Naquele momento, meu bem, eu amei até suas artérias. Amei seus pulmões e o fato de poder dividir com eles o ar dos meus. Naquele momento eu amei cada póro seu. Cada fita de DNA que formava aqueles teus olhos castanhos tão pequenos. Eu amei até as veias azuladas do seu pulso e o barulho da sua respiração. Te olhei e me peguei amando as pintinhas do seu rosto, naquele momento. E neste. E no próximo. Porque em todos eles sempre encontrarei mais um detalhe para eu amar. A bagunça dos teus cabelos. As pintinhas das costas. Eu amei até seus ossos! Aquele que vai do ombro ao pescoço. O que contorna o tornozelo. A coluna vertebral inteira. Amei as rugas da sua testa quando franziu o cenho. Amei até o seu cerrar de mandíbula! O contraste da tua sobrancelha escura na pele branca. Naquele momento, eu amei cada uma das tuas células. E então eu soube. Não só soube, como tive certeza, e provei aos meus sistemas e anti-corpos, que era ali, perto do seu corpo que eu gostaria de ficar para sempre.
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