segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estar sozinho,ficar sozinho,ser sozinho.

Estar sozinho é engraçado, louco, angustiante, libertário e triste, tal qual estar com alguém. No entanto, estar sozinho é absolutamente o oposto de estar com alguém. Estar sozinho é fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem uma mão para segurar. É acordar sem saber o que será do dia porque planejar sozinho dá preguiça. É falar a coisa mais engraçada do mundo para alguém que não vai rir, porque ninguém te entende tão bem. É ficar louca sem cúmplice. Não tem graça ser fora da lei sozinho. É querer contar tanta coisa para alguém, mas para quem? A vida simplesmente acontece para quem está sozinho, às vezes sem que a gente perceba, pois é mais fácil ter noção de si mesmo através de outra pessoa. Estar sozinho é fazer dengo sozinho na cama, sem ninguém para apenas encaminhar o ombro um pouco mais perto. É comer doce demais porque sua boca precisa de um incentivo para continuar salivando vida. É comer doce demais porque estar sozinho dá uma tremedeira estúpida de hipoglicemia. É o doce que substitui mal e amargamente o sexo. Estar sozinho é dormir até tarde no domingo. Não para congelar o tempo na alegria, mas para fazer de conta que o tempo não existe. É conviver com a ansiedade de que você pode encontrar alguém especial a cada esquina, então você tenta ficar bonita. Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia. É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar. Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão. Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido. Estar sozinho é usar roupas provocantes sem se sentir sexy com elas. É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do nada. É morrer de medo do nada que fica no estômago. Estar sozinho é uma coisa física, ou melhor, é a falta dela. Você se sente oco por dentro, por isso aquele respiro profundo de lamentação. É cogitar enlouquecer. O ombro pesa porque é tenso ficar sozinho. E porque não tem ninguém pra te fazer massagem também. Quando chove, venta, escurece, e você está sozinho, você lembra de Deus e do quanto é pequeno. Estar sozinho é se aproximar de Deus por piedade própria e não por agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele quando estamos amando. Estar sozinho é detestar ficar em casa. Ficar em casa sozinho, quando se está sozinho, é muita solidão. Então você sai, só para não ficar em casa sozinho. E descobre o quanto você é sozinho. E volta pra casa sozinho, e chora vendo fotos. Estar sozinho é implorar paixão e loucura com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de você ver que ele não está sozinho. É trabalhar para passar o tempo e só conseguir escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem inspiração. É procurar um olhar pela rua e andar por aí com cara de louco. É estar pronta para algo novo e não agüentar mais dias iguais. É ocupar a vida de açúcar, intrigas, fofocas, encrencas. Aventuras tortas. É ocupar a vida dos outros com reclamações, lamentações, dúvidas e carências. Resumindo: estar sozinho é triste, enche o saco dos outros e deve fazer mal para a saúde.

Tati Bernardi.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

“Mãe, deixa eu me apresentar.”


Oi mãe, tudo bem? Eu sou sua filha, a menina que você convive a 17 anos e que não a conhece direito. Queria convida-lá a abrir algumas portas comigo, quero te mostrar coisas que a senhora nem desconfia.
Essa é aprimeira porta, eu tinha 8 anos, desde já mãe, eu tinha uma imaginação muito fértil, quando eu caminhava com você pelas ruas daquela cidadizinha eu ja criava cenas na minha cabeça, olhava as pessoas e procurava ver o que elas sentiam, procurava saber o que elas pensavam, criava cenas na minha cabeça com elas, imaginava fazer elas felizes… Mãe, eu sempre gostei disso, de imaginar como aquela pessoa seria feliz, a senhora nunca conheceu esse meu lado sensível.
Vamos mãe, adiante.. Essa é a segunda porta, eu tinha uns dez anos e já comecei a descobrir o amor, é mãe o amor, não se assuste por favor, estou me mostrando… calma. É como já havia dito, estava conhecendo o amor, era apaixonadinha por um menino da minha escola, mas não era amor de namorar não mãe, eu só gostava do jeito que ele gostava de mim, me achava bonita… É mãe, desde cedo fui muito carente, aliás deixa eu te contar uma coisa… eu sempre me senti sozinha, sozinha empensamento… Nunca achei alguém que fosse parecido comigo.
Vamos mãe, a estrada é longa, vamos abrir a terceira porta… Essa sou eu, tenho 13/14 anos, epóca dificil essa viu, sim mãe eu era imatura, eu não tinha cabeça, olhando de hoje eu vejo o quanto eu errei, mas o quanto aprendi… Início da minha adolescência, os hormonios pulando, começo a andar com pessoas não tão certas assim, começo a olhar os garotos… os homens… Mãe, nunca senti uma certa confiança pra lhe falar as coisas, desculpa, mas eu nunca senti… talvez… se a senhora tivesse falado comigo antes, me dito que nessa epóca a cabeça e o coração ficam confusos… é quem sabe… Não mãe, não fique brava comigo, todas as vezes que a senhora conversou comigo, acredite, eu aprendi. Mas eu sempre fui assim, desde pequena, aprendo só com dores… e estas eu já senti um bucado.
Avante, chegamos na quarta porta, abra ,pode abrir. Esta ai, uma menina de 15 mas com cabeça de 20. É não parece, eu sei. Essa ai continua mentindo a respeito de coração, pensava ela: ‘pra que falar?, ela não vai enteder.’ Imaturidade ainda? É, acho que sim… mas será? Ah mãe, esqueci de te contar, essa sua filha é de uma insegurança tremenda… Medo do mundo, medo de se machucar, medo de sentir dor, mas do que sente com as dores do mundo. Essa menina que está vendo ai nessa porta, ela está virando uma mulher, apredendo com as dores do coração e observando o outro. Ei mãe, muitas vezes a senhora reclamou, achando ela uma ignorância não, ôh mãe… mal sabe a senhora que ela só estava triste, precisando se isolar…
Vamos, vamos abrir a quinta porta. Esta ai, uma menina-mulher que aprendeu tanto com o mundo, está ai uma menina prestes a receber uma responsabilidade imensa. Casa, irmão, cachorro, estudos, amigos, dores de amigos… Isso tudo a sobrecarregava, essa ai mais madura que nunca aprende tanto, a todo segundo. Essa ai é aquela que todos que a conhece, mesmo que não tenha nenhum grau de amizade, pede conselhos, ela que diz tanto a verdade ás pessoas mente pra senhora, mente por medo… medo de não entede-la, medo de que a conheça e a jugue…. É essa ai que com a sua aprendizagem tão precoce do tal amor sabe muito bem não cair nas suas armadilhas, essa que - modestia a parte - tem um coração imenso, esta que sente as dores do mundo mas que de vez em quando, quando se sente sozinha, sente suas dores também. Esta aí, a menina da quinta porta que se apaixonou, essa menina madura, corpo de menina e cabeça de mulher, esta aí a menina que continua mentindo sobre seu coração por medo, sempre medo. Esta ai a menina que queria se apresentar pra senhora, esta ai a menina que tem sim suas qualidades e valores - mas de defeitos imensos. Esta ai… essa que te ama e te admira mas que queria ser - de verdade - sua amiga. Esta ai a menina que pede desculpas por todas as decepções - que não foram poucas; Ela esta aí, aqui… Prazer Mãe.

(VerdadesDitas)