quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Então chamei de amor.

Ontem eu escrevi um puta conto de amor. Um puta conto de um amor do caralho. Aquele amor que é amor mesmo. Que é tão e tanto que chega a ser até o contrário. Aquele amor que você quer tanto ter por tudo que nada serve pra satisfazer a vontade. Aquele amor que te faz querer pular do alto. E enfiar a cabeça na privada, dar uma série de pancadas com a tampa, pra ver se acorda. Eu acreditei tanto nesse amor que eu tive - que escrever - que, hoje, acordei apalpando a cama pra ver se a encontrava ao lado. Respirei fundo e me enchi de mundo pra ver se aguentava: ela não tava ali. Lembrei que quando a escrevi me despedi dela. Gritei bem alto pra ver se ela me escutava e voltava. Vai ver era só isso. Eu pisei na bola. Tropecei, caí com as costas na calçada e fiquei três minutos sem ar. Quase morri, mas nem isso. Nem isso e nem ela. E qual era o seu nome? Não sabia. Mas chamei mesmo assim. Não sabia. Nem sei, mas amor deve servir. Chamei por amor, disse vem. E o amor nada. Mas como eu disse ontem, amor deve ser mesmo isso. Deve ser mesmo ir. Comprar a primeira passagem que aparecer na tela e despachar o corpo pra qualquer lugar no globo. Amor é comprar a ida e esquecer que existe a volta. Amor é a única coisa que não cabe naquele provérbio - é isso?: tudo que vai, volta. Amor não. Amor só vai. É só ida. E assim, se engana quem não percebe que amor nunca pertence a quem ama. Pensei agora no Caio F. - ainda não é nem final de semana e eu já com metade do corpo enfiado na lama. Aquilo, de jogar pro alto, se não voltar é porque nunca foi seu, sabe? É isso! Amor não tem dono. É terreno sem posse. Localizado de frente pro mar e de costas pro inferno. Que triste. O amor é profundamente triste. Mas é profundo, primeiro. Então até parece bonito. Chove lá fora e eu sei que ela não existe. A gente inventa quem a gente ama. Porque a realidade não é suficientemente amável. A gente pega um corpo, e tira toda a roupa e se coloca em cima dele pra ver como fica. A gente veste quem a gente ama da gente. Se você ficar bem comigo, a gente casa. Caso contrário, tem um bar muito bonito em alguma esquina, com um banheiro decente e batata frita. Ontem eu sonhei com ela. Depois que a escrevi e tentei com as mãos alcançar as pernas dela, mas nem as pernas e nem ela estavam ali. Dizem que a gente adoece quando ama algo que não existe. Mas amor por si só é uma doença. Então nunca ninguém existe. O amor é só você e seu reflexo no espelho sozinho em casa em um domingo nublado.



- Achado por aí. Paloma,M.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Te amando por quase 275 dias.

Nunca fui de acreditar em "amor à primeira vista". Eu acredito em conversa, risada, compartilhamento de pensamentos, ideias iguais. Acredito nos passeio de mãos dadas, acredito nas despedidas, nos primeiros beijos, primeiros abraços, acredito no primeiro "eu te adoro", no primeiro "Eu te amo". Acredito nas brigas, acredito nos dias e na convivência. Acredito nas flores enviadas e nos filmes assistidos no sofá. 
Lembro-me como se fosse hoje que eu te amei no dia 91; e logo chegará o 365º dias e eu continuo aqui, te amando. Nossa história não foi "amor à primeira vista". Foi amor daqueles reais, aquele amor que se leva tempo para conquistar, e que depois de conquistado, nada pode acabar com isso que construímos e é totalmente nosso.  


Paloma M.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O descrever do teu corpo.

Naquele momento, meu bem, eu amei até suas artérias. Amei seus pulmões e o fato de poder dividir com eles o ar dos meus. Naquele momento eu amei cada póro seu. Cada fita de DNA que formava aqueles teus olhos castanhos tão pequenos. Eu amei até as veias azuladas do seu pulso e o barulho da sua respiração. Te olhei e me peguei amando as pintinhas do seu rosto, naquele momento. E neste. E no próximo. Porque em todos eles sempre encontrarei mais um detalhe para eu amar. A bagunça dos teus cabelos. As pintinhas das costas. Eu amei até seus ossos! Aquele que vai do ombro ao pescoço. O que contorna o tornozelo. A coluna vertebral inteira. Amei as rugas da sua testa quando franziu o cenho. Amei até o seu cerrar de mandíbula! O contraste da tua sobrancelha escura na pele branca. Naquele momento, eu amei cada uma das tuas células. E então eu soube. Não só soube, como tive certeza, e provei aos meus sistemas e anti-corpos, que era ali, perto do seu corpo que eu gostaria de ficar para sempre.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Quando imagino uma vida sem você.

         Hoje é mais uma das noites em que deito minha cabeça no travesseiro e penso como posso me entregar tão completamente à ele, assim, de mão beijada. É entregar tudo, desde os meus defeitos até meus fios de cabelo que ás vezes ficam presos naquela camiseta dele que eu tanto gosto. E aí eu me pergunto - Mas Deus, e se isso tudo um dia termina, como é que eu fico? 
Não consigo mais imaginar minha rotina sem ele. Não consigo imaginar como seria ter uma vida inteira ainda pela frente sem ter aqueles olhos fixados em mim enquanto eu fico envergonhada e pensando no que é que ele está pensando. Alguém por favor me explica como é que tem gente que consegue viver sem quem ama? Não consigo imaginar como seria viver sem aquele abraço, aquele cheiro, aquele corpo entrelaçado ao meu...
Fico imaginando como seria se ele virasse as costas e fosse embora e quando o imagino batendo a porta sem sequer olhar pra trás, sobe um calafrio pelo meu corpo.
Mais uma vez digo que não consigo me imaginar sem ele e Deus queira que fique só na imaginação que nem se concretiza.



sábado, 6 de setembro de 2014

Crônica da Despedida.

Terminou.
E você, como sempre, estava certo: tudo termina. Às vezes de um jeito rápido, como um estalar de dedos. Noutras, como agora, tudo parece se arrastar em câmera lenta, um filme noir que não tem pressa para chegar ao fim.
Hei de aproveitar cada instante dessa dor, desse pesar, desse emaranhado de lembranças porque sei que, em breve, tudo deixará de ser. Teu cheiro irá embora apenas para me assombrar quando surgir em outros corpos. Teu gosto fugirá dos meus lábios e, um dia, será como se nunca tivéssemos trocado um beijo. Tua voz, minha música favorita, será silêncio absoluto.
O sono foge pela janela cada vez que, ao deitar, minhas pernas tentam se confundir com as tuas e só encontram o lençol gelado. A cama deixou de me servir: antes parecia pequena demais para nós dois, agora não cabe mais no quarto – assim como a saudade não cabe mais em mim. Entre dormir e não dormir evito acender as luzes: fazer isso seria te reconhecer em cada canto desse lugar que já foi tanto teu quanto meu.
Não quero de volta nenhum dos presentes que te dei. Se puder, porém, gostaria de voltar a ouvir aquele disco do Vinicius sem reconhecer teu sorriso em cada música. Seria menos triste, também, lembrar de Buenos Aires sem ouvir tua voz arranhando o pior (porém mais sensual) espanhol que tenho lembrança. 
Esses dias vazios serão preenchidos tentando responder a pergunta que nós dois ouviremos muitas vezes: por que acabou? A resposta é óbvia, mas não me aquieta: porque, como você mesmo já falou, as coisas acabam. Às vezes parece que nós – e todos nossos amigos – já esperavam isso. Outras vezes não vejo nenhuma razão, nenhum porquê, e isso me faz pensar que a vida é essa incoerência sem fim, mesmo: acabou por mil motivos e por nenhum. Acabou porque era para acabar.
Ainda assim, não irei bradar que “deu errado”. Nós demos certo, e muito certo. Fosse o contrário, não doeria, sequer deixaria as marcas que deixou. Demos certo até que, de repente, chegou ao fim. Aceitar isso é diminuir a duração desse luto – porque, felizmente, ele também tem hora para acabar.
Agora vai e ama. Afunde-se noutras paixões, noutras histórias. Escreva dezenas de outros capítulos na vida das pessoas sortudas que irão conhecê-lo. Um dia, quando a tinta secar e as cicatrizes se fecharem, voltarei algumas páginas para relembrar todas as linhas que escrevemos juntos. Se tudo correr bem, será como reler um livro querido, guardado há algum tempo no fundo da estante. Eu te amei à primeira vista – e continuarei amando, até minha vista deixar de te ver.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Perder alguém é não ter ninguém.

Todo mundo já teve (e se não teve, terá) uma paixão avassaladora. Aquela pessoa que aparece na sua vida e, de repente, parece ter sido feita para você. O ar fica rarefeito perto dela, é difícil pensar e, às vezes, formar uma frase completa parece uma tarefa exaustiva. É uma questão de tempo (pouco, em certas situações) para que tudo comece a girar em torno dela. Você começa a ouvir as mesmas bandas, assistir os mesmos filmes e frequentar os mesmos lugares.
Demora, mas vocês começam a namorar – e, sem aviso prévio, a felicidade imensurável que todo relacionamento traz vem acompanhada de uma carga gigantesca de insegurança: vai dar certo? Esse é o tipo de pergunta que, se repetida à exaustão, fabrica a própria resposta. Não, não vai dar certo.
E a culpa é sua.
Fomos ensinados, pela cultura pop – de Romeu e Julieta aos filmes românticos ruins dos anos 80 e 90 – que o amor só bate uma vez à nossa porta. Que ele acontece à primeira vista e precisa ser hiperbólico, exagerado, de tirar o fôlego. Mais que ilusão, é uma visão egoísta de amor: acreditar que certa pessoa nasceu para você é assumir um sentimento de posse, excluindo a individualidade alheia.
Essa verve de pensamentos fatalmente deságua em um rio de insegurança, obsessão e ciúmes. A dúvida da reciprocidade – saber se a outra pessoa sente “o mesmo”, como se fosse possível medir amor da mesma forma que medimos distâncias ou alturas – traz medo. Antes que seja possível perceber, o estrago está feito: na sua cabeça, a outra pessoa está errada. Com certeza não gosta tanto assim de você e, na verdade, deve fantasiar com os braços de outro alguém toda noite.
Não é exagero. Muitas pessoas perdem o sono imaginando situações desse tipo. Esses pensamentos (e esses sentimentos) são sorrateiros: com uma facilidade assustadora, conseguem tirar toda a calmaria que o amor de outrora havia trazido. Toda a paz que o sorriso da outra pessoa trazia para o peito vira aperto e ciúmes, imaginando se ela está sorrindo assim para outra pessoa – e, se isso não acontece, a insegurança bate à porta: “ela já sorriu assim para outros, antes de mim?”.
O que deveria ser leve fica pesado. O fácil torna-se difícil, o prazer torna-se dor. A pior parte, porém, sofre do outro lado: é ainda mais difícil entender o que está se passando quando nós somos o alvo da obsessão. Os ataques e acusações são repentinos e, ainda que a primeira reação seja relevar, deixar passar, chega uma hora que rotina nenhuma dá conta de aguentar isso. Não há paixão nem amor que resista.
Numa sociedade que glorifica o homem que transa com quem quiser – mas crucifica a mulher que é dona de seu corpo e de suas decisões, é ainda mais fácil encontrar esse tipo de relação. O homem cerca-se de preconceitos e falácias para acusar sua companheira e duvidar de sua fidelidade graças a coisas que ela, um dia, pode ter feito. Esquece, porém, que todos nós temos um passado – e que, diferente do conto de fadas, as pessoas não ficam escondidas do mundo até a hora de entrar em cena.
É normal sentir um pouco de ciúmes – a maioria das pessoas acredita que, em pequenas pitadas, é algo benéfico para um namoro – e ter insegurança de vez em quando é tão normal quanto ter preguiça de sair da cama às sete da manhã (desconfie de pessoas seguras demais e daquelas que amam acordar cedo). O problema é confundir paixão com obsessão e acabar com uma linda história de amor (da vida real, escrita com suor, companheirismo e confiança) antes mesmo dela chegar à página dois. Prender alguém é não ter ninguém, e é muito chato ler um livro com apenas um personagem – especialmente se for um protagonista ranzinza.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Versos - 2010







Em um fim de tarde eu faço um café e sento naquela velha mesa.
Ligo o rádio sempre na mesma sintonia e escrevo e reescrevo versos;
Versos meus que são mais teus. 
Versos que você jamais irá ler,
Versos que possuem vestígios teus.
Versos escritos na minha mente,
Versos em branco...


Paloma M.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mil e noventa e cinco dias.

    Quando eu era criança, tinha um ursinho de pelúcia que levava para todos os lados. A gente ia junto pra igreja, pra casa da minha vó, pro banho. Lembro do dia em que o perdi. Chorei demais, procurei em todo canto, e nada. Meu pai chegou pra mim e disse: "vê se te ajeita nessas pernas sem pelo e aprende que homem não chora."
Depois disso, já deve fazer uns três anos que ela foi. E eu ainda não chorei...


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Como é uma pessoa especial para você?

A gente passa anos de nossas vidas esperando por alguém. Por alguém que nos complete, mesmo que na verdade precisemos de alguém que nos transborde. Esperamos alguém que chegue e que fique. Que nos faça sentir paz no interior. Um alguém que seja capaz de permanecer mesmo depois de ver nossos trilhões de defeitos, por que acima disso, dá prioridade para as nossas centésimas qualidades. Esperamos um alguém que seja parecido com nós. Que goste de ver o por-do-sol na praia; de sentir o vento cantarolando nos ouvidos; de correr na praça num dia frio; que goste de silêncio; que goste de fazer baderna quando for a hora; que goste de café; leite com toddy; que goste de ouvir as músicas prediletas em um volume que não dê para ouvir o desespero num dia ruim; que goste de ler; de ficar deitado numa rede; de fazer cafuné; de ser quem é como se não houvesse ninguém por perto. Alguém verdadeiro. Alguém com tantos defeitos como a gente. Mas alguém que não tem medo de ser feliz (...) Por isso dou valor à quem tenho por perto, que chega e que fica. Porque você até pode esperar a vida inteira por alguém muito especial, mas mesmo que a encontre, ela pode estar à espera de outro...

Paloma M.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Crônica pra quando ela voltar..

  Fico atento ao relógio, conto com ele cada segundo que se vai, só que de maneira mais doída. Eu sei que ele não tem coração, pelo menos não igual ao nosso, mas parece sentir tanto quanto eu a ausência dos passos dela pela casa.
Quando ela chegar, vou dizer a verdade. Vou dizer o quanto senti a falta dela. Não me importo em soar cafona, nem um pouco. Ter dignidade é ser sincero e encarar as consequências, sejam elas quais forem. Contarei pra ela da minha saudade, não a comum, mas da saudade nua, sem carência de vestido ou calcinha. Vou lhe espalhar beijos pela nuca, envolver o seu corpo no abraço mais aconchegante que eu conseguir, sussurrando em seu ouvido o meu desejo por um mundo feito somente do abraço dela.
Quando ela chegar, atenderei a porta com flores nas mãos e direi: “pode entrar, fique à vontade e não precisa tirar os sapatos – só o vestido”. Depois, um tango torto. Pernas entrelaçadas em um passo de improviso e um sorriso no rosto. No rádio, uma canção escolhida a dedo; na mesa, o chá que ela tanto gosta, perfumando a casa com cheiro de saudade.
As mazelas do mundo não importam. Não nesse momento. Não agora que senti o peso de como seria uma vida sem ela, sem a mão dela sobre o meu peito todo dia de manhã ao acordar, sem aquela risada gostosa de quem leva a vida como um poema escrito à máquina. Tudo o que eu quero agora é uma dança lenta, sentir os dedos de camomila dela passeando em meus cabelos, acalmando cada centímetro do meu ser e dando paz e mansidão ao que antes era só tempestade.
Não quero discutir o que já foi, nem ter um ataque de ciúmes perguntando sobre cada detalhe dos passos que ela deu enquanto não estava aqui. Eu prefiro as rendas, as unhas, as mordidas e a fome viva na carne… A santidade pode esperar.
Eu prefiro estar coberto de beijos do que de razão.
Jocê Rodrigues 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Solidão soa aos meus ouvidos.

    Hoje ao voltar para casa, depois de quarenta anos, peguei-me pensando na época em que eu era nova; tinha um corpo bonito, uma carreira estável e haviam vários homens morrendo de amores por mim. Eu passava o dia todo trancafiada em uma sala de escritório, com pessoas vazias que só sabiam olhar pro próprio umbigo. Assim como eu, admito. Do serviço pra casa. Era o único caminho que eu sabia fazer. Chegava em casa e me trancava no quarto, colocava alguma música na vitrola e ficava cantarolando. Antes de dormir pegava algum dos livros de autores preferidos meu, como Álvares de Azevedo, Castro Alves ou até mesmo Machado de Assis. Achava que minha vida era um mar de rosas. Nunca me permite amar alguém. Todos os poucos homens com quem me relacionei nunca duravam mais do que algumas semanas ou algumas horas. Eu sempre terminava com tudo antes do dia amanhecer. E sempre saia com o coração tranquilo. Sem apego, era quase um lema pra mim. Mas, olhando depois de quarenta anos, eu vejo o tanto que perdi. Hoje minha carreira se resume a ser boa na cozinha, meu corpo já não aguenta mais a rotina que eu tinha, está desgastado. Não há mais nenhum sexo oposto morrendo de amores por mim, a não ser os meus dois cachorros que sempre abanam o rabo quando volto do mercado. Sentei-me na poltrona ao lado do rádio que ainda tocava a rádio que eu costumava ouvir. E foi assim que eu terminei. Sentada. Ouvindo a solidão me dizer que era tudo culpa minha... 

Paloma M.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Outubro Lugar.

    Então eu acordo ás 02 da madrugada por que sua imagem não sai da minha cabeça. Eu puxo meu cabelo com as duas mãos gritando comigo mesma por ser tão idiota em sempre acreditar em algo que eu sei que não vai dar certo. Quem sustenta essas esperanças? Deve ser aquele maldito café que eu tenho mania de tomar sempre ás 22 horas mesmo sabendo que ele vai me dar uma insônia terrível. Vicio. Sou viciada em você como sou viciada em café, mesmo sabendo que os dois sempre me farão mal.
Lembro que o peso do começo de Setembro não me deixava dormir, talvez porque as luzes piscavam rápido demais ou talvez porque teus olhos estivessem sempre gravados atrás dos meus e incendiassem minha cabeça. Setembro me fez querer desaparecer, só pra poder aparecer em outubro lugar... Metáfora? Sei lá.. 10 de Outubro, mas ainda me parece ser Setembro...



Paloma M.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Você é o meu livro predileto.


  

          As pessoas sempre procuram a forma mais perfeita possível de começar algo. Sempre esperam aqueles fantasiosos fatos Hollywoodianos para um começo. Algo que por vezes – muitas delas – acabam as frustrando com a imperfeição da realidade. E isso me faz pensar no que aconteceu nesse tempo. Foi Certo? Errado? Bom, foi bom e isso que importa. E sempre será. O futuro é incerto, diria eu, um cético quanto a fatos aleatórios como o destino. Mas não minto que torço sempre pra que se ele de fato existir, que esteja em algum lugar olhando por nós. Trilhando um caminho paralelo para nós dois, duas retas paralelas que se unem nesse horizonte infinito e por ele segue até a um ponto em que os olhos não mais alcançam. E o que tem depois desse ponto a gente vai descobrir quando chegar la. Hoje eu procuro pensar no “agora”. O que vai ser depois deixa pra la, que depois a gente pensa. Uma coisa de cada vez. Se eu for procurar em meus arquivos, encontrarei algo como “as coisas acontecem quando e como elas têm que acontecer”, pois bem. Não quero atropelar o tempo, nem adiantar algo que tem um espaço de tempo estabelecido para acontecer. Felicidade. E sei que eu gostaria de ter conhecido-a antes, mas antes... bom, o antes já passou e estamos no agora, que em um tempo curto fará parte do antes e não será mais tão tangível assim. O que eu sei é que eu quero o “aqui” e “agora”. E sei que nem tudo é como eu quero. Mas não me entristeço pois sei que a cada grão de areia que cai de um lado para o outro da ampulheta é como o sentimento que guardo por ti que só aumenta, enquanto do outro lado não acaba, pois Amor é infinito e duradouro pelo o que eu me lembro e pelo o que você me faz lembrar. E me lembro tão bem quanto o frio da barriga que me consumiu logo quando dei por mim que você estava ali. E eu te vi. Você não era só mais um na multidão. Não, não mesmo. Ao menos para mim, não. A sensação não foi comum, eu confesso, mas foi boa e apesar de indescritível, eu posso te dizer que foi como se eu quisesse ficar parada ali te olhando por horas e horas. Quando então eu pude conversar melhor e tocar você.. Ali eu acreditei que você fosse real e o único receio que tive foi o de estar sonhando e aquelas pessoas fazerem um barulho que me acordasse e acabasse com tudo aquilo. Bom, se fosse uma fantasia, que fosse eterna pelo menos. “- Se acordasse em um sonho de que não pudesse acordar como distinguiria o real do sonho?” bom, seria então a minha realidade, pra sempre e pra sempre e pra sempre. E sabe, eu me acostumaria e assinaria o contrato vitalício da felicidade com você do meu lado. E poxa, eu tenho tanto, mas tanto pra aprender sobre você. Egoistamente me vi como uma criança sedenta por sabedoria que ganha um dicionário e o tenta compreender do começo ao fim. Começando com o prefácio e sem pressa de chegar ao ultimo verbete daquele livro. Para ele, seriam suas férias. E pra mim também. Então te quero aqui para que página à página eu possa te ler, te entender e te decorar em mim. “- Se eu pudesse, eu ficaria te beijando o dia inteiro” e decoraria os traços do seu rosto com o simples toque dos lábios. Sem pressa. Você seria minha enciclopédia e eu a leitora fiel, que vinte e quatro horas por dia dedicar-se-ia à ler e reler mais devagar caso chegasse ao fim muito cedo. Pelo livro, ele não sentiria curiosidade... seria amor mesmo, não aquele de Hollywood, mas esse que há aqui. Entre nós. Para sempre.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Você sempre foi dono dos meus textos de amor..



      
Passei a vida construindo uma imagem de mim que, na verdade, acorrentava e escondia quem eu era. Fugi de qualquer sentimento que pudesse me derrubar, mas o amor encontra você. Tive tanto medo do frio do mundo, que me escondi no calor do meu coração sufocado e sobrevivi durante anos. Por um segundo achei que era feliz, mas quem é? Então o amor me encontrou, e ele era lindo. Ele era aquela coisa tão radiante que de repente, eu não conseguia ser mal humorada e ranzinza, como eu era com o resto do mundo. E foi especial. Invadiu o meu coração e cada pedaço da minha alma. Se dispôs a conhecer cada canto obscuro, e sorriu pra mim. Me ensinou a viver, e me mostrou o prazer de ser plural, e o prazer de saber ser um só –junto com você-. Pegou na minha mão e dançou comigo, me fez flutuar a cada passo e me tirou o chão. Meu coração e o teu dançaram, e a cada passo este amor cresce. Tal dança me deu asas e foi embora como quem diz “aprende a voar”. Fiquei feito criança chorando com o brinquedo na mão porque não consegue fazer o brinquedo funcionar. Sofri tanto porque queria ter dito à ti:
- “Você não sabe que meu coração era um vidrinho vagabundo da 25 de março?”
Era, porque caiu, quebrou, estilhaçou e virou pó, e tudo o que eu pude fazer foi juntar as sobras e me virar com elas. Você voltou, me fez tua como de fato fui e serei, porque não consigo ser singular.
Quando estivermos mais velhos, eu quero olhar pra ti e dizer, sussurrando sem que você escute: “Passei todos os anos escrevendo para a mesma pessoa. E que a gente possa se conhecer de novo, todos os dias. E se apaixonar de novo a cada segundo que o compõe.” 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A felicidade é você;

       


                                  Eu, primeiramente, queria entender essa necessidade que tenho de só conseguir escrever quando estou triste. A meu ver, escrever quando se está feliz deveria ser mais fácil, não? Não! Hoje eu entendi porque só consigo escrever quando estou triste. Na tristeza nós encontramos palavras difíceis para descrever o que estamos sentindo,logo embelezamos o texto e nos cativamos por ele. Por trás do choro, há sempre uma beleza eternizada e obscura em cada lágrimas que cai do rosto, ninguém sabe o motivo real de se estar chorando. Agora, quando feliz. Porque se chora? Chora-se de felicidade e ponto. Não existem argumentos, não tem o que procurar saber. 
                                    Hoje – como todos os outros dias – acordei lembrando que te amava. Logo em seguida me brotou um sorriso no rosto. Lembrar da pessoa maravilhosa que és, e de todo o pouco que já tens feito por mim quando se compara ao tempo em que te quero ter por perto, me fez pensar no por que de não conseguir escrever sobre você e que logo seria sobre a felicidade porque você e felicidade para mim são sinônimas. 
Eu vejo beleza na tristeza e por isso escrevo-a nesses papéis amassados em cima da escrivaninha. Ah, mas quando penso na felicidade... Nenhuma palavra sai, ou quase nada, porque a felicidade verdadeira é algo que eu nunca tinha experimentado antes e é difícil escrever sobre algo que lhe faz tão bem, porque mesmo com todas as palavras existentes, sempre lhe faltará um turbilhão para conseguir descrever o que ela significa verdadeiramente..


Paloma M.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Fingindo um romance


Eu não sentia esse desprezo todo por você, como você pensa. Mas a partir de uma época, não sei exatamente, comecei a sentir um desprezo enorme de nós dois, como um casal. Eu amava você, mas rejeitava o esquema "nós". Você sabe, casais felizes vivem ou de projeções ou de mentiras mútuas ou de condescendências, e não tínhamos uma coisa nem outra. Passei muito tempo sonhando com aquele cara que me apaixonei em princípio, e não enxerguei que estava convivendo com um protótipo, um fantasma, um resquício seu. Eu tinha uma ideia de amor não baseada na nossa realidade, e talvez tenha sido esse meu pecado. O seu foi apenas não me acompanhar, ter descido os pés no chão pouco após zarpar da viagem, não sei se me entende. O caso é que passei tempos sendo generosa contigo. Generosa com os dias que você sufocava qualquer manifestação de romance, generosa nas vezes que comentava do seu trabalho sem prazer nenhum, generosa quando você esquecia de bolar algo novo para me tocar, generosa com suas décimas ligações no mesmo dia, generosa te sugerindo formas de fazer as pazes comigo depois de alguma intempestividade, generosa com as vezes que você vinha da rua me trazendo nada, generosa com sua amargura. Eu consertava tudo, e você só sabia deixar o mundo de ponta-cabeça. Então decidi que chegara a hora de atroz. Demorei, mas descobri que podia ser cruel, muito cruel. Simplesmente me vi exausta de tentar camuflar minhas expectativas. Ao mesmo tempo que odiei nós, desenvolvi um amor oceânico por todas essas emoções e sentimentos que nunca imagineiro que poderia ter de volta. Me apeguei a isso. E foi aí que tudo que você achava saber sobre mim tropeçou e caiu feio. Uma vez ameacei ir embora e tudo que você foi capaz de me dizer foi um "Pode ir!" cheio de desprezo. E quer saber? Eu fui. O que eu queria? Apenas converter aquele "Pode ir!" idiota,sabe? Eu testei você, e você caiu, trouxa. Medroso, convarde, não foi homem pra me procurar. Vai ver é por isso que resolvi tomar a iniciativa, como sempre. Para ao menos fingir que tivemos uma despedida.