Oi minha pequena, bom dia - se é que sequer existe um dia agradável sem você. Desde que partistes não tenho a mínima ideia se pensas em mim. Ou se já se esqueceu de todos os momentos que passamos juntos. Clichê, eu sei. Pequena, se um dia você chegar a ler esta carta, saibas que sinto tua falta. As ruas desta cidade perfeita passam por mim despercebidas, como se projetadas em branco e preto. Pequena, você é o brilho, o sol, que meus olhos precisam. És o teu sorriso, tuas bochechas vermelhas e tuas covinhas - que surgem acompanhando o movimento de teus lábios. Tudo em você me encanta. Ou encantava. Saibas que as memórias continuam vivas em mim. Recorda-se, pequena? Recorda-se de quando íamos até a Torre Eiffel, e observávamos lá do alto, bem pertinho do céu, os prédios e as pessoas abaixo de nós. Recorda-se que pensávamos que éramos o casal mais apaixonado e feliz que poderia existir. Pequena, você costumava chamar-me de bobo por ficar tão sem graça perto de ti, mas era apenas por medo de perder-te. E agora, percebo que realmente sou bobo, um covarde até, por ter medo de mandar-te esta carta. Mas sei que de nada irá adiantar, você não vai voltar. Tudo mudou de repente, você mudou de repente. E eu nunca soube porquê. Mas caso você volte atrás em tuas decisões, a chave reserva continua no mesmo lugar - sob o tapete em frente à porta de nosso apartamento, nosso aconchego. Eu estarei te esperando, como uma criança que procura entender o que há de tão complicado na humanidade, como uma criança que somente enxerga a bondade e a generosidade. Pequena, tu sabes que sou uma criança. Uma criança que procura a resposta sem nem ao menos saber a pergunta. E que ao mesmo tempo, entende que o ponto final sempre virá depois do Eu e Você.
Daquele que nunca deixou de acreditar em um “nós”.Ps: Eu te amo, pequena. Amo tanto que até chega a doer.
Paloma M.

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