segunda-feira, 21 de maio de 2012

Por favor,vai e não volta mais..


"E pela primeira vez, não doeu deixar você ir. A pausa foi longa, você encostou na soleira da porta e disse “adeus”. Foi quase um sussurro surdo, foi um aceno imóvel com os lábios, a cabeça e a mão. E eu apenas acenei, exatamente como um “até mais”. É, até mais. Até mais tarde, até depois. Depois de uns dias, uns meses, uns anos, depois de um tempo, depois da vida. Sei lá, até depois. Até quando você crescer. Até qualquer dia, qualquer hora. Não doeu te ver virar as costas, bater a porta. Não doeu. Eu apenas me virei e voltei a olhar a distância da lua pela janela. A quantidade de passos que eu teria que dar dali até a lanchonete mais próxima. Eu estava faminta. E pela primeira vez, não de você. Não do seu cheiro, do seu gosto, do seu ego, do seu beijo, da sua carícia ou da sua carência, muito menos da sua incoerência ou indecisão. Eu estava faminta de fome, meu estômago vazio quase me motivou a sair dali e andar pela garoa da noite fria. Mas eu nem queria o frio, eu nem queria você por perto pra me aquecer. Eu não queria. Não mais. Eu não fazia nem questão de pensar em você, porque pensar em você cansa e enjoa, e me faz ver o quanto foi útil o tempo que eu perdi te pedindo para ficar. Agora vai mesmo. Sou eu que não te quer mais aqui. Vai e leva sua bagagem, seus pertences, sua cabeça vazia, seu cheiro de marmanjo de esquina, seu ego extra, sua boca suave e seu jeito fraco e insensível. Você só me motiva a ver o ruim da vida e eu cansei de ver tudo pelo lado ruim. De ruim já basta você. Vai e me deixa aqui sem você, porque a vida sem você é mais clara, mais óbvia, mais viva. A vida sem você é um passo ao paraíso e é justamente o passo que você atrasa. Eu cansei das suas neuroses, do seu medo, da sua falta de fé. Da sua coragem excessiva para as coisas ruins da vida e de ser só uma segunda opção. Cansei de carregar o peso da sua confusão nas costas e ainda sim sentir que estou incomodando você a entrar no quarto da primeira loira mesquinha que você encontrar na rua. Entra no quarto, na vida… e onde você quiser. Entra e se quiser eu até abro a porta. Abro a porta do quarto dela pra você entrar e a porta minha vida pra você sair. Porque a única coisa que eu quero de você agora, é que esse adeus tenha sido de verdade. Não como aqueles que você deu numa mensagem no celular ou depois de passar a noite comigo e querer dar uma volta na praça pra tragar mais um cigarro. E não volta, porque eu sou bem melhor sem você aqui. Não volta porque “até mais” foi quase um “tarde demais para você”.

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