terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"Você e eu" "Nós" "Eu e você" "Você e ela" "Eles."


“Ontem eu o vi na rua. Do outro lado da calçada, estava do mesmo jeito de sempre, com uma de suas camisas de bandas favoritas, com aquela típica calça jeans já velha, seu tênis que não sai do pé. “É o tênis da sorte, afinal é ele que trilha meus caminhos” dizia ele com um tom irônico. O cabelo, como sempre, bagunçado, os olhos ? tinha o mesmo brilho de sempre que de alguma forma me deixa desequilibrada. Uma de suas mãos estava ocupada segurando a mão de outra, quem diria, teve uma época que era eu no lugar dela. Foi estranho, eu olhei para ele em questão de segundos, talvez apenas um relance, e pudi perceber todas as suas mais simples características que já estava acostumada a conhecer. Pudi sentir meu coração palpitar da mesma forma que palpitava quando ele estava a 10 cm a ponto de me beijar. Mas ele me parecia bem, parecia feliz, parecia ter superado o erro que eu fui na vida dele. Ele não deve sentir minha falta, ele não deve ouvir as músicas que julgávamos como nossas, como eu ouço, todos os dias antes de dormir. Ele provavelmente as apagou de seu celular, ipod, computador. Deve ter apagado nossas fotos também, nossos vídeos que costumávamos fazer quando estávamos intediados. Deve ter rasgado as cartas que eu dei para ele e os casacos que antes serviam para me proteger do frio, hoje devem servir para cobrir a outra lá. Quem diria né. O “nós” virou “eu e ele”, quer dizer, “ele e ela”  ou quem sabe até deve ter virado um “Eles”. “Que coisa fora do padrão clichê”, você deve estar se perguntando. Mas essa é a real. Acabou, ele superou, por que eu não posso superar ? Me pergunto por que na maioria das vezes, é a menina que sofre, a menina que se machuca.  Talvez seja pelo fato de sermos complicadas demais, de idealizarmos demais, fazemos planos antes mesmo de ter certeza que está sentindo algo. Escolhemos o nome dos nossos filhos sem ao menos sabermos quem será o pai. Mas tudo bem, a gente cai, mas sempre levanta, por mais profunda que tenha de ser a queda. E aqui estou eu, de pé e queixo erguido -aparentemente- virando o rosto de forma delicada para trás, vendo ele se distanciando do outro lado da calçada. Acho que ele não me viu. Talvez tenha sido o melhor, assim ele não percebe a minha cara de saudade ao bater meus olhos nele. Com ela. O que antes era comigo […]

Ontem eu a vi na rua. Do outro lado da calçada, estava usando os mesmos tipos de roupas que eu estava acostumado a ver, não tinha mudado nada. O mesmo short rasgado de sempre, com o all star que não sai do pé. O cabelo, sempre preso numa forma de nó que ela, e apenas ela, conseguia fazer por ser tão grande e liso. O cabelo dela é lindo, sedoso, sempre que o vejo lembro do seu cheiro que me deixava de certa forma mais apaixonado. Se é que isso era possível. Os olhos estavam escondidos por trás da maquiagem, porém ainda pudi ver os seus brilhos. Aqueles olhinhos tão pequenos, que me faziam ir até o céu e voltar. Ela estava sozinha, provavelmente por opção, já que era a garota mais perfeita do planeta. Eu a vi por um milésimo de segundo, e memórias de anos vieram a minha mente. Ela foi meu primeiro amor. Minhas mãos soaram frio quando percebi que aquela garota que eu daria a vida, estava do outro lado da rua. Meu desejo era atravessar e lhe dar aquele abraço demorado, que eu sei que a fazia sentir segura, mas eu não podia. Ela devia estar achando que estava namorando, mal sabia ela que aquela garota de mão dada era minha irmã que voltou da Itália. Foi uma pena eu não conseguir apresentada-la a toda a minha família. Seria um orgulho poder chegar a todos e dizer “Essa é a mulher com quem eu vou casar um dia”. Ela deve ter achado que eu a superei. Que ingênua, mal sabe ela que todos os dias eu ouço as nossas músicas “Oh, I thought the world of you, I thought nothing could go wrong”, mal sabe ela que eu ainda vejo os nossos vídeos. É, eu fui incapaz de apagá-los. Mal sabe ela que durmo com o casaco que ela costumava usar no frio, porque ainda possui o seu perfume. Ela deve estar achando que eu estou bem, que estou feliz. Como poderia ? Se falta um pedaço de mim ? E que esse pedaço que falta está logo ali, do outro lado da rua ? Queria que ela acenasse… Mentira, eu queria que ela saísse correndo e pousasse apenas em meus braços. Mas não, ela apenas andou para frente, lá estava ela, “a mulher que um dia eu iria casar”, se distanciando de mim. Eu queria que ela soubesse que eu ainda a amo. Eu queria que ela soubesse que o “nós” sempre vai existir na nossa história. Eu queria que ela ainda sentisse algo por mim. Mas parece que é tarde demais. Ela se foi.“ 

Paloma M.

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