Talvez você não saiba como é difícil ficar olhando para um teclado e não saber o que escrever. É falta de você. Eu estou sentindo uma falta absurda de você. Eu sei, sempre me dei bem com a tristeza. Ela é, realmente, inspiradora. Mas dessa vez está doendo tanto, tanto, tanto, que eu já nem sinto mais vontade de escrever nada. A dor é tanta que, como dizem por aí, criou anestésico próprio. E este anestésico me fez ficar sem ideias. Porque eu já não sei mais se escrevo sobre saudade, esquecimento, superação ou, simplesmente, amor. Porque tudo que eu escrevo é sobre você e isso está cansando quem lê. E eu leio. Querido, você está me cansando. Porque eu acordo contigo em mente, pensando no que deveria ter te dito na noite anterior. Eu vou pra escola contigo em mente, pensando que você poderia me mandar uma mensagem só para desejar que eu tenha um bom dia. Eu almoço contigo em mente, pensando na mensagem que você não mandou. Eu trabalho contigo em mente, pensando se devo ceder - pela trilionésima vez - e te procurar. Eu volto pra casa contigo em mente, pensando na merda que fiz ao dar ouvidos para o coração e te procurar. Eu janto contigo em mente, pensando no quão estúpido você foi comigo durante toda a tarde. E eu vou dormir contigo em mente, implorando para que todos os anjos sejam bons e me livrem de você. Porque, garoto, você me faz mal. Você me faz mal pra caralho! E eu continuo te amando. Porque sou boba. Sou sua. Sou inteiramente sua. Eu chego até a ter medo, caso um dia eu deixe de ser. Porque eu me acostumei tanto com essa dorzinha idiota que, quando eu te superar, talvez ela faça falta. Ou melhor, talvez a ausência dela seja incômoda, perturbante, não sei. Talvez eu não saiba o que fazer com essa ausência, é isso. Porque essa dorzinha idiota já está aqui há tanto tempo, me acompanhando nas tardes chuvosas, nas madrugadas frias, nos filmes melodramáticos, nos livros amanteigados, e nas músicas tristes, que talvez quando ela for embora, eu fique quase sem rumo. Porque a dor ir embora, significa você ir embora. E sem você eu fico sem rumo, mesmo não devendo, mesmo me sentindo uma idiota por isso, mesmo sabendo que te amo e não sou amada na mesma intensidade. Querendo ou não, eu me acostumei com seu mau humor, sua estupidez, sua frieza, sua ironia, seu fanatismo por futebol, suas piadas sem graça, sua antipatia pelo meu melhor amigo, sua ridícula homofobia, seu jeito meigo de dizer que sou boba, seu silêncio no telefone. Eu me acostumei com você. Porque gente idiota e apaixonada é assim: sempre se acostuma com coisa ruim.
Paloma M.

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