quarta-feira, 20 de junho de 2012



O amor nunca morre de morte natural. Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados. O amor não morre de velhice, em paz.. Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento. O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida. O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. Somos orgulhosos e não temos arrependimentos. O orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos. O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.

'Fabrício Carpinejar

sábado, 9 de junho de 2012

Ultima carta ao meu amor.


Sentei-me a janela e tolos pensamentos começaram a surgir; coisas do tipo ”Será que lembras de mim como lembro de ti?” Então decidi lhe escrever mais uma carta, apenas para saber como anda indo. Como andas? Soube que desde nosso ultimo encontro, andas muito bem. Esta é nossa diferença, você superou completamente, já eu, não paro de pensar em nós. Hoje fiquei o dia todo á lhe esperar, com a esperança de que chegaria como antes, olhando para a porta, fiz até o café do jeitinho que tu gosta. Mas notei que você não iria vir mais, e que tudo já não era como antes. Você superou não é? Você se esqueceu do que tínhamos. O que antes era uma prioridade, agora já não é mais importante. Hoje sintonizei na radio que ouvíamos e a musica tocava da seguinte forma I miss your morning kiss I won’t lie, I’m feeling it you don’t know and I’m missing it” esse trecho me lembrou um pouco de nós, estou sentindo falta do que fazíamos juntos, do beijo de manhã, andar de mãos dadas, abraçar-te. Mas acho que já não sente mais saudades. Deve ter sido tão fácil, me substituir, esqueceu-me rápido. Ouvi dizer que ela lhe faz feliz como ninguém, tu até disse que ela te completa, acho que eu não lhe completava, eu não fui perfeita para você como ela esta sendo. Amigo, tu causou uma confusão em minha vida, mas vai passar, sei que vai, é apenas uma fase, você foi uma fase, e esta na hora de trocar, de desistir. Saiba que lhe amei este tempo todo, nunca me esqueci de você, espero que ela faça com que você seja feliz, da forma como eu não pude fazer, e que as lembranças que fiquem para ela, sejam melhores do que as minhas.Acho que vou ter mesmo que esquecer, seus gostos e desgostos, o toque de seus beijos, seu cheiro doce, a forma como gostava de ser tratado, esquecer que sua fruta favorita é morango, sua banda favorita é panic! at the disco […] Tudo isto terá de ser apagado da minha memoria, aposto que não se lembra mais de mim, ou das coisas das quais eu gosto, então por que devo ocupar tanto espaço de minha mente com você? Admito, sinto sua falta, mas vou fazer como você fez, prometo que esta sera a ultima carta que vou te escrever, vou rasgar todas as fotos, e todas as lembranças serão apagadas. A partir de hoje, farei uma limpeza de ti. Vou te tirar de dentro de mim. Te amei, e continuo amando, mas não por muito tempo. De uma vez por todas lhe digo adeus velho amigo, seja feliz, assim como pretendo ser.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Flashback

– Eu falei que você iria se machucar. – Luiz falou assoprando com calma o ralado no joelho da pequena criança.
– Mas papai... – A pequena menina por sua vez chorava baixo e soluçava, assim sendo impedida de continuar falando.
– Ta tudo bem meu anjo, quando casar sara. – Ele falou rindo já a pegando no colo e saindo do parque.

Flashback off

Limpei meu rosto com brutalidade. Não queria mais que aquelas malditas lágrimas caíssem pelo meu rosto; a imagem do meu pai naquele dia em especial só me machucava mais, como eu sentia sua falta. Como eu queria ele agora comigo.
– Precisa de ajuda moça? Perguntou um moço com lindos olhos verdes olhando em minha direção.
- Não. Somente um café,sem açucar por favor. 
Por mais que minha vida estivesse precisando de algo doce,nunca fui fã de café adoçado. 
Enquanto esperava o meu pedido, me atrevi a olhar mais uma vez aquela carta. A mesma carta que até uns minutos atrás disse que nunca mais iria lê-la novamente...
Meu coração doía a cada palavra lida, meus olhos enxiam com a  falta de sentimento exposto alí...
- Aqui está seu café. Tem certeza que não precisa de mais nada? Perguntou novamente aquele homem,provavelmente preocupado com o meu estado.
Vestido de noiva um tanto quanto rasgado,maquiagem borrada pelas lágrimas que ainda teimavam escorrer pelo meu rosto. Acho que qualquer um se espantaria.
– É engraçado sabe? – Falei deixando as lágrimas continuarem a percorrer meu rosto. – Um dia eu machuquei meu joelho quando criança e meu pai falou que quando eu casasse iria sarar... E hoje eu ia casar. Só que hoje eu não casei. Ao invés de sarar aquela ferida,essa história só me rendeu uma outra ainda mais dolorida que a primeira. – Claro que nada do que eu estava falando pra ele tinha sentido...
O moço não soube muito o que dizer. Então apenas balançou a cabeça negativamente e soltou um 'sinto muito'. E eu apenas dei um meio sorriso forçado e virei o café que desceu rasgando pela minha garganta.
Agora,todos os dias pela manhã tomo café naquela lanchonete. Não pelo homem que me atendeu aquele dia e sim porque era lá onde ele costumava me levar...
Meu joelho já não dói mais e daquele machucado só restou a cicatriz. Eu não precisei casar pra sarar papai. Mas meu coração; esse sim tem uma ferida enorme... Que infelizmente nunca vai cicatrizar.