor indireta, cujas palavras escolhidas denotam uma paixão que não faz questão de se esconder e transborda por entre os vãos dos dedos porque é típica de alguém que está sedado de dopamina, como só os apaixonados ficam. Afinal, que tipo de mau humor pode ser "bonitinho"? Imagino alguém com aquele bode matinal de uma segunda-feira, que se esconde atrás do café e óculos escuro e amaldiçoa qualquer pessoa que cruze o seu caminho por ter tido de deixar sua cama ás 7h da manhã, pegar um bus lotado e fazer mais duas baldeações até chegar no seu trabalho [de merda]. Quem pode achar alguém com esse nível de mau humor bonitinho? Quem em sã consciência faria isso? Ninguém. Só um alguém chapado de muito amor.
Abraçar os defeitos do outro é um sinal de amor sincero. Porque é muito fácil abandonar o barco, tacar tudo pro alto e dizer que a culpa do relacionamento ter sido frustado estava na outra pessoa. É fácil ficar preso na superficialidade de dispensar alguém porque tem mais mil e uma pessoas que você pode fazer a típica pergunta: "E aí, o que você acha que eu não vou gostar em você?" e achar alguém que diga: "Nada!" ou que preencha toda as suas lacunas de formulário "Namorada Perfeita". É, meu caro, ninguém disse que o amor seria fácil. Apenas que valeria a pena.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Era pra ter sido uma puta história de amor.

Sabe,eu tenho que confessar que quando eu mandei ela embora, eu fiquei esperando ela voltar. Eu fiquei exatos 145 dias esperando uma ligação, uma mensagem, até um sinal de fumaça eu tava aceitando. Eu lembro que a última vez que eu a vi, ela estava mais linda do que nunca. Eu sempre gostei disso nela, dessa coisa dela parecer mais bonita que todo mundo mesmo que tivesse de pijama e maquiagem borrada. Ela tem uma coisa diferente, sabe? Ela não é como as outras, ela gosta de rock mas eu lembro que ela sabia a letra de qualquer banda famosa. Ela era tão minha, só de olhar para ela eu sabia que ela era minha… Não é mais porque eu achei que a vida com ela seria monótona demais, sei lá, achei que não ia dar certo porque a gente dava certo demais, e eu fiquei com medo de em algum momento ela ir embora e me deixar. E eu era desse tipo mesmo, que ligava pra quem terminava e pra quem era o mais forte e o mais inteligente, mas ela não sabia disso, ela nunca soube dessas minhas competições internas e mesmo assim sempre pareceu frágil demais, inocente demais. Ela me beijava com vontade de beijar o resto da vida, eu sentia isso, cara, eu sentia que ela gostava de mim como nenhuma outra garota nunca gostou. Ela se aninhava nos meus braços com uma facilidade tão incrível que parecia que ela tinha nascido para ficar escondidinha dentro do meu abraço. 145 dias e eu não consigo esquecer o jeito que ela olhava pra mim, como se eu fosse o melhor cara do mundo, como se eu valesse a pena e ela estivesse disposta a tudo por mim. Eu tinha aquela garota na palma da minha mão, eu poderia brincar com ela, até gritar, que ela ficaria comigo porque sempre soube que eu precisava dela, embora não falasse, ela sabia que eu já não imaginava um jeito de ficar longe dela. Mas se ela sabia, por que ela me deixou? Eu sei que a mandei embora, mas era pra ela ter ficado, cara. Só que ela foi embora, e levou tudo com ela, as calcinhas que ela pendurava sob o box e as camisetas que ela guardava na minha gaveta de meia. Levou aquele beijo, aquela voz e se levou de mim rápido demais. Eu fui um canalha, um babaca, um otário e outras essas coisas que ela me disse quando foi embora e deu aquele gritinho agudo dizendo que ela nunca deveria ter me conhecido. Na hora eu não senti nada, sei lá, fiquei olhando pra ela e deixei ela ir embora, mas depois, depois quando eu olhei pro box e não vi a calcinha dela lá, eu senti que tinha feito merda e que já era tarde demais, que eu tinha sido o cara mais burro do mundo e tinha perdido a única garota que gostou de mim mesmo eu dando motivos pra não gostar. Ela me assistia jogar com brilho nos olhos, ela vibrava comigo em cada vitória minha, ela amava andar pela casa só de calcinha e sutiã, ela fazia uma massagem que só ela sabe fazer, ela não brigava comigo quando eu sumia. Ela gostava de mim, ela me amava, não amava? Agora me diz porque eu mandei ela embora. Eu tinha a garota perfeita, a namorada perfeita, a mulher perfeita, e poderia ter pro resto da vida se quisesse. Mas eu mandei ela embora e ela não me liga mais. Ela sai com os amigos e dizem que ela está feliz. Ela encontrou alguém melhor do que eu. Ela está bem, não está? Então por que eu não estou? Nesses 145 dias eu senti a falta dela. E hoje no 146° dia, eu ainda sinto a falta dela pra caralho.