terça-feira, 5 de junho de 2012

Flashback

– Eu falei que você iria se machucar. – Luiz falou assoprando com calma o ralado no joelho da pequena criança.
– Mas papai... – A pequena menina por sua vez chorava baixo e soluçava, assim sendo impedida de continuar falando.
– Ta tudo bem meu anjo, quando casar sara. – Ele falou rindo já a pegando no colo e saindo do parque.

Flashback off

Limpei meu rosto com brutalidade. Não queria mais que aquelas malditas lágrimas caíssem pelo meu rosto; a imagem do meu pai naquele dia em especial só me machucava mais, como eu sentia sua falta. Como eu queria ele agora comigo.
– Precisa de ajuda moça? Perguntou um moço com lindos olhos verdes olhando em minha direção.
- Não. Somente um café,sem açucar por favor. 
Por mais que minha vida estivesse precisando de algo doce,nunca fui fã de café adoçado. 
Enquanto esperava o meu pedido, me atrevi a olhar mais uma vez aquela carta. A mesma carta que até uns minutos atrás disse que nunca mais iria lê-la novamente...
Meu coração doía a cada palavra lida, meus olhos enxiam com a  falta de sentimento exposto alí...
- Aqui está seu café. Tem certeza que não precisa de mais nada? Perguntou novamente aquele homem,provavelmente preocupado com o meu estado.
Vestido de noiva um tanto quanto rasgado,maquiagem borrada pelas lágrimas que ainda teimavam escorrer pelo meu rosto. Acho que qualquer um se espantaria.
– É engraçado sabe? – Falei deixando as lágrimas continuarem a percorrer meu rosto. – Um dia eu machuquei meu joelho quando criança e meu pai falou que quando eu casasse iria sarar... E hoje eu ia casar. Só que hoje eu não casei. Ao invés de sarar aquela ferida,essa história só me rendeu uma outra ainda mais dolorida que a primeira. – Claro que nada do que eu estava falando pra ele tinha sentido...
O moço não soube muito o que dizer. Então apenas balançou a cabeça negativamente e soltou um 'sinto muito'. E eu apenas dei um meio sorriso forçado e virei o café que desceu rasgando pela minha garganta.
Agora,todos os dias pela manhã tomo café naquela lanchonete. Não pelo homem que me atendeu aquele dia e sim porque era lá onde ele costumava me levar...
Meu joelho já não dói mais e daquele machucado só restou a cicatriz. Eu não precisei casar pra sarar papai. Mas meu coração; esse sim tem uma ferida enorme... Que infelizmente nunca vai cicatrizar.

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