sexta-feira, 26 de junho de 2015

Realmente namorar perde um pouco a graça, né? As sexta-feiras ficam menos emocionantes porque, no fundo, a gente sabe que não vai ter que esperar mensagem nenhuma no sofá de casa torcendo para o batom não sair ou borrar. Ele (a) vai estar lá. Com certeza vamos nos ver e, se bobear, escolher o meu lugar favorito para ir. Ou, na maioria das vezes, ficaremos em casa assistindo um filme para dar risada enquanto ficamos comendo besteira.
A gente se arruma menos sim. Sai sem maquiagem. Um pouco descabelada. E não se importa tanto com que os outros vão pensar. Afinal, isso simplesmente não interessa mais. Para algumas, por sorte, nunca interessou. Mas é que a partir do momento que a gente sabe que tem alguém que nos ama exatamente pelo que nós somos, para quê tantas máscaras? Dá para sair de rímel e ser linda sim. Ele pelo menos acha e vive repetindo isso.
Às vezes namorar pode ser perder um pouco a emoção por deixar os joguinhos de sedução e ciúmes de lado e dar lugar para os bons e velhos clássicos. Quem nunca jogou baralho com a família do namorado(a)? Truco? Domino? Wor? Sei lá. Alguma outra coisa, vocês realmente jogam muito juntos. Nem que seja conversa fora.
Gastamos menos tempo com coisas que duram uma noite e mais com objetos que decoram um quarto, uma sala, um lar ou uma vida. E ficamos ocupadas(os) demais construindo um futuro juntos para ter tanta emoção rotineira que perde a graça quando chega a segunda feira. Mas a maior realidade sobre namoros é que, no fundo, não somos nós quem mudamos, sim nossas prioridades.
Quando era solteira eu achava que namorar era chato. E namorando eu já pensei isso também. Uma vez senti falta daquele frio na barriga que dá quando a gente começa um primeiro encontro. Mas hoje, por algum motivo, eu vejo tudo de um modo diferente.
É que antes eu só via a graça da paixão. Aquela que deixa a gente louca. Sem dormir, comer, falar e pensar direito. Que nos cega e faz a vida parecer um filme de cinema ou seriado do Netflix. Aquela que sua mãe, sua amiga, sua prima e você conhecem bem. Mas, inevitavelmente, aquela que passa. E fico feliz em dizer isso: paixão passa. E toda sua inconstância de emoção junto com o embrulho no estômago também. Eles vão embora e, se você estiver disposta, dão lugar para o amor.
E hoje eu vejo a graça dele. Ela não vem acompanhada de tantas SMS’s, tantos encontros e nem tantas coisas que passam junto com o final de semana. O amor é aquele te faz companhia numa segunda-feira. Que visita sua família no interior. Que te cobre antes de dormir. Que faz sua comida de vez em quando. Que divide a comida favorita e a vida com você.
O amor é aquele que chega manso, nos detalhes que só quem ama e é amado pode entender. Ele é aquele que atende o telefone só para ouvir seus problemas mesmo que não tenha a menor ideia de como te ajudar. Que faz tudo que diz a música ”Namoro bobo” mas com um sorriso no rosto bem ao contrário do que mostra no clipe. O amor é aquele que vai te amar pelo que você é, não pelo que você posta no Instagram ou qualquer rede social.
No fundo namorar perde a graça porque vira coisa séria. É que um sentimento lindo como esse realmente não pode ser levado na brincadeira. Temos a liberdade de escolher todos os dias algo diferente e escolhemos o que acreditamos ser o melhor para gente. Só por simplesmente amar e por saber que não poderia ter escolha melhor que essa. É ter a certeza mesmo sem ter certeza nenhuma. É… não saber o que dizer. Como eu não sei agora. Porque amar vai muito além do que as palavras podem dizer.
E eu espero, de verdade, que você namore alguém que ame. Se não, não vai conseguir me entender.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Do outro lado da rua havia uma loja de discos. O alto-falante tocava música pra mim...
Tudo parecia tão calmo e tranquilo lá fora. Ficava ali parada, de pé, tentando lembrar o que poderia ter feito. Sentia vontade de chorar, mas não saía lágrima alguma. Era só uma espécie de tristeza, de náusea, uma mistura de uma com a outra, não existe nada pior. Acho que você sabe o que quero dizer. Todo mundo, volta e meia, passa por isso. Só que comigo é muito frequente, acontece demais. 
Eu me tornei um caos.. E ninguém se importa!

terça-feira, 16 de junho de 2015

Amar vai muito mais além.

Em junho de 2013,
poucos dias antes do dia dos namorados, minha namorada terminou comigo.
Eu fiquei sem entender.
Voltei pra casa e durante todo o caminho me perguntava:
“Por que?”.
A única coisa que vinha na minha cabeça era a voz dela dizendo:
“Eu amo você”.
Eu passei um mês sofrendo,
procurando respostas para o que estava acontecendo.
Um dia, entrei no quarto do meu pai chorando e perguntei:
“Pai, ela dizia que me amava. Então, por que ela terminou comigo?”.
Ele respondeu:
“Meu filho, quando alguém entra na sua vida e depois de algum tempo vai embora, pode ser qualquer coisa
menos amor”.

Eu disse:
“Não da para entender. Um dia, existe amor e no outro tudo acabou”.
Ele respondeu:
“Você nunca vai superar seus traumas se continuar procurando no amor uma lógica. Construa uma nova história”.
Eu perguntei:
“E de onde vem essa força pra começar algo novo?”
Ele respondeu:
“Não se preocupe com isso. Todo começo vem de um final”.
Uma semana depois,
meu pai foi diagnosticado com uma doença rara e degenerativa que iria matá-lo em alguns dias.
Minha mãe não o abandonou.
Ela ficou.
Meu pai saia toda sexta para comer pizza com dois irmãos.
Quando ele parou de andar, meus tios começaram a trazer a pizza aqui em casa.
Eles diziam:
“Sem o seu pai, não tem graça”.
E ficavam a noite inteira dando gargalhadas.
Hoje, meu pai não consegue mais comer.
Mesmo assim, toda sexta meus tios passam aqui em casa.
Meu pai estudou em Ouro Preto-MG.
Na formatura ele combinou com três amigos de se encontrarem de cinco em cinco anos.
Este ano, meu pai não pode ir porque ele não anda mais.
Os amigos dele saíram do interior de Minas e vieram até aqui em casa.
Todo formando tem uma foto pregada na parede da república que estudou.
Os amigos do meu pai trouxeram a foto dos quatro.
Pregaram a foto de cada um na parede do quarto e disseram:
“Agora, a nossa república é a sua casa”.
E combinaram que daqui cinco anos estariam de volta.
Meu pai chorou.
Meus pais completaram 47 anos de casados dia 2 de junho.
Eles sempre dançaram nesse dia.
Meu pai não consegue mais se levantar.
Minha mãe entrou no quarto e colocou a música que eles dançavam.
Ela disse:
“Meu filho, traz a cadeira de rodas”.
Eu perguntei:
“O que você vai fazer?”
Ela respondeu:
“Vou fazer o que seu pai faria por mim”.
Eu busquei a cadeira de rodas.
Minha mãe colocou meu pai na cadeira.
Ela ajoelhou ao lado dele e disse:
“Vamos dançar”.
Abraçou meu pai e fez a cadeira girar.
Ela ficou ajoelhada a música toda.
Meu pai chorava e ria ao mesmo tempo.
Eles ficaram ali dançando e se divertindo.
Eu voltei pro meu quarto chorando.
Abri o notebook e resolvi escrever esse texto.
Porque eu vejo o mundo distorcendo ou complicando demais o amor.
Um monte de gente dizendo fique com alguém que faz isso, que faz aquilo, que te de isso, que não sei o que mais.
Esse monte de regras e exigências, são coisas criadas pela cabeça.
E, meu velho, não sei se você sabe mas o amor é criado pelo coração.
O resto, é ilusão.
Então, acredite.
O amor,
Amor completo, é quando você quer o outro sempre perto.
Só isso.