Vamos […] anda, acorda para a vida idiota. Não vê que essas pessoas só estão te passando a perna? Elas estão te enganando […] Só você não vê. Parece que você gosta de ser a jumenta da história, olha essas pessoas […] todas estão rindo de você. Todas se foram e deixaram feridas enormes em teu peito. Algumas cicatrizes imensas. Relíquias guardadas em teu coração. E agora? Ei […] pequena, olha pra mim. Como se sente sendo a segundo opção de todos? Está sendo forte? Está segurando as tuas lágrimas? Está dando valor nas poucas pessoas que estão ao seu lado? E ai? Está dando valor na sua vida? É só agora que você aprende a se importar com as pessoas né? Perdeu muitos amigos não é? […] Pequena, aprenda. Tudo que é bom um dia acaba. Você já deveria saber disso não é? Entenda […] As pessoas não vão te entender, até que elas passem pelo mesmo que você. {oieuamoumimbecil}
Meu dia amanheceu cinza. Nem me dei o trabalho de levantar com o pé direito -como sempre faço -hoje eu sabia que os dois seriam esquerdo.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
O relógio marcava 00:00. O telefone tocou, era ele.
Ela titubeou ao atender, será que deveria? Nada mais fazia sentido, depois de tantas decepções e dúvidas, ela tomou coragem, e atendeu. Quem sabe o que ele tinha a dizer era algo bom, realmente bom.
— Alô?
— É, oi…
Ela sorriu ao ouvir a voz daquele que um dia lhe fizera amar novamente, e sofrer.
— Olá.
— Bom, eu sei que já é tarde, eu sei que depois de tudo… — depois de todas as lágrimas que ele a fizera derramar. — eu não deveria ligar pra você, não é certo, eu sei. Mas… é que eu sinto falta das tardes em que nós dois ríamos das idiotices do outro, das noites em que eu deitava a cabeça no seu colo, enquanto você fazia carinho no meu cabelo. Se lembra? Você dizia que ele era macio, tão macio quando seda… e eu ria. Bons tempos, não é mesmo? Eu sinto falta dos nossos beijos, abraços, de tudo aquilo que um dia, você disse que a fazia feliz. Eu sinto falta de você, mais do que tudo. Eu ainda te amo…
— […] — do outro lado da linha, o silêncio era absoluto. Pode-se ouvir apenas o choro baixinho que ela tentava esconder, é, ainda doía, e muito. — Bom, é só isso que você queria dizer? Se é só, já disse. Passar bem. — ela desligou o telefone. Ele esperava ao menos um “eu também sinto sua falta”, mas nem isso ela foi capaz de dizer, ela não podia. Não podia se entregar novamente. Ela ainda tinha medo de se machucar, de sofrer. Mas ela ainda o amava, e muito… Ela ainda precisava de sua presença, dos seus abraços, do seu carinho.
Limpou as lágrimas, e caminhou até seu quarto. “Isso é passado, e eu tenho que me conformar…” Ela tentou esconder tudo que ainda sentia, e daquele dia em diante, passou a ser fria. A cada “tudo bem?” ela apenas assentia e sorria. Era o máximo que ela conseguia fazer, era tudo que a vida havia lhe deixado. Dor, e um amor fracassado.
Paloma M.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
"Você e eu" "Nós" "Eu e você" "Você e ela" "Eles."
“Ontem eu o vi na rua. Do outro lado da calçada, estava do mesmo jeito de sempre, com uma de suas camisas de bandas favoritas, com aquela típica calça jeans já velha, seu tênis que não sai do pé. “É o tênis da sorte, afinal é ele que trilha meus caminhos” dizia ele com um tom irônico. O cabelo, como sempre, bagunçado, os olhos ? tinha o mesmo brilho de sempre que de alguma forma me deixa desequilibrada. Uma de suas mãos estava ocupada segurando a mão de outra, quem diria, teve uma época que era eu no lugar dela. Foi estranho, eu olhei para ele em questão de segundos, talvez apenas um relance, e pudi perceber todas as suas mais simples características que já estava acostumada a conhecer. Pudi sentir meu coração palpitar da mesma forma que palpitava quando ele estava a 10 cm a ponto de me beijar. Mas ele me parecia bem, parecia feliz, parecia ter superado o erro que eu fui na vida dele. Ele não deve sentir minha falta, ele não deve ouvir as músicas que julgávamos como nossas, como eu ouço, todos os dias antes de dormir. Ele provavelmente as apagou de seu celular, ipod, computador. Deve ter apagado nossas fotos também, nossos vídeos que costumávamos fazer quando estávamos intediados. Deve ter rasgado as cartas que eu dei para ele e os casacos que antes serviam para me proteger do frio, hoje devem servir para cobrir a outra lá. Quem diria né. O “nós” virou “eu e ele”, quer dizer, “ele e ela” ou quem sabe até deve ter virado um “Eles”. “Que coisa fora do padrão clichê”, você deve estar se perguntando. Mas essa é a real. Acabou, ele superou, por que eu não posso superar ? Me pergunto por que na maioria das vezes, é a menina que sofre, a menina que se machuca. Talvez seja pelo fato de sermos complicadas demais, de idealizarmos demais, fazemos planos antes mesmo de ter certeza que está sentindo algo. Escolhemos o nome dos nossos filhos sem ao menos sabermos quem será o pai. Mas tudo bem, a gente cai, mas sempre levanta, por mais profunda que tenha de ser a queda. E aqui estou eu, de pé e queixo erguido -aparentemente- virando o rosto de forma delicada para trás, vendo ele se distanciando do outro lado da calçada. Acho que ele não me viu. Talvez tenha sido o melhor, assim ele não percebe a minha cara de saudade ao bater meus olhos nele. Com ela. O que antes era comigo […]”
“Ontem eu a vi na rua. Do outro lado da calçada, estava usando os mesmos tipos de roupas que eu estava acostumado a ver, não tinha mudado nada. O mesmo short rasgado de sempre, com o all star que não sai do pé. O cabelo, sempre preso numa forma de nó que ela, e apenas ela, conseguia fazer por ser tão grande e liso. O cabelo dela é lindo, sedoso, sempre que o vejo lembro do seu cheiro que me deixava de certa forma mais apaixonado. Se é que isso era possível. Os olhos estavam escondidos por trás da maquiagem, porém ainda pudi ver os seus brilhos. Aqueles olhinhos tão pequenos, que me faziam ir até o céu e voltar. Ela estava sozinha, provavelmente por opção, já que era a garota mais perfeita do planeta. Eu a vi por um milésimo de segundo, e memórias de anos vieram a minha mente. Ela foi meu primeiro amor. Minhas mãos soaram frio quando percebi que aquela garota que eu daria a vida, estava do outro lado da rua. Meu desejo era atravessar e lhe dar aquele abraço demorado, que eu sei que a fazia sentir segura, mas eu não podia. Ela devia estar achando que estava namorando, mal sabia ela que aquela garota de mão dada era minha irmã que voltou da Itália. Foi uma pena eu não conseguir apresentada-la a toda a minha família. Seria um orgulho poder chegar a todos e dizer “Essa é a mulher com quem eu vou casar um dia”. Ela deve ter achado que eu a superei. Que ingênua, mal sabe ela que todos os dias eu ouço as nossas músicas “Oh, I thought the world of you, I thought nothing could go wrong”, mal sabe ela que eu ainda vejo os nossos vídeos. É, eu fui incapaz de apagá-los. Mal sabe ela que durmo com o casaco que ela costumava usar no frio, porque ainda possui o seu perfume. Ela deve estar achando que eu estou bem, que estou feliz. Como poderia ? Se falta um pedaço de mim ? E que esse pedaço que falta está logo ali, do outro lado da rua ? Queria que ela acenasse… Mentira, eu queria que ela saísse correndo e pousasse apenas em meus braços. Mas não, ela apenas andou para frente, lá estava ela, “a mulher que um dia eu iria casar”, se distanciando de mim. Eu queria que ela soubesse que eu ainda a amo. Eu queria que ela soubesse que o “nós” sempre vai existir na nossa história. Eu queria que ela ainda sentisse algo por mim. Mas parece que é tarde demais. Ela se foi.“
Paloma M.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Carta achada no meio de uma rua. Paris, 1980.
Oi minha pequena, bom dia - se é que sequer existe um dia agradável sem você. Desde que partistes não tenho a mínima ideia se pensas em mim. Ou se já se esqueceu de todos os momentos que passamos juntos. Clichê, eu sei. Pequena, se um dia você chegar a ler esta carta, saibas que sinto tua falta. As ruas desta cidade perfeita passam por mim despercebidas, como se projetadas em branco e preto. Pequena, você é o brilho, o sol, que meus olhos precisam. És o teu sorriso, tuas bochechas vermelhas e tuas covinhas - que surgem acompanhando o movimento de teus lábios. Tudo em você me encanta. Ou encantava. Saibas que as memórias continuam vivas em mim. Recorda-se, pequena? Recorda-se de quando íamos até a Torre Eiffel, e observávamos lá do alto, bem pertinho do céu, os prédios e as pessoas abaixo de nós. Recorda-se que pensávamos que éramos o casal mais apaixonado e feliz que poderia existir. Pequena, você costumava chamar-me de bobo por ficar tão sem graça perto de ti, mas era apenas por medo de perder-te. E agora, percebo que realmente sou bobo, um covarde até, por ter medo de mandar-te esta carta. Mas sei que de nada irá adiantar, você não vai voltar. Tudo mudou de repente, você mudou de repente. E eu nunca soube porquê. Mas caso você volte atrás em tuas decisões, a chave reserva continua no mesmo lugar - sob o tapete em frente à porta de nosso apartamento, nosso aconchego. Eu estarei te esperando, como uma criança que procura entender o que há de tão complicado na humanidade, como uma criança que somente enxerga a bondade e a generosidade. Pequena, tu sabes que sou uma criança. Uma criança que procura a resposta sem nem ao menos saber a pergunta. E que ao mesmo tempo, entende que o ponto final sempre virá depois do Eu e Você.
Daquele que nunca deixou de acreditar em um “nós”.Ps: Eu te amo, pequena. Amo tanto que até chega a doer.
Paloma M.
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