Bom mãe, é isso ai, chegamos a estaca zero. Eu poderia segurar sua mão agora e sussurrar aquelas palavras tão bem ensaiadas, mas não seria o suficiente. Eu poderia olhar nos teus olhos agora e te agradecer por cada pequeno (GRANDE) detalhe que você fez, esteve, foi em minha vida, mas nada disso importa mais.
Bom, mãe, é isso ai. Cheguei naquela fase da vida que a senhora desde sempre me preparou, mas ainda não sei dizer adeus, mãe. Não queria ir embora agora, também não quero soltar sua mão para que você vá. Neste sofá ainda cabe nos duas mãe, cabe nos duas e tuas histórias de infância que fazem teus olhos brilhar onde posso claramente te ver 30 anos mais nova.
Bom mãe, ainda não aprendi tudo na vida, ainda não sei tricotar as meias que hoje esquentam meus pés. Quem irá tricotar minhas meias quando você for embora mãe? Aprendi algumas coisas, mãe, passei por maus bocados também. Hoje sei sorrir quando devo, e sei a hora exata de parar. Aprendi a conviver, celebrar, aprendi a chorar no canto, porque que ninguém quer saber da nossa dor. Aprendi a aceitar algumas verdades: não serei elogiada pelas boas ações que eu fizer, embora isso não queira dizer que eu não seja recompensada, porem serei criticada severamente por cada erro que cometer, a pior juíza dos meus atos, sempre será eu.
Bom mãe, eu queria te deixar aqui comigo pra sempre. Queria tatuar tua voz em mim, transformar tuas histórias em livros, te eternizar em cada ato meu… Eu queria que você arrancasse de mim essa tristeza ante a despedida assim como você arrancou cada defeito meu sem que eu percebesse…
Bom mãe, o tão adiado adeus bate a porta. É hora de ser livre, mulher! Eu queria prende-la comigo, mas não foi isso que a senhora me ensinou? A arte de possuir alguém. Não posso trancar borboletas num pote mãe, mas posso tê-las pra sempre, aqui dentro.
Não há tempo para desculpas mãe, não há tempo para despedidas, então vá-te logo, antes que o dia clareie. Vá antes que eu chore mãe, não quero que me veja chorando. Quisera eu que isso passasse nos jornais mãe, mas a senhora irá do mundo assim como veio, anônima, e seus atos serão deixados para trás. Teus feitos serão esquecidos. Mas não por mim, mãe! Não por mim.
Então vá. Nos veremos em breve mãe, sabe disso, não sabe? Por que carrego tua sombra para sempre mãe assim como sei que a senhora sempre estará aqui mesmo que longe.
Paloma M.
Bom, mãe, é isso ai. Cheguei naquela fase da vida que a senhora desde sempre me preparou, mas ainda não sei dizer adeus, mãe. Não queria ir embora agora, também não quero soltar sua mão para que você vá. Neste sofá ainda cabe nos duas mãe, cabe nos duas e tuas histórias de infância que fazem teus olhos brilhar onde posso claramente te ver 30 anos mais nova.
Bom mãe, ainda não aprendi tudo na vida, ainda não sei tricotar as meias que hoje esquentam meus pés. Quem irá tricotar minhas meias quando você for embora mãe? Aprendi algumas coisas, mãe, passei por maus bocados também. Hoje sei sorrir quando devo, e sei a hora exata de parar. Aprendi a conviver, celebrar, aprendi a chorar no canto, porque que ninguém quer saber da nossa dor. Aprendi a aceitar algumas verdades: não serei elogiada pelas boas ações que eu fizer, embora isso não queira dizer que eu não seja recompensada, porem serei criticada severamente por cada erro que cometer, a pior juíza dos meus atos, sempre será eu.
Bom mãe, eu queria te deixar aqui comigo pra sempre. Queria tatuar tua voz em mim, transformar tuas histórias em livros, te eternizar em cada ato meu… Eu queria que você arrancasse de mim essa tristeza ante a despedida assim como você arrancou cada defeito meu sem que eu percebesse…
Bom mãe, o tão adiado adeus bate a porta. É hora de ser livre, mulher! Eu queria prende-la comigo, mas não foi isso que a senhora me ensinou? A arte de possuir alguém. Não posso trancar borboletas num pote mãe, mas posso tê-las pra sempre, aqui dentro.
Não há tempo para desculpas mãe, não há tempo para despedidas, então vá-te logo, antes que o dia clareie. Vá antes que eu chore mãe, não quero que me veja chorando. Quisera eu que isso passasse nos jornais mãe, mas a senhora irá do mundo assim como veio, anônima, e seus atos serão deixados para trás. Teus feitos serão esquecidos. Mas não por mim, mãe! Não por mim.
Então vá. Nos veremos em breve mãe, sabe disso, não sabe? Por que carrego tua sombra para sempre mãe assim como sei que a senhora sempre estará aqui mesmo que longe.

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