quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Conhecidos de uma mesa de bar.





  Conheci um cara semana passada. Gente boa, engraçado, o tipo de pessoa que te faz perguntar “como eu não o conheci antes?”, o tipo de pessoa que te faz ter vontade de ouvir e ouvir todas as histórias que ele tem pra contar, e de aprender tudo o que ele tem pra ensinar. Conheci esse cara semana passada, mas ele já explicou que terá que ir embora daqui a exato três meses quando terminar a faculdade. E estive pensando no quanto sua atitude ao me avisar fora nobre. Pensei também que, não sei, talvez, todos deveriam fazer como ele fez. Já parou para pensar na tranquilidade que seria a sua vida se cada um que entrasse nela preenchesse um tipo de formulário? Perguntas como “quanto tempo pretende ficar?” e “quanto tempo realmente irá ficar?” nos prepararia para as dolorosas partidas. Seria mais fácil, não é? Errado. O cara que conheci vai embora daqui a pouco, quando eu abrir os olhos ele já terá ido embora porque três meses não duram tanto quanto uma madrugada. Ele avisou, me preparou para isso, mas quem disse que serviu para alguma coisa? Ele vai embora, e poderia ser no mesmo dia em que nos conhecemos, eu ainda assim sentiria sua falta. Mas, no fundo não aguento mais essa angústia de guardar sentimento. Quero falar, quero ir lá ao aeroporto e perguntar “Eu Te Amo, e aí? O que vai fazer?...  Mas minutos depois eu desisto, e penso que foi melhor manter segredo, por que o final todos nós já sabemos. Começa com um sorriso, e acaba com lágrimas.

Paloma M.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Um pouco sobre tudo...



Não quis começar esse texto como tantos outros. Não quero falar sobre ele, nem sobre mim. Não quero discutir as causas sujas do porquê de o mundo estar como está. Não quero inventar uma história bonita sobre dois casais que só existem devido ao meu desejo de ser o par de quem desenho nas palavras. Mas hoje, amigo, hoje o dia está lindo. Não posso ignorar o fato de que toda essa beleza leva meus pensamentos flutuantes até a imagem dele fazendo uso de suas mãos para me fazer sentir carinho, por mais que a minha vontade seja de apagar essas memórias. A minha casa estava tão vazia. O sol cegava todos lá fora, e eu não conseguia ver brilho algum. Sempre saía na rua e estava bem: bem cansada, bem triste, bem ruim. O mar não era azul como em todos os desenhos e até isso me chateava. Porque as mentiras me gastaram, e tudo estava cinza. E a presença dele não fez com que tudo isso mudasse. Foi ao contrário, na verdade. Porque tudo ficou ainda pior. Eram dúvidas e mais dúvidas. Não era amor, não era paixão, mas era mais do que gostar. Não era inverno, não era verão, mas era mais do que outono ou primavera. Não era chegada, não era partida, mas era mais do que um “fica, por favor”. E com tudo isso, eu enlouquecia - e continuo enlouquecendo. Esse meu querer a ele me esmaga a vontade de estar longe. Essa minha inutilidade me impede de não ouvir as músicas que ele disse gostar. E sou eu mesma a me chatear. Porque o quero muito, mas não sei se isso é o suficiente. Não sei se o meu amor é capaz de preencher a metade vazia do peito que nele habita. Não sei se a minha dedicação e o meu esforço serão válidos. A verdade é que eu não sei de nada, e o nada me assusta. O cinza das paredes da casa, assim como o que está impregnado nas minhas paredes internas, me trás calma e ao mesmo tempo me deixa conturbada. Sem ele me sinto pó, mas com ele me sinto lixo. É triste ter duas opções e ambas serem desoladoras. Sem ele tudo é morto, mas com ele tudo é tão vivo que me dá náuseas. Eu me acostumei com o meu meio termo e não se lidar com as extremidades que ele possui. O corpo presente dele causa o caos, mas ele em pesamento causa enxaqueca e indisposição diária. A minha vontade era de arremessá-lo pra longe, onde o meu desejo e o meu orgulho quebrado não pudessem alcançá-lo. E tudo fica cinzo e monótono e vazio e cheio de coisas ocas outra vez. Eu não queria acabar esse texto como tantos outros. Não queria terminar falando o quanto me amo por transparecer ser segura e centrada ou o quanto eu o amo por me fazer não precisar parecer ser segura e centrada o tempo inteiro. Perdoe-me, é em vão conter as palavras. Isso não era pra ser sobre ele, tampouco era para ser sobre mim ou sobre o mundo. Acabou sendo sobre tudo.



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Vírgula,espaço e ponto.



     Mas é que eu senti falta de uma mão estendida, da certeza de um apoio e de uma base sólida que me segurasse. Eu sempre fui extremista demais, nunca gostei do meio termo, então se for pra cair, que seja de cabeça então. Ou no seu colo. Porque quanto mais fundo você chega, menos você se importa com a dor que vai sentir, mas nós somos egoístas, amor, então entre a dor e o afago, escolhemos o afago. E eu te escolho, porque ninguém desperta tanto a minha atenção quanto você. Você é céu e inferno, amor, a certeza de um braço estendido e de uma rasteira nas pernas. São teus olhos de fogo que me prendem, esse gosto agridoce que impregna o céu da boca à cada palavra que você sussurra. O preto e o branco, o fogo e a água, o ponto e vírgula no final das minhas frases porque eu nunca sei dar um final; e quem é que sabe? O infinito é uma caixa tão grande e vazia quanto o teu peito, amor, e quem seria grande o bastante pra preencher suas lacunas se não eu? Irônico. Mas é que eu nunca soube ser pequena o bastante para deixar espaço vago nas pessoas, eu sempre transbordei todo mundo, e procurava alguém que me transbordasse até que achei você, com suas palavras curtas e afiadas, mascarando sempre o doce miríade que você tem atrás da língua. Você é minha overdose, amor, minha pilha de remédios e o oxigênio que me salva. A nicotina que arranha meus pulmões e que me mantém mais viva e ao mesmo tempo mais morta. Você me faz ver as estrelas, perder a noção da gravidade e beber do meu próprio sangue. Você é o café quente e amargo que me queima a língua. O meu mártir, a lâmina que me corta os pulsos e o calor do sangue que mancha o chão do meu quarto. Você poderia ser qualquer coisa, mas escolheu ser a minha vírgula, espaço e ponto. E eu deixei que você ditasse o ritmo da minha prosa - desalinha, porque eu nunca soube escrever sem alguém que me ditasse o começo, meio, e fim.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os poetas choram, a cidade ora.




Ao lado do corpo havia uma carta, suja de dedos, manchada de lágrimas e surda de gritos. No corpo havia um coração que ainda batia. No corpo havia uma alma agonizando e implorando por socorro. Os gritos foram abafados. Ninguém sabia o motivo da pobre menina estar atirada sobre o chão de espinhos. Na carta havia amor, havia sangue que ainda pulsava sobre as veias. Suicídio? Todos se perguntavam. O suicídio é coletivo, tinha um motivo, mas todos colocaram vendas e preferiram não entender. Ela se foi, disse o médico. E jogada ao chão, seus olhos se fecharam. As lágrimas continuaram a transbordar, e escorrendo por seu resto deixavam suas marcas. Deixavam marcas em corações. Sua alma ainda implorava por ajuda, mas os hipócritas não enxergavam. Ela se foi, não tem mais volta. Tarde demais para tentar compreender. A sentença foi dada, vocês são os culpados! Tarde demais para se entristecer. Ela se foi, e junto levou o encanto. A cidade perdeu a cor. Os sorrisos se tornaram mares de lágrimas. A felicidade virou tristeza. As nuvens deixaram de ser doces. E até o arco-íris ficou em preto e branco. O sol se recusava a sair de dentro das nuvens, ele estava de luto. Ela só queria amor, mas é tarde demais. Os poetas choram, a cidade ora. Os poetas compreenderam o motivo e lamentaram pela alma da menina que já havia morrido por dentro há tempos. A tristeza era exata. Ela se foi, ela se jogou da janela do décimo andar. Pobre menina que queria ser um pássaro. Pobre menina que só queria bater suas singelas asas e se livrar das correntes e gaiolas que a cercavam e impediam de voar. Ela se jogou. Ela se foi. Mas os poetas ainda choram.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Nada poderia mudar isto.



E mais.  Ela disse que largou tudo por minha causa, isso mesmo, ela disse "Eu não tenho mais ninguem com quem contar, você é e será tudo o que eu tenho." com mais ou menos essa construção frásica. Eu quase tive uma ausência cerebral nessa parte. Mas, aninhei contra o meu peito apertado, devo ter dito que tudo ficaria bem e assenti com um silêncio aterrozidado. O que eu podia fazer? Mas, uma coisa eu sabia. Se eu sou tudo o que ela tem, ela está seriamente fodida, muito mais do que qualquer pessoa consiga imaginar...
 
 
 
                                                                                                                                 —  Gabito Nunes.  

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Coração Hospedeiro.



Cheguei em casa e me joguei na cama. Sabia que se eu tivesse voltado e olhado para trás, eu iria querer permanecer ali e esquecer todos os nossos erros - como da última vez. Então eu simplesmente encarei a sua face com desgosto e segui porta à fora. E não era para te mostrar o quanto sou forte. Era para mostrar a mim mesma que por mais que eu continue passando horas, dias, semanas, meses pensando e me dedicando a uma pessoa, no fim eu sei que tudo acaba. Não que eu tenha acabado com nós, nunca fui de terminar uma história. É sempre a outra parte que coloca ponto final em tudo onde poderia haver apenas reticências. Já me acostumei com isso. As pessoas chegam, entram no coração e depois partem pelas ruas como se nada tivesse acontecido. Aprendi que encararia a vida assim,sem brilho, pelo menos assim eu não me machucaria.! Virei pro lado, fechei os olhos… E me deu saudade. Puta merda, infelizmente me deu muita saudade...

                                                                                                                                               Paloma M.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

...


  
 
               Você não podia ter desistido tão fácil. Era para você ter lutado. Era para você ter sido mais forte. Era para o nosso amor ter sido mais forte. Dizem por aí que o amor tudo vence. Mentira. Mentira pura. O amor é só uma palavra de quatro letras que só dá certo para alguns. Para mim ele nunca deu, olha só que novidade, para mim as coisas nunca deram certo mesmo..

                    Clarissa Corrêa.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Até um breve dia...



Você é aquele tipo de pessoa inconfiável, seus movimentos são joguinhos manipuladores, seus discursos nem se fala. Já faz tempo que parei de guiar minha vida com suas frases de para-choque de caminhão. Fui embora. Agora de uma vez. Sem volta e sem conversa. Voltei para a casa dos meus pais, mas não por muito tempo. Meu antigo quarto virou uma sala de cinema. Talvez eu volte pra Lisboa. Aliás, não te interessa. Não estou dizendo isso porque no fundo te quero ralando joelho pelas ruas atrás de mim. Não dessa vez. Não vem com bombons, não vem com desculpas, não vem com canções. Não vem. Se você tiver a fim de compreender o presente, precisa analisar o passado. Todo ele, dia a dia, cada palavra, seu borderô de atitudes passadas. Dá uma olhada em tudo que você fez e me diz. Viu? A novidade é que o dia que eu sempre prometi que viria, e que você nunca esperou chegar de verdade, veio. Eu cansei. Não sou mais eu. Contou os anos? Quanto tempo esperei por você? Você crescer, você mudar, você mostrar algum remorso. Você tem de querer. Embora eu queira muito, mesmo eu querendo em dobro, não há como querer por você. Só quem enfrenta longas esperas sabe como é o inferno por dentro. Eu sempre falei, um dia alguém tinha de te dizer não. Eu queria que não fosse eu, porque aí eu poderia ficar numa boa e assistir você sofrer, nem que seja calado num canto, mas sofrendo, mostrando algum arrependimento ou qualquer traço humano. Quem sabe eu até enfiaria os dedos ainda com anéis no meio dos seus cabelos e diria que tudo ficaria bem. Agora é tarde, meu anel já se foi, nem os dedos ficaram. Só que você sempre dá um jeito de se safar. Ficar seria tolerar suas mancadas. Você precisa perder pra entender onde errou, que isso que você faz é um erro, um dos feios. Que evitar e não tocar mais no assunto não é perdão ou esquecimento. É sufocar. E eu estava sufocando, morrendo na praia em frente ao mar de rosas que você anunciou, cheia de pétalas grudadas no céu da boca, entupindo os bofes, sem ar, uma vontade constante de regurgitar de volta suas garantias de araque. Partes de mim querem ir embora, partes de mim querem ficar. Ainda não terminei de gostar de você. Mas consegui. Agora fui. Porque comecei isso querendo ser sua companheira, passei a cúmplice das suas maldades, e ficar dessa vez vai me fazer sua comparsa. Não é um “até amanhã”’ nem “até breve” e nem “até mais”. É um “até você mudar” ou “até você não ser mais quem você é”. Até nunca, então.

Gabito.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sem sentido.



          Eu não podia mais continuar com aquilo tudo. Não podia mais continuar ali, aguentando de cabeça erguida, fingindo que nada dóia mesmo que por dentro eu estivesse desgastada e acabada sentimentalmente. Tudo se quebrou. Até quem eu era. Olho-me no espelho e o reflexo que vejo é irreconhecível. Já não sorrio mais como antes. Já não vejo como antes. Eu só tento escrever,mas meus dedos não deixam... Digita,digita,apaga. Esquece. Isso tudo vai passar. Estou sufocada, mas não sou dessas pessoas que ficam dividindo os problemas com segundas pessoas. Gosto de ajudar,mas não de ser ajudada. Odeio que sintam pena de mim. Odeio ainda mais quando eu própria sinto isso. É inevitável. Mesmo tentando descrever o que sinto, nada disso faz sentido.. Meus dedos não me obedecem e minha mente não funciona... Eu continuo escrevendo, mas nada escrevo entre linhas tão terrívelmente vazias e tortas...

Paloma M.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sem palavras...


Bom mãe, é isso ai, chegamos a estaca zero.  Eu poderia segurar sua mão agora e sussurrar aquelas palavras tão bem ensaiadas, mas não seria o suficiente. Eu poderia olhar nos teus olhos agora e te agradecer por cada pequeno (GRANDE) detalhe que você fez, esteve, foi em minha vida, mas nada disso importa mais.
Bom, mãe, é isso ai. Cheguei naquela fase da vida que a senhora desde sempre me preparou, mas ainda não sei dizer adeus, mãe. Não queria ir embora agora, também não quero soltar sua mão para que você vá. Neste sofá ainda cabe nos duas mãe, cabe nos duas e tuas histórias de infância que fazem teus olhos brilhar onde posso claramente te ver 30 anos mais nova.
Bom mãe, ainda não aprendi tudo na vida, ainda não sei tricotar as meias que hoje esquentam meus pés. Quem irá tricotar minhas meias quando você for embora mãe?  Aprendi algumas coisas, mãe, passei por maus bocados também. Hoje sei sorrir quando devo, e sei a hora exata de parar.  Aprendi a conviver, celebrar, aprendi a chorar no canto, porque que ninguém quer saber da nossa dor. Aprendi a aceitar algumas verdades: não serei elogiada pelas boas ações que eu fizer, embora isso não queira dizer que eu não seja recompensada, porem serei criticada severamente por cada erro que cometer, a pior juíza dos meus atos, sempre será eu.
Bom mãe, eu queria te deixar aqui comigo pra sempre. Queria tatuar tua voz em mim, transformar tuas histórias em livros, te eternizar em cada ato meu… Eu queria que você arrancasse de mim essa tristeza ante a despedida assim como você arrancou cada defeito meu sem que eu percebesse…
Bom mãe, o tão adiado adeus bate a porta. É hora de ser livre, mulher! Eu queria prende-la comigo, mas não foi isso que a senhora me ensinou? A arte de possuir alguém. Não posso trancar borboletas num pote mãe, mas posso tê-las pra sempre, aqui dentro.
Não há tempo para desculpas mãe, não há tempo para despedidas, então vá-te logo, antes que o dia clareie. Vá antes que eu chore mãe, não quero que me veja chorando. Quisera eu que isso passasse nos jornais mãe, mas a senhora irá do mundo assim como veio, anônima, e seus atos serão deixados para trás. Teus feitos serão esquecidos. Mas não por mim, mãe! Não por mim.
Então vá. Nos veremos em breve mãe, sabe disso, não sabe? Por que carrego tua sombra para sempre mãe assim como sei que a senhora sempre estará aqui mesmo que longe.
                                                                                                                             Paloma M.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Qual o fim do seu mundo ?


   O que significa o fim do mundo para você? Já cansei de ver nos noticiários que o mundo iria acabar. Uma. Duas. Três. E até quatro vezes presenciei gente se matando, guardando comida, pedindo perdão por conta do remorso. Já vi gente fazendo tipinhos de brincadeiras via internet. Vi pessoas que só riam sobre o assunto e gente que chorava por pensar que não aproveitou a vida - talvez, levou-a sério demais - para no fim morrer. Morrer sem ter realizado sonhos. Morrer sem ter conhecido o amor verdadeiro. Morrer sem poder construir uma casinha e ter uma família para juntar e assistir um filme qualquer num domingo à noite.
Todas essas pessoas se referiam ao mesmo fim do mundo. Mas, o fim do mundo que eu presenciei e que causou algum tipo de sentimento em mim, foi quando eu ouvi você dizendo que não gostava mais de mim. Que você estava gostando de outra pessoa. O fim do meu mundo durou algumas horas. O fim do meu mundo foi você. Mas na manhã seguinte, eu vi que o mundo ainda existia, e que estava no fundo, estava tudo bem...
                                                                                                                                                 Paloma M.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Querer e precisar,só de você.


A vida é complicada porque nós mulheres romantizamos tudo, ou quase tudo, ou justamente o que não deveríamos, a gente faz planos mesmo em cima dos silêncios deles, a gente vê beleza em cada sumiço, a gente vê olhares de amor no mais puro olhar de tesão, nós temos a mente completamente diferente da deles. Não precisa procurar no meio da multidão, coisas acontecem quando você desiste de procura-lás, posso me aproximar sem invadir seu espaço, mas posso me aproximar tanto que seja impossível de não o invadir. Não há como garantir que não possa me esforçar em ser interessante sendo que o que eu quero é ser o melhor que você merece. E de tudo que posso ser pra você eu só pediria que nunca fugisse de mim, nem mesmo quando por alguma razão eu deixasse a máscara cair, eu irei segurar sua mão como quem segura a mão de alguém que esteja pendurado sobre um barranco. E seguirei por dias, semanas, meses tentando tocar o seu coração até que um dia eu consiga. E de nenhuma forma te prender, mas sentir medo de te perder, e jamais te limitar mas chorar quando decidir ir embora, e esperar suas mudanças naturalmente sem forçar você, roubar mil beijos seus quando você decidir ter alguma crise de raiva, tentar te acalmar e ser incapaz de causar algum sofrimento a você. E eu não somente diria que canta mal como cantaria com você, provando assim que existem pessoas que cantam horrivelmente, e que você não é a única, mas a que eu estaria disposta a escutar, e quando você decidir falar demais, que eu debruce sua cabeça no meu ombro e escute tudo que tem a dizer, e quando for desastrado que haja fôlego para não morrermos de tanto rir. E que você sinta vontade de precisar de mim, mas não só quando houver necessidade, que você sinta isso mesmo tendo passado um dia inteiro comigo, que não veja e nem sinta as horas passando quando estiver ao meu lado, e que nunca seja o suficiente o tempo que passarmos juntos, que você sempre sinta vontade de mais, mais e mais. E que você suporte os meus defeitos e se sinta orgulhoso das minhas qualidades, e apesar de não ter uma beleza extrema, poder fazer com que você enxergue que gostar de alguém vai muito além de beleza fisica, e tentar também de algum jeito (infelizmente só tentar) fazer com que você não precise olhar em outras direções, porque seus olhos vão estar dentro dos meus. Eu quero sempre encontrar você, sejá lá aonde você estiver, e que eu consiga ser o seu perfeito, mesmo sendo imperfeito.
                                                                                                              — 
Tati Bernardi.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Amor de papel.


Hoje, finalmente desisti do "amor da minha vida" - e aquele sorriso dele não foi o bastante para que eu não deixasse de ama-lo. Eu decidi que deveria colocar um ponto final nisso tudo. E foi começando pelas peças jogadas foras do meu guarda-roupa que eu vi o quanto seria difícil me libertar de você. Seu cheiro ainda permanecia pela casa mesmo que eu passasse e experimentasse outros milhares de perfumes. O seu estava impregnado. Assim como você estava em mim. Ê que cheiro meu Deus!
Olhei em volta daquele quarto e observei por uns vinte minutos as fotos expostas no mural. E durante esse tempo todo a única coisa que fui capaz de pensar foi: "Meu santo Cristo, porque de novo isso tudo não deu certo? O que eu tenho feito de errado?".. E a resposta típica e automática soava vagarosamente nos meus ouvidos: "Não era pra ser". Então resolvi levar ao pé da letra.
Joguei fora de uma vez tudo que me lembrava você. Tudo que me fazia chorar por você. Tudo que fazia com que eu ficasse em pleno sabádo em casa esperando que você fosse voltar. Tudo que fazia com que eu me sentisse a pior pessoa do mundo por nem sequer merecer alguém tão ruim como você. E mesmo te amando muito, eu percebi que sofrer não é comigo. Aliás, nunca foi..

                                                                                                                               Paloma M.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Amores de prateleiras.


Não, meu bem. Não há mais o que fazer. Não há mais o que pensar. Não há mais caminho a seguir. Já fui de outro jeito, mas hoje estou assim. Sem dó de ti e, principalmente, sem dó de mim. Não surto mais. Não choro mais. Não há coragem, mas também não há medo. Estou desfazendo laços. Estou me fazendo de cego, surdo e mudo. Estou andando por aí, sem levar sequer alguma lembrança. Nunca fui calmo, mas hoje não fico mais nervoso. Não sinto ódio, mas também não sinto amor. Não me sinto triste, alegre muito menos. Não sei sobre a felicidade, porque isso nunca foi um estado, é questão de ser. Você não pode estar feliz, ou você é ou você não é. É tão simples, mas sou especialista em desvendar coisas difíceis, as simples eu sempre desprezei. Mas se disser que eu não tenho mais coração… Devo lhe dizer que eu o tenho, mas isso não quer dizer que ele bata na mesma intensidade de antes. E o ritmo dele? Nem eu mesmo sei. Se tornou independente, assim como eu, meu bem. Você mudou e a partir dai o mundo se transformou, talvez eu devesse reagir, mas me sinto protegido assim. E quando penso em nós, só me vem esse sentimento, essa sensação, que tudo não passou de coisas momentâneas. No final nada nem ninguém nunca conseguiu me enxergar por dentro. Então desisti, chega uma hora que a gente tem que simplesmente deixar pra lá e colocar o coração em stand by. Devo ter nascido com alguma espécie de embalagem plástica, por fora podem parecer perfeitas mas com o passar do tempo, podem reservar um mundo diferente, estranho, que somente eu sou capaz de compreender. Então pra que? Você e mais 4 bilhões de pessoas em torno do planeta, todos os dias, incessantemente me provam, que não há solução. O amor, minha cara, é algo que faz parte do nosso imaginário e lá devemos o manter. Esta é a sua única salvação. Repare bem, a cada instante o mundo nos prova que eu estou certo, a cada ato covarde cometido em um circunstância qualquer, na estação de trem, na saída da escola ou logo ali ao virarmos a próxima esquina, a cada telejornal onde presenciamos as maiores tragédias da humanidade. Eu percebi que não há solução, a condição de ser humano já nos prega uma peça fatal. Depois disso tudo que passamos juntos, se eu amar novamente, a primeira sensação que terei será a de estar sendo ridículo. Então o melhor que eu faço é me manter assim, alguém portador de um coração que bate, mas que já aprendeu que emoção e entrega, fundamentais para o amor, são coisas que só acontecem nos romances das dezenas de livros que tenho na minha estante. Talvez, nem os leia mais.

                                                                                                                                               

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Anestésio de um pró-amor


Então virei o décimo pequeno copo de café. Já havia passado das duas horas do começo de uma madrugada fria. O vento gélido passada e soava pela fresta da janela. O óculo depositado sobre a mesa estava com as lentes embaçadas. Minha mão permanecia estagnada com a colher entre os dedos. Meus olhos já tombados de cansaço e de sono contemplavam a bela lua que se encontrava entre as nuvens e o céu cinzento.
Fazia poucos dias que você havia ido embora. E eu ainda podia com transparência rever a cena em que você batia a porta com força e seguia seu caminho sem olhar para trás. Como se não tivesse esquecido de nada. Quase abri a janela da sala-de-estar e gritei "Ei,você esqueceu de me levar.". É como um alguém que esquece duma mala cheia de coisas importantes quando vai viajar. Só que a diferença é que quando a pessoa lembra que esqueceu, ela volta para pega-la. E já fazem alguns dias que você foi embora, e ainda não voltou para me buscar.
Engraçado é que mesmo sabendo que você anda por aí -sei lá onde- eu permaneço aqui achando que uma hora ou outra você vai sentir uma saudadezinha e vai voltar. Coisa besta de quem gosta. Eu parei a minha vida para ver como a sua se movimentava. Eu continuo vendo os dias passarem, a rotina se perder mas, não vejo você abrindo a porta de casa com chocolates nas mãos como você costumava fazer sempre nas sextas-feiras à noite.
Você partiu num domingo; E eu sempre nunca gostei de domingos. Hoje é madrugada de um sabádo; E eu deveria tomar vergonha na cara e ir curtir a vida,como você fez.  Sair com alguns amigos em um bar e jogar papo fora com qualquer homem que quisesse me conhecer melhor. Um alguém que preenchesse esse vazio que tem existe aqui dentro.
Mas, não sei. Esse vazio é estranho, é diferente.. Eu não sei se de fato é vazio de você ou vazio das lembranças que ficam martelando na memória.  Eu observo a fumaça do café sumir ao ar e eu imagino que o vazio seja mais ou menos assim: Ele se vai em certa hora, mas logo chega um outro para decorar a casa. E aliás, aquele quadro de nós dois juntos se beijando que ficava pendurado no meu quarto, eu resolvi jogá-lo hoje para o lixeiro. Mas,queria mesmo era ter coragem de jogar você junto com todas as outras coisas que eu teimo em guardar. Eu não quero mais viver assim, viver só relembrando enquanto eu poderia estar recriando outro tipo de amor com uma pessoa melhor. Então,assim como agora eu fiz com o café que já estava gelado na xícara. Eu vou fazer com você. E ainda vou te dar ‘thchauzinho’ enquanto eu vejo você indo embora pela pia da cozinha...
                                                                                                                                                                                                                                                            Paloma M.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

      

            Ela será única. Você conhecerá outras pessoas, terá um flashback com a sua ex namorada, terá uma nova namorada, mas ela continuará sendo a sua preferida. Provará outros beijos, se sentirá frustrado, algumas vezes, ao perceber que aquela loira linda da festa não beija tão bem assim. Passará a mão em outros cabelos, alguns mais longos, outros mais curtos, mais cheios, mas de qualquer forma, sentirá falta dos cabelos dela, que de tão pouco se perdiam nos seus dedos. Você sentirá outros perfumes, amadeirados, cítricos, doces, e sentirá falta do cheiro da pele dela, que tinha um cheiro tão bom que te fazia fechar os olhos e suspirar fundo. Você chorará, toda noite, baixinho, sentindo a maior saudade que você já sentiu em toda a sua vida. Olhará para os lados, verá a vida passando, e sentirá uma falta quase mortal da vida que ela te proporcionava todos os dias. Você entenderá que a amava. Você entenderá que a ama. Você entenderá que ela será eterna. E-t-e-r-n-a. Você, ao conhecer outras com o mesmo nome, sentirá um aperto no peito ao dizer que esse nome é lindo, sentirá suas mãos tremerem ao lembrar que dizia que esse seria o nome da filha de vocês. O seu celular, ao tocar, após anos, após milhares de vezes, ainda desejará realizar uma ligação de vocês, aonde ela dirá que ainda te espera, e você dirá que está indo buscá-la, assim como em um texto que um dia ela escreveu. Você irá ler, palavra por palavra de tudo que ela escreveu um dia, e se surpreenderá ao ver que ela suplicava por você. Você se sentirá um idiota. Mas ela, ela continuará sendo única. Ela continuará sendo sua. Você continuará sendo dela. Mas a vida continuará. Ela fará um esforço descomunal para te esquecer, talvez, por alguns anos, ou até que toque a música de vocês, conseguirá. Lembrará de vocês com uma pequena tristeza mas com um grande afeto, assim como ela sempre disse, você ainda será a escolha dela, mas infelizmente, a vida lhe deu outras opções … Reticências, sua vida será repleta delas, assuntos não terminados, desejos não obedecidos, o maior e único amor da sua vida, perdido pela sua incapacidade de amar alguém. Você virá um dia para perto da casa dela, pensará uma, duas, três, mil vezes em um jeito de tentar achá-la, de descobrir se após tantos anos, ela ainda irá morar ali. Ela, irá para perto da sua casa, passará na sua rua uma, duas, três, mil vezes, na intenção de que você a veja e diga : "Finalmente". Ela passará mesmo na sua rua, porque sempre foi mais decidida que você e você ficará só planejando.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Nos perdemos entre esquinas..


 
É isso,sei lá, mas acho que amo você. Amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de transar com você no banheiro eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos bisnetos. E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano. Ninguém acredita na gente: Nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum amigo, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente nem você. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burro. Estúpido. Cego. E eu acredito na gente. Eu acredito que ainda vou voltar a pisar naquelas pocinhas da sua rua, naquelas florzinhas amarelas da sua rua, naquele cheiro de família bacana e limpinha da sua rua. Como eu queria dobrar aquela esquininha com você, de mãos dadas com os pêlos penteados de lado da sua mão. Outro dia me peguei pensando que entre dobrar aquela esquininha da sua rua e ganhar na mega-sena acumulada, eu preferia a esquininha. A esquininha que você dobrou quando saiu da casa dos seus pais, a esquininha que eu dobrei chorando, porque é mesmo o cúmulo alguém não me amar. A esquininha que você dobrou a vida inteira, indo para a faculdade, para a casa dos seus amigos, para a praia. Eu amo a sua esquininha, eu amo a sua vida e eu amo tudo o que é seu. Amo você,mesmo sem você me amar. Amo seus rompantes em me devorar com os olhos e amo o nada que sempre vem depois disso. Amo seu nada, apenas porque o seu nada também é seu. Amo tanto, tanto,tando que te deixo em paz. Deixo você se virando sozinho, se dobrando sozinho. Virando e dobrando a sua esquininha. Afinal,por ela você também passou quando não me quis mais, quando não quis mais a minha mão pequena querendo ser embalsamada eternamente ao seu lado...
 
                                                                                                                                             Tati Bernardi.
 

segunda-feira, 15 de julho de 2013



Alguma coisa, por menor que fosse, se quebrou aquele dia. E, eu sei, não posso por a culpa em você. Aquela palavra, foi apenas a gota da agua para fazer tudo, em uma fração de segundo, desmoronar. Eu queria conversar. Talvez você não soubesse, mas o plano já estava traçado em torno de te ter de volta doce e insolente me desejando em suas maõs. Se não fosse permitido falar dos problemas que te mantinham em silêncio – mesmo que estes fosse eu – eu tinha, pelas minhas contas, três piadas, dezenas de perguntas e mais alguns episódios engraçados –ou desastrosos- que aconteceram comigo enquanto você tirava suas férias. Não falaria dos meus irmãos, do cara que tu acha que to amando, muito menos do meu pai. E se nada disso desse certo, eu ia provocar você. Quer que eu repita? Pra te ter um pouquinho de volta, eu, a garota que te cortou por quase três anos, deixaria toda minha vergonha de lado só para que visse o que provoca em mim quando me chama pra tomar banho contigo. Eu passei dias pensando em você Dan. Em quantas vezes deixei de lado, cai, te mandei embora, te vir sair pela porta, com o sentimento intacto dentro do peito. Acabei percebendo que nosso segredo foi sempre a alternância. Nós nunca desistimos um do outro ao mesmo tempo, porque cá, entre um fundo de coração e outro, a gente sabia que essa loucura toda em meio a tanta falta de explicação valia a pena. Porque era eu, porque era você. A minha alma é doce, o seu coração é puro, e nada estaria ao nosso alcance. Sabíamos que por baixo de cada pequeno alfinete que perfurava os nossos nervos, de alguma forma, tínhamos a mesma matéria prima. Erámos opostos feitos de uma mesma essência. Eu sempre compreendi isso porque nunca amaria um cara que fosse tão exagerado e melodramático como eu. Tu era desafio, nunca me cansaria de ficar irritada com você. O pai dos meus filhos, seria o idiota mais exibido desse mundo. E, tendo consciência que acabei de estragar tudo com esse tipo de colocação de clichê, eu sempre achei que a gente não teria fim. Foram tantas brigas, discussões, acordos que duraram menos de um mês. Nós sempre demos um jeito de ficar tudo bem, de achar um caminho de volta. Mas aquelas brincadeiras parecem tão distantes agora. A um milhão de anos a gente se amava. E foi preciso uma simples despedida para se descobrir que já não restava mais nada. Nem dentro de mim, muito menos de você. Toda essa historia – digna de virar um bom best seller – virou passado. Lembranças inócuas do meu eterno primeiro amor. Deixamos de ser importantes um pro outro Dan, sem perceber, ficamos prontos para seguir em frente. Doi pensar que fomos apenas uma utopia. Talvez a falta de distancia nos teria dado um pouco mais de tempo. Mas ela existiu. E não há mais nada que a gente possa fazer. Nos nunca mais seremos um do outro, cientes de que ainda há tanta coisa pra se falar. Mas não consigo dizer nada, assim como você. O tchau gritou alto o suficiente por nós dois. É triste, quase digno de pena se pensarmos bem, mas é melhor assim. Você vai ser feliz? É eu sei, vou ficar bem também..

Paloma M.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sobre uma garota que ouvia Cazuza;e não tomava café...


A garota foi um tipo de droga. Tu sempre teve uma droga de mania, uma droga de cheiro bom e uma droga de sorriso lindo. E tô sim, escrevendo sobre o vicio de uma garota que eu conheci numa tarde de segunda. E nas drogas que ela tinha consigo mesmo. Vai entender, né? Conheci ela sem querer, sei lá, num dia tão normal quanto hoje. Posso até dizer que não era um dia de sorte, porque era uma segunda-feira. Eu devia ter notado que você era furada, eu te conheci numa segunda. E amores de segunda, só duram até domingo. Você até que foi diferente, Julia. Você ouvia bandas da época do meu avô, e as cantava no chuveiro. E ficava de cara amarrada se eu batesse na porta pedindo pra você calar a boca. Você dizia pra mim desde o começo, pra não me iludir com o seu gosto musical. Você ouvia Cazuza, Los Hermanos, Beatles e Barão vermelho. Mas jurava de pés juntos que não tomava café preto, só nescau bem doce. Você sempre gostou de Scracho e Forfun, Julia. Mas nunca fez do tipo que gosta de serenata. Tentei cantar “Anna Julia” pra você uma vez, e você acabou rindo e dizendo que eu desafinava no refrão. Você tinha o seu próprio calendário, e nele você sempre odiou quartas-feiras. Mas eu lembro até hoje quando você riscou “ódio as quartas” porque meu aniversário caiu numa delas. Você sempre foi boa com as palavras, e sempre sentiu muito nelas. Mesmo dizendo que você é vazia e não sente nada. Você é desse tipo inesperado, Julia. E eu sempre odiei o seu jeito “surpresa”. Veja bem, eu sempre tive tudo no meu controle, de repente eu conheço um suposto amor da minha vida (numa segunda, vale lembrar) e perco o controle. De tudo, Julia, tudo. Porque eu perdia a linha do raciocínio quando você chegava perto demais. Com seu cheiro que me preenchia de um modo que ninguém nunca entendeu, e nem as palavras devem entender. Não era perfume, era… Cheiro de Julia. O cheiro que ficou no meu travesseiro, no meu pescoço e na minha roupa. Eu sempre preferi teus cheiros, aos meus perfumes. E o teu sorriso, Julia? O dia podia estar nublado, chuvoso, horrível. Mas aí vem você, dona de um sorriso que… Sei lá, abre umas coisas que não tem nenhuma descrição. Talvez eu esteja sendo um imbecil, pode até ser. Mas o vicio que você me arrumou em você, me faz escrever. Escrever, Julia. Eu que sempre odiei as palavras. Eu que sempre achei graça de quem escreve pra outra pessoa. Tô escrevendo sobre você. E se fosse só sobre você tava bom, mas é sobre o vicio de você. Da menina mais estranha que eu já conheci. Você tinha uma risada que não era só um riso, era um som que ecoava dentro de você. Porque tu ria, e cuspia até teu coração. Intensa, Julia, isso é o que tu sempre foi. Lembra que eu disse que amores de segunda duram até domingo? Hoje é quinta-feira. E eu tô escrevendo pra você. O engraçado é que foi exatamente no domingo que você disse “Não, Bê, hoje não tem filme. Hoje eu durmo em casa”. E você foi pra sua casa, e eu fiquei sem a minha. Tu foi meu teto e meu chão, tu foi a porra da minha casa. E faz quatro dias que eu não durmo em casa, Julia. E você com seus milhares de problemas, deixou teu refrigerante na porta da minha geladeira. O problema é que eu só tomo café. Tomava coca porque você tinha suas manias, que eu sempre odiei. Foi absurdo, Julia. Você me fez largar as minhas manias pra viver as suas. Eu prometi que você seria meu vicio só até domingo. Mas hoje é quinta, e eu já me sinto em abstinência. Não esquece, Julia. Não esquece a bagunça que você fez. Na minha gaveta, no meu armário, na minha vida. Faz diferente como tu sempre fez. Ao invés de querer durar só até domingo, volta no domingo. E anota aí no teu calendário por mim:
Odeio segundas-feiras.


Paloma M. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Nos amamos, Nos odiamos.

Eu sei, eu sei, a eterna certeza de que para-tudo-tem-um-jeito. Sinto dizer, mas as pessoas que afirmam isso estão redondamente enganadas. Há duas coisas no mundo que não tem jeito algum: a morte e nós dois. E não foi por falta de tentativas ou boa vontade de ambas as partes. Nós trabalhamos duro para que déssemos certo, o mundo está de prova. O problema é que existe uma barreira gigantesca entre querer que dê certo e fazer com que, de fato, dê. Nós somos como peças avulsas de quebra-cabeças que se perderam nas valas do universo. As nossas estradas possuem caminhos, direções e sentidos totalmente opostos. Não importa quantas vezes gastemos a última gota de suor que habita em nosso corpo para juntá-las, elas, de alguma forma, sempre se separam. Eu quero - e quero muito - que seja você o alguém que o meu corpo implora todas as manhãs, que o meu coração grita em todas as caladas da noite e que o meu lado dependente de ser precisa. Você, então, cisma em me fazer ser a mulher que estará para sempre do seu lado, com a cabeça encostada no seu ombro e os olhos fixos nos seus. O problema é que nós somos exatamente isso, mas não um pro outro. Eu sou exatamente a mulher que você precisa, mas não pra você. Assim como você é exatamente o cara que eu quero, mas não serve pra mim. É uma droga que certas coisas não dependam de nós mesmos. Enquanto a gente se enrola um no outro e pensa em como seria bom que durássemos pra sempre, o lado mais sombrio do nosso ego grita um pro outro e fere, corrói, machuca. Desculpa, não era isso que eu quis dizer. Tudo bem, eu também perdoo você. Certo, vamos começar pela milésima vez do zero, está bem? Mas os nossos recomeços sempre acabam em brigas, palavras afiadas e alterações na voz. A gente se ama na mesma proporção que se odeia e isso, de certa forma, é desgastante. Eu não aguento mais olhar pra você com vontade de te eternizar aqui dentro e, ao mesmo tempo, com um desejo incessante de arrancar todos os seus membros com as minhas próprias mãos.
Sei que não somos um casal iguais aqueles de filme francês, com a gente rola guerra de indireta, palavras estúpidas ditas da boca pra fora, mas no fundo você sabe que sou eu quem te completa, e é muita tolice da gente viver nesse pé-de-guerra, como gato e rato. Eu sempre quero ser a dona da verdade, mas reconheço que você tem todas as razões de dormir sozinho no nosso sofá, enquanto tento pregar os olhos vendo uma novela estúpida, enquanto o meu pensamento tá ligado em lençóis amarrotados, em nós dois juntos se amando como na primeira noite de núpcias naquele flete que o seu pai pagou. Você lembra que os primeiros oito meses de casados, éramos liberto dos pesares, das preocupações, das dívidas e das tentações, tentação mesmo era você chegar do trabalho cansado, e me ver você trajada com aquela lingerie branca, devorando os seus lábios com um batom vermelho, deixando marcas no seu uniforme. Vamos parar com essa ufania, vamos deixar o orgulho de lado um pouco e ser feliz? Dizem por aí que dois bicudos não se beijam, mas minha boca já desinchou, porque você não morde os meus lábios com tanto apetite, já não deseja o meu corpo com tanta ansiedade. Já se passaram seis anos, e completamos bodas de perfume, é estranho porque o único cheiro que sinto dentro dessa casa, são os da poeira que cobrem os móveis, acho que está precisando urgentemente de uma faxina, acho que nós precisamos de uma faxina...



quinta-feira, 4 de abril de 2013

Eu ia dizer.

Eu ia dizer que todas as noites eu relembro os poucos momentos que tivémos juntos. Ia dizer que apesar de ter me afastado de você, ter congelado no tempo e ter parecido não mais me importar, eu sempre quis saber como estava sendo o seu dia e o que você estava fazendo.
Eu também ia dizer que mesmo você não me dando atenção, me enrolando entre assuntos puxados às 01h35min. da madrugada e que mesmo morrendo de sono depois de ter tomado algunas muitas xícaras de café era ali que eu permanecia conversando com você por horas só porque desta forma eu poderia te sentir um pouco mais perto.
Eu ia dizer que até hoje eu lembro do modo estranho que nos conhecemos. Da música um tanto constrangedora que me fez encostar o corpo ao teu. Eu ia dizer que o gosto dos teus lábios não saem dos meus; e que seu perfume ainda passeia pelas linhas das minhas roupas e pela minha narina.
Eu ia dizer que todo santo dia quando escuto "Lanterna dos Afogados" me dá um aperto no coração, só por querer saber se você ainda se lembra da letra dessa música, e também, se ainda se lembra de mim.
Eu ia dizer muita coisa. Ia mesmo. Assim mesmo, no verbo conjulgado no passado.

Eu também ia dizer que sinto sua falta, mas você não merece saber..

Paloma M. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Apenas uma reflexão sobre eu mesma.


Um dia você vai se lembrar de mim. Os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum para discar. Talvez, até tente o meu, mas até lá posso não querer mais te atender ou talvez nem seja mais meu aquele número. Você vai tentar chamar alguém, mas não vai haver ninguém pra sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo ou acariciar seus cabelos até que o mundo pare de girar. Nessa fração de segundo, quando seus pés perderem o chão, você vai lembrar do meu carinho e do meu sorriso infantil. Virão súbitas memórias gostosas dos meus beijos e abraços, da minha preocupação quando você saía e esquecia de pegar a blusa de frio… E só terá uma música repetindo no seu rádio: a nossa doce sinfonia. Em um novo momento você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração, e vai torcer bem forte para ter o nosso mundinho de volta, mundinho difícil, mas cheio de amor e carinho. Vai ouvir a chuva cair e vai sentir um imenso vazio por não ter um grande amor pra compartilhar esse momento. Não terá alguém para brincar de se jogar na grama nos dias ensolarados, nem para admirar o pôr-do-sol sobre a ponte da pequena cidade. Talvez, nem consiga mais sentir o frescor do vento. O nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto e te falava sempre. E quando você finalmente bater na minha porta, ela estará trancada, ou se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que são lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. E você vai lembrar dos carinhos nas costas pra você dormir, dos paninhos quentes pra aliviar sua dor de madrugada, da minha inocência que ria de tudo que você falava, do meu jeito bobo, do meu jeito de tentar te fazer feliz… O nome do enjoo que você vai sentir é arrependimento, e a falta de fome será a tristeza, a mesma que eu senti por tanto tempo. Um dia você irá se deitar, e quando olhar para o teto do quarto escuro, vai se lembrar que as estrelas poderiam estar lá, para iluminar todas as suas noites frias. Mas tudo o que você verá é a escuridão. Então quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer e ninguém te olhar com os meus olhos encantados… você encontrará a solidão. E você vai ver que diante de tudo isso, alguns dos meus defeitos poderiam ter sido perdoados. A partir daí, o que acontecerá chama-se surpresa. E provavelmente o remédio para todas essas sensações… é o tal do tempo em que você tanto falava!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Tempos que não voltam.


Já parou pra pensar o que você poderia ter feito se não fosse a falta de tempo? Olhe para o relógio, passou-se mais um dia e você esta novamente estressado e sentindo pena de si mesmo. Mesmo tendo oportunidades você não disse nenhum "eu te amo". Não deu um sorriso verdadeiro e nem fez ninguém sorrir. Não abraçou seu melhor amigo, e nem disse a sua mãe o quanto à admira. Você sempre deixa tudo pra depois, mas a questão é: E se não houver depois? Você ficaria orgulhoso por ter passado a maior parte da sua vida com bobagens ao invés de ter buscado a sua felicidade? Ficaria orgulhoso de si próprio por nunca ter dito as pessoas a sua volta o quanto elas são importantes pra você? O tempo é muito curto pra deixar tudo pra depois. Valorize cada momento da sua vida. Valorize aqueles que você ama. Não tenha medo de ser feliz. Corra atrás daquilo que te faz bem. Vá à busca da sua felicidade. Vá amar incondicionalmente! É que quem decide amar, acaba decidindo viver também...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Reflexão.


"Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como? Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra. Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra. A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido. Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente..."