sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


O relógio marcava 00:00. O telefone tocou, era ele.
Ela titubeou ao atender, será que deveria? Nada mais fazia sentido, depois de tantas decepções e dúvidas, ela tomou coragem, e atendeu. Quem sabe o que ele tinha a dizer era algo bom, realmente bom.
— Alô?
— É, oi…
Ela sorriu ao ouvir a voz daquele que um dia lhe fizera amar novamente, e sofrer.
— Olá.
— Bom, eu sei que já é tarde, eu sei que depois de tudo… — depois de todas as lágrimas que ele a fizera derramar. — eu não deveria ligar pra você, não é certo, eu sei. Mas… é que eu sinto falta das tardes em que nós dois ríamos das idiotices do outro, das noites em que eu deitava a cabeça no seu colo, enquanto você fazia carinho no meu cabelo. Se lembra? Você dizia que ele era macio, tão macio quando seda… e eu ria. Bons tempos, não é mesmo? Eu sinto falta dos nossos beijos, abraços, de tudo aquilo que um dia, você disse que a fazia feliz. Eu sinto falta de você, mais do que tudo. Eu ainda te amo…
— […] — do outro lado da linha, o silêncio era absoluto. Pode-se ouvir apenas o choro baixinho que ela tentava esconder, é, ainda doía, e muito. — Bom, é só isso que você queria dizer? Se é só, já disse. Passar bem. — ela desligou o telefone. Ele esperava ao menos um “eu também sinto sua falta”, mas nem isso ela foi capaz de dizer, ela não podia. Não podia se entregar novamente. Ela ainda tinha medo de se machucar, de sofrer. Mas ela ainda o amava, e muito… Ela ainda precisava de sua presença, dos seus abraços, do seu carinho.
Limpou as lágrimas, e caminhou até seu quarto. “Isso é passado, e eu tenho que me conformar…” Ela tentou esconder tudo que ainda sentia, e daquele dia em diante, passou a ser fria. A cada “tudo bem?” ela apenas assentia e sorria. Era o máximo que ela conseguia fazer, era tudo que a vida havia lhe deixado. Dor, e um amor fracassado.

Paloma M.

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