sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sou feliz por esquecer.



Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo.

Tati Fucking.

sábado, 1 de dezembro de 2012

É só saudade.







Odeio assistir séries e novelas com muito romance, muito casalzinho de mimimi. Odeio ouvir músicas que falam de amor, gente apaixonada e blablabla. E odeio até os próprios casais que andam de mãos dadas na rua, que trocam sms e tiram print pra postar no facebook. Casais que tiram 1001 fotos juntos, que saem todo final de semana e vivem se chamando de mô. É mô pra lá, é mô pra cá. Droga. E não, isso não é inveja. Não sou de invejar a felicidade de ninguém. O problema é que eu sinto falta sabe.. Falta de uma mão pra segurar, de lábios para beijar, de ombros para chorar. Sinto falta de “eu te amo”, falta de “eu senti a sua falta.” Sinto falta de mensagens no meio da madrugada, ou uma ligação no início da manhã me desejando bom dia. Sinto falta de alguém ao meu lado. Apenas sinto falta.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pequenas memórias em branco.




E eu tenho muito medo. Medo que você deixe de ser o garoto por quem eu escrevo milhares de cartas, milhares de frases, milhares de versos [...] E se torne apenas aquele garoto que a única coisa que eu poderei escrever, são estes.. Estes pequenos e brancos versos vazios...
Paloma M.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Gostar de uma parede,ou de uma pedra.


Quer dizer, gostar de você não é fácil. É como gostar de uma parede, ou de uma pedra. Na verdade, seria mais fácil gostar delas. Não que você seja sem emoção ou sem coração. Mas eu sei que você e eu não prestamos juntos. Veja, eu não sei nem usar um termo “nós”. Porque pra ser sincera, nunca existiu nada demais entre a gente. E ainda assim, sempre que você vai embora, é como se tudo tivesse acabado. Mas o que acabou? Como eu posso sentir que tudo que a gente tinha se perdeu, se a gente nunca teve nada? O que a gente sente não é amor. É anti-amor. É anti-amor por nada. Porque não adianta eu sentir que acabou, se não existe nada pra acabar. Você é uma porcaria, literalmente. Daquelas que a mãe da gente diz que dão cárie.  Suas escolhas são ruins, seus pensamentos são horríveis e suas atitudes são todas erradas. Você não tem rumo certo. E deve ser por isso que eu morro de medo de andar atrás de você. De tentar acompanhar o que eu sei que não tem caminho. Eu nem sei se você sente o mesmo medo que eu. Eu não sei nada sobre o que você sente. Mas tenho medo de perguntar, porque você sempre me surpreendeu. E eu sempre odiei surpresas. É claro que você pode sentir o mesmo. Ou até mais. Mas eu conheço bem você. E sei que você se esconde quando a coisa fica feia. E olha bem pra gente. Olha bem pra droga que a gente é. Com toda a certeza do mundo, você se esconde atrás da parede. E se esconderia atrás da pedra, se coubesse. E a propósito, tenho que excluir a parede e a pedra da minha lista de “posso gostar sem me preocupar”. Que saco, você me rouba tudo. Já não bastava me roubar e agora rouba tudo que eu penso? Tô esperando você me devolver, ou dar um jeito nisso. Porque eu cogitei a hipótese de gostar de uma pedra. Tá vendo como você é mesmo dos piores? E eu sei que sou a pessoa mais retardada do mundo por ainda não ter ido embora. Mas é que você é tão ruim, que até te deixar é complicado.

Paloma M.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

E eu não digo, mas você sabe.

E eu não digo,mas você sabe. Ou pelo menos deveria saber. Somos mesmo aquele casal estranho, complicado. Você é independente e é marrento; se acha o Jhony Bravo e tem a auto-estima lá em cima. Eu sou independente e sou marrenta também, só pra chamar sua atenção e ver aquela cara de "Você é tão fresquinha, que vontade de te dar umas palmadas" que você faz e logo em seguida aparece aquele sorriso. Esse mesmo, aquele que você faz quando sabe que no fundo, no fundo é tudo de brincadeira o quê eu faço.
Somos aquele tipo de casal que ao mesmo tempo que precisamos urgentemente um do outro, sabemos nos virar sozinho. Difícilmente desmarcamos algo, mas cada segundo que possamos passar um ao lado do outro já é o suficiente para valer o dia.
E é por isso que continuamos aí, quase fazendo dois meses. Dois grandiosos meses que mais parecem anos. E eu já me acostumei tanto com você que quando não te vejo bate uma dorzinha aqui dentro. E não sei muito bem o quê é, deve lá ser saudade.. Sempre dizem que essa danada machuca e murcha a gente. E é bem assim que eu fico quando não te vejo.
E a gente não diz, mas sabemos. Sabemos que precisamos cada dia mais um do outro. Sabemos que um sem o outro, a gente se perde, se perde no meio dessa caminhada, que no começo desenhamos juntos. Sabemos que um sem o outro, não da certo. A gente se encaixa tão bem e eu acho que seja difícil encontrar uma peça mais perfeita que você.
E eu não digo, mas você sabe. Aliás, as coisas que menos falamos, normalmente são as que mais passam pela nossa mente.

ETA.

 Paloma M.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Há tempos que te espero.


Os vizinhos se limitaram há algumas semanas atrás de me cumprimentar apenas para depositar olhares de piedades em cima de mim quando me vêem inerte perto da janela sentada na mesma cadeira que há tempos eu te espero e imagino você entrando por aquele portão e me dizendo que dessa vez vai ficar pra sempre. Mas você não vem amor, e por isso eu tenho me sentido muitíssimo só.
Acordo cedo todos os dias, abro as janelas e contemplo as fagulhas de sol entrando aos poucos, iluminando toda a casa. Coloco uma Bossa Nova na vitrola e vejo ela dançando com o vento, preenchendo esses cômodos enquanto vou vestindo o meu melhor sorriso e dizendo a mim mesma que hoje você virá. (...) Coloco as suas prímulas preferidas cor-de-fim-de-tarde em cima da mesa do jardim e vou à cozinha preparar o café. Amargo e forte, do jeito que sempre me pedia enquanto estava por aqui. E te espero amor, no meio dos meus livros rabiscados de anotações, das minha manias loucas, do cheiro de manhã que ainda não se fez por completo, dos meus medos bobos e infantis de não ser o suficiente, das minhas confusões diárias e a minha esperança de te ver chegar e ,enfim, ficar. Mas você não vem. Dou um gole no café e penso em te ligar, mas o telefone já não dá mais sinal. Sinto vontade de me levantar e ir sentar na sala, ligar a televisão e ver qualquer coisa na tentativa de não reparar que de hora em hora os ponteiros do relógios parecem avançar cinco minutos, mas essas histórias televisionadas já não me ocupam mais. Vou até o quintal e pego o jornal na esperança de ler alguma notícia, mesmo que pequena num canto de página qualquer, com um sinal de que você está vindo. Mas os jornais são todos preenchidos pelo caos de um terceiro mundo que há tempos desconheço, portanto, permaneço aqui a te esperar. Mesmo que isso implique em aceitar os olhares de piedades que foram me dados e os que virão, distribuídos por pessoas que não sabem o prazer de ter um alguém, mesmo que longe, que vá tirar toda a solidão que existe dentro da gente. Te espero, amor, mesmo que não venha hoje e talvez também não venha amanhã e tampouco daqui há um mês. Mas te espero, porque sei que um dia, no meio dessa fumaça vaga que sai da minha xícara de café para se dissipar com o vento vindo de um céu pintado por nós com tintas aquarelas, você vai aparecer. Te espero porque eu necessito do olhar terno, do abraço quente e do cessar do vazio, assim como o poeta precisa do amor - ou da ilusão dele - para existir. E permaneço turva, lenta, dispersa, desfigurada, dilacerada, cansada e de esperanças acesas, a espera de você, que nunca vem.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo; Aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando tristezas, desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um novo mundo. É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos e ilumina o corredor por onde passo todos os dias. Então Deus, por favor, guarda ele pra mim? Se for para o meu bem e se for da tua vontade, conspira a favor da gente. Faz nossos caminhos se cruzarem, nossas mãos se entrelaçarem, nossas conversas se encaixarem, porque desde o primeiro dia que o vi eu decidi que ele seria meu, não sei bem o que eu senti na hora, só sei que foi algo diferente, algo que não pode ser desperdiçado.
(...) Imagino-me vivendo com ele daqui alguns anos. Seria muito engraçado vê-lo acordar com os cabelos bagunçados e com os olhos ainda pequenos por causa da claridade. Imagino como será gostoso ver ele se espreguiçando, enquanto já estou pelo caminho trazendo nosso café-da-manhã. Pão amanteigado, leite e mel. Depois pegaríamos folga dos nossos trabalhos e passaríamos a tarde inteira deitados no sofá assistindo a qualquer seriado/filme que estiver passando na TV. De noite iríamos passear com os cachorros numa praça e tomaríamos sorvete. Voltaríamos exaustos. Mas, não exaustos de amor. Não, isso nunca passaria pela minha cabeça! Sempre iríamos ter sede um do outro. Abraçaríamos-nos e nos beijaríamos embaixo de um luar. Seus olhos brilhariam tanto quanto os meus; E sem sequer uma palavra, saberíamos o quê um gostaria de estar dizendo para o outro: “Com você a minha vida tem mais graça. Obrigada por pintar o meu mundo com tintas aquarelas.”

Paloma M.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Hoje nos rezumimos à isso.


Agora somos só nós dois, tu não precisas fingir que está tudo bem porque eu sei e até você sabes que não está. Vamos parar de mentir para nós mesmos e admitir que já não se é como era antes, que tudo mudou [...] E como mudou; Acho que de tanta frieza entre nós, acabamos esfriando nosso amor também. E não é culpa somente minha, ou somente tua. Antes, ao me ver tu se alegravas tanto. Sentia até um brilho diferente no teu olhar e foi isso o que me matou aos poucos. Tua frieza me congelou, me fez virar esta pedra que sou hoje. Mas não lhe culpo totalmente, eu também não me esforcei. Eu podia ter insistido mais, ter lutado mais por você, por nós. Mas não. Só fiquei observando e vendo no que ia dar, e não deu em nada, ou melhor, deu sim… Deu no nosso fim, deu nisso que somos hoje. E tu sabes, eu sei. O que somos hoje se resume à isso, à absolutamente nada. [...]

Paloma M.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O amor verdadeiro.


O amor verdadeiro nunca morre. Se a gente não cuida, ele se acomoda. E se acomodando, parece que não existe; Nos faz parar de sentir. Mesmo que na verdade ele continue lá, naquele mesmo canto. Naquele confortável e quente lado esquerdo do peito.
Esse é amor de verdade. Não é porquê você não fala mais "Eu te amo", que ele não exista mais. Basta ter certeza que você irá sentir falta se a pessoa sair pela porta à fora.
Você sentiria falta da companhia dela? Das piadas, do cabelo, do perfume,do abraço, do beijo, do aconchego e até mesmo das brigas?. O amor é isso. O amor é vivo até o presente momento em que você sente falta de qualquer detalhe que seja. E se um dia a pessoa sumir da sua vida e você não sentir falta nem da voz dela... Sinto muito, mas não foi o amor que bateu na sua porta.
Porquê amar é isso. Amar é sentir falta dos pequenos detalhes. É lembrar dos momentos e de todas as coisas.. São lembranças doces que vale á pena relembra-lás.

Paloma M.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

— Eu não sei dizer, você sabe.


Ela não parava de falar e eu só queria fugir daquele assunto. Ela estava debruçada sobre meu peito e me deixando praticamente preso à ela. Não ousava me mexer e acariciava sua costas tentando acalma-la.  "Você nunca disse que me amava" ela disse colocando a cabeça em meu ombro. É a única garota que conheço que gosta de discutir abraçada. Brigava e me beijava, tudo ao mesmo tempo. " Eu já provei que te amo." " Você nunca disse. Em voz alta, sabe? " " Eu não sei dizer essas coisa, você sabe. Eu provo que te amo quando fico do seu lado, tipo agora. Não reclamo quando você age como minha mãe e diz as mesma coisa durante horas. Te levo para sair quando mesmo quando quero ficar em casa e sozinho. E porra, eu gosto de você. Quando eu falo que gosto é porquê eu amo. Acordo todos os dias do seu lado, te vejo de cabelo lá em cima e de roupas nem tão bonitas. Dou a cara pra você bater e conto até dez para não sair por aquela porta e te deixar falando sozinha. E sabe pra quê tudo isso? Porquê sou um otário. Se eu fosse aquele cara que pisa, você acreditaria em mim. Se eu mentisse você não duvidaria. ". A essa altura ela já chorava e me arrependi meio segundo depois de tudo que falei. Ela volta e me olha feio. É o fim, pensei. Continuou chorando e murmurando coisas que não faço questão de entender. Mulher ás vezes é engraçada. Quer escutar algo, mas chora quando escuta. Por trás das minhas palavras grosseiras eu só estava tentando dizer á aquela garota o quando eu a amava. Mas ela não entendeu. Mulher gosta de escutar que é amada, e as vezes só provar não é necessário, tem que dizer. Só flores não resolvem, tem que ter um pedido de desculpas. E amor que é amor tem que ser declarado. É assim que as coisa funcionam para ela. Ela para de chorar e senta no canto da cama, mas não olha pra mim. Me sinto furioso. Ela não dá o braço a torcer, se eu não dizer o que ela quer ouvir vou dormir no sofá durante uma semana. Não posso arriscar. É uma semana sem o beijo dela, sem o cheiro do cabelo dela, sem sexo, sem dormir abraçado. É uma semana sem brigar, oque é uma eternidade. Se eu não conhecesse essa garota diria que ela nunca faria isso. Mas ela faz. Eu não digo que a amo, mas não consigo ficar longe.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Memórias vazias..


É cedo. E eu não sei o por quê de ainda estar acordada. Só sei que não consigo dormir. O sono não vem, e é uma das raras vezes que ele não me acompanha. Estou sozinha. E dói. É que as vezes me bate um desespero; as lágrimas deslizam involuntáriamente pelo meu rosto, sem que eu as possa controlar. E é em momentos assim que me perco em lembranças, pensamentos, sonhos(…) Desejando que fosse uma viagem sem volta. Que pudesse ficar por lá, imaginando momentos bons que nunca acontecerão. Enquanto as coisas ruins ? Bem, elas já passaram (ao menos que eu fique tentando me convencer disso … mesmo que elas continuam passando…) Nesse tempo pessoas vêm e vão, é um ciclo sem fim. E dói, né ? Lembrar de pessoas que não lembram de você. Mesmo aqueles que diziam “para sempre” se foram, como se “para sempre” significasse só “por enquanto”. E acho que significa isso mesmo. Isto é - de fato - ninguem fica para sempre em nossas vidas, sempre tem algo que ás tira de nós. E eu, que já ouvi tanto essas duas palavras, hoje concluo: Para sempre mesmo, só na memória. E por mais que eu saiba disso, não deixo de acreditar que ainda haverá um “para sempre” eterno (…) E essas lembranças, ao mesmo tempo que algumas me torturam, outras me confortam. Algumas apenas entristecem, mas eu gosto de relembrar. Entende ? É como se eu gostasse de sofrer. Sofrer por memórias vazias...

Paloma M.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Poison!


E aí, tenho medo de tudo acabar. A gente não tem nada, eu não tenho nada pra me segurar em você. Mas se eu te perder, corro o risco de me perder. E eu sentiria minha falta. E a sua, talvez. Nada em você é fixo, nada em você é estável. Mas ainda assim, mesmo não tendo nada, você me segura. Você é charmoso, mas é idiota. Você é durão, mas no fundo é fraco. Você não tem nada de admirável. Só a sua cara de pau e o seu senso idiota de humor. Que saco! Eu sempre volto pra você, pra nós. E você erra, você tem medo e você é fraco. Você se nega, você não volta atrás. Você é orgulhoso, você é medroso. Sempre me aponta como se eu fosse covarde, mas você sempre fugiu de mim. De nós. Porque você sempre teve medo de precisar de alguém mais do que você precisa de você. Você sempre teve medo de depender de alguém, porque você sempre fica sem chão quando não tem ninguém. Porque você não sabe ser sozinho, mas também não sabe ser conjunto. Você não se transforma em plural, você só se transforma em poréns. E ainda assim, eu volto pra sua instabilidade. Mesmo sendo absolutamente instável, mesmo não sendo plural. Eu volto pro seu singular. E pra aquele nós que nem sequer existe.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Desistir.


Ei, só vim avisar que estou desistindo, ok? Acho que assim será melhor, com ou sem você, já não importa mais. Venho vivendo em um permanente e inútil sacrifício, apenas mudarei o foco. Prometo esquecer-te. Aprendi a lembrar de ti a todo momento, agora bastará lembrar de te esquecer. Não vai ser difícil, vou tentar lembrar do muito que te dei e do pouco que recebi, vou lembrar dos sorrisos que desejei enquanto as lágrimas tomavam conta de mim, vou lembrar do quanto te amei e o que isso significou pra você. Bom, será assim. Vou sofrer como antes, mas dessa vez terei amor próprio, cuidarei mais do meu "eu".Posso ter sido mais uma pra você, mas sou única pra mim.
Caio Fernando Abreu
Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos… Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. … E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.
Caio Fernando Abreu.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012


Pensei em sumir. Desaparecer. Despistar. Fingir. Só que eu não vou. Vou me esforçar e acreditar que tudo vai ficar bem. A esperança nos mantém vivos, certo? A fé nos faz andar para a frente, certo? Então tá certo. Ficamos combinados dessa forma. Não espere poesia, linhas bem feitas, palavras bonitas. Simplesmente não posso. Agora não. Não sou de ferro. E está doendo.
"Preciso esvaziar-me desse vazio que me preenche a alma."

Paloma Martinez;

quinta-feira, 26 de julho de 2012


Eu já não sei o que sinto, já não sei o que se passa aqui dentro de mim. É um vazio chato, um vazio que causa uma tremenda dor de cabeça. Os textos deixaram de fazer sentido e qualquer frase clichê parece expressar minha vida chata e monótona. São dias diferentes, mas o problema é que são diferentes demais. Uma montanha russa cheia de surpresas.Por um segundo você esta rindo, jogando conversa fora e outra hora você só precisa de uma boa música e alguns segundos de isolamento. Você ri sem motivo e se cala pelo mesmo também, surge aquela dúvida se você esta fugindo de alguém ou se alguém esta fugindo de você. Você sente, sente, sente tanto que se afoga em seus próprios sentimentos. Você retruca com palavras se esquecendo de que palavras são apenas palavras e ainda se embola na hora de dizer que “esta tudo bem”. Acredita mas,desconfia demais, diz que é moleza mas no fundo sabe que não é. Finge estar bem quando não está. Mas pra evitar dramas você se mostra com um sorriso no rosto. Porque você não precisa de ninguém dizendo que isso tudo não passa de um melodrama. Pois de pessoas com opiniões baratas e idiotas já esta cheio a sua volta.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Você sempre acaba voltando (...)

Então você me olha com a cara mais banal do mundo, como quem pensa "Olha só aonde nós chegamos..." E eu te encaro e concluo que tudo isso foi culpa sua. Culpa desse seu jeito de ser inconveniente nas horas erradas, desse seu jeito manso e mandão de implorar que eu te aceite de volta, depois de uma noite de amor, quando de repente acordo pela manhã e ao meu lado vejo somente o travesseiro amasado. Daí eu levanto começando a me arrepender de mais uma vez ter deixado você voltar, de mais uma vez ter acabado com três garrafas de vinho enquanto conversavámos sobre sei lá o quê que na hora era bem interessante pois ainda me lembro das risadas gostosas que soltavámos.. Olho na escrivaninha e vejo um papel meio amassado meio dobrado, com uma letra meio itálica, como que quer mostrar que foi escrita por alguém que saiu ás pressas e que ainda estava com sono.
"Tenho coisas importantes para resolver hoje; Nos vemos mais tarde."
Era assim. Era sempre assim. Você sempre me deixava sozinha e saía correndo para resolver "coisas importantes" que talvez fosse pra você, encontrar uma loira gostosa na próxima esquina ou talvez fechar mais um daqueles seus contrabandos ilegais para vender algumas mixarias e conseguir uma grana á mais no fim do mês. Pra poder bancar mais uma garota de programa quando você não tiver á mim ao seu lado, quando tivermos discutido sobre o seu modo de me tratar como se fosse apenas um brinquedo que você pode usar a hora que você sentir saudade.
Por muitas vezes eu tentei não aceitar você de volta na minha casa,na minha banheira,na minha vida,na minha cama (...) Mas,aí você aparece com essa cara de menino pidão e diz que ficar ao meu lado te faz esquecer as coisas ruins que aconteceram no fim do dia... E te ver comigo me dá uma tremenda paz; por poder pensar que pelo menos uma hora do seu dia foi pensando em mim, e em como te faço falta. Mas, depois me arrependo, porque sei que isso só foi mais um dos seus golpes baixos para ter-me de volta. E é incrível a sua facilidade de conseguir me enganar e me ganhar pela miléssima vez, porque você sempre consegue voltar pra minha casa, pra minha banheira, pra minha vida, pra minha cama. Mesmo quando no fundo eu grito que não!

Kiinha.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

"Você sempre me disse que sua maior mágoa era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa.
Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado.
Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, depois, eu dormir meio chorando porque é impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo.
Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, eu por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado.
Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto mas senti uma coisa linda por dentro do peito.
Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo.
Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça.
Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”.
Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios fazia isso com você mesmo. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo.
Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso.
Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim.
Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você.
Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida cheia de coisas que não são ela. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você deixou eu te olhar, mesmo você não gostando de mim.
E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.

Bem me quer ou mal me quer?


"Ela é perfeita, o passado dela que não é, eu não sei bem o que aconteceu antes, mas o passado dela perturba ela até hoje, e isso atrapalha a vida dela. Mas eu conheci ela melhor do que todo mundo, e sim, ela é perfeita cara. A Paloma é esforçada demais, era uma das coisas que eu mais gostava nela, apesar dela estudar demais e eu não ter tanta atenção assim, enfim...ta vendo que eu não sei o que falar sobre ela? Eu simplesmente amo ela, cada coisa que ela fazia, o carinho, o sorriso(alias não sorriso mais lindo nesse mundos, dsclp), a voz, tudo. Infelizmente não posso mais saber da vida dela, como ela ta agora e tudo mais, mas sei que ela continua sendo uma pessoa incrivel. Ela merece tudo de bom (:" "Ela caiu da escada,aquela anta.. Enfim,foda-se"

Engraçado como em um minuto você consegue ser tão perfeito, aquele cara que toda a menina deseja sabe? Como ás vezes você faz com que eu me arrependa por ter terminado com você. E em questão de segundos você consegue ser um trouxa e me faz dizer 'Graças a Deus,por ter tirado você da minha vida.' Porque você não suporta nem imaginar que tal pessoa pode estar te fazendo 'mal, ou falta' que você já escreve sobre ela como se não se importasse mais, mas se escreve isso por que ainda continua perguntando como foi meu dia, se eu estou bem de saúde? porque continua ali fingindo que te faço falta? Sei que na verdade - eu faço -  mas você não gosta de admitir. Talvez até um tempo atrás eu achasse isso uma bela maneira de se mostrar forte, até queria aprender com você essa maneira. Mas essa vontade hoje passou.. Porque se pra se mostrar forte por fora é deixar a outra pessoa fraca por dentro, eu não quero fazer desse jeito. Pois, prefiro mostrar que fraca estou mas guardo coisas boas de você do que parecer forte para outros e mesmo assim continuar destruída por dentro. E que bela maneira de se mostrar forte não é ? Fingindo que não sente mais nada, que pouco se importa. Mas, claro que só nas redes sociais, por que fora delas, você fica preocupado,você sente falta,você corre atrás tentando saber como cheguei no serviço e o que o médico falou no consultório. Se eu ainda gosto da mesma bebida, se ainda lembro como ficava sem graça com as coisas que você dizia, se ainda guardo suas cartas e se ainda ás leio (..) Se eu ainda consigo lembrar de você quando escuto aquela música daquela sua banda preferida; Mas acontece que essas duas caras me dão ódio,pois eu já não sei em quais delas acreditar, em quais delas devo olhar,se é que devo continuar aqui ás observando (...)

Paloma M.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não se lamente por mim.



Só que aí eu acabei mudando.
E foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também, graças a Deus. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me aconteceram. Às vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina parecida comigo. Tantos sentimentos gritando de bocas caladas e escorrendo de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queira muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter um porquê se lamentar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012



O amor nunca morre de morte natural. Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados. O amor não morre de velhice, em paz.. Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento. O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida. O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. Somos orgulhosos e não temos arrependimentos. O orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos. O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.

'Fabrício Carpinejar

sábado, 9 de junho de 2012

Ultima carta ao meu amor.


Sentei-me a janela e tolos pensamentos começaram a surgir; coisas do tipo ”Será que lembras de mim como lembro de ti?” Então decidi lhe escrever mais uma carta, apenas para saber como anda indo. Como andas? Soube que desde nosso ultimo encontro, andas muito bem. Esta é nossa diferença, você superou completamente, já eu, não paro de pensar em nós. Hoje fiquei o dia todo á lhe esperar, com a esperança de que chegaria como antes, olhando para a porta, fiz até o café do jeitinho que tu gosta. Mas notei que você não iria vir mais, e que tudo já não era como antes. Você superou não é? Você se esqueceu do que tínhamos. O que antes era uma prioridade, agora já não é mais importante. Hoje sintonizei na radio que ouvíamos e a musica tocava da seguinte forma I miss your morning kiss I won’t lie, I’m feeling it you don’t know and I’m missing it” esse trecho me lembrou um pouco de nós, estou sentindo falta do que fazíamos juntos, do beijo de manhã, andar de mãos dadas, abraçar-te. Mas acho que já não sente mais saudades. Deve ter sido tão fácil, me substituir, esqueceu-me rápido. Ouvi dizer que ela lhe faz feliz como ninguém, tu até disse que ela te completa, acho que eu não lhe completava, eu não fui perfeita para você como ela esta sendo. Amigo, tu causou uma confusão em minha vida, mas vai passar, sei que vai, é apenas uma fase, você foi uma fase, e esta na hora de trocar, de desistir. Saiba que lhe amei este tempo todo, nunca me esqueci de você, espero que ela faça com que você seja feliz, da forma como eu não pude fazer, e que as lembranças que fiquem para ela, sejam melhores do que as minhas.Acho que vou ter mesmo que esquecer, seus gostos e desgostos, o toque de seus beijos, seu cheiro doce, a forma como gostava de ser tratado, esquecer que sua fruta favorita é morango, sua banda favorita é panic! at the disco […] Tudo isto terá de ser apagado da minha memoria, aposto que não se lembra mais de mim, ou das coisas das quais eu gosto, então por que devo ocupar tanto espaço de minha mente com você? Admito, sinto sua falta, mas vou fazer como você fez, prometo que esta sera a ultima carta que vou te escrever, vou rasgar todas as fotos, e todas as lembranças serão apagadas. A partir de hoje, farei uma limpeza de ti. Vou te tirar de dentro de mim. Te amei, e continuo amando, mas não por muito tempo. De uma vez por todas lhe digo adeus velho amigo, seja feliz, assim como pretendo ser.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Flashback

– Eu falei que você iria se machucar. – Luiz falou assoprando com calma o ralado no joelho da pequena criança.
– Mas papai... – A pequena menina por sua vez chorava baixo e soluçava, assim sendo impedida de continuar falando.
– Ta tudo bem meu anjo, quando casar sara. – Ele falou rindo já a pegando no colo e saindo do parque.

Flashback off

Limpei meu rosto com brutalidade. Não queria mais que aquelas malditas lágrimas caíssem pelo meu rosto; a imagem do meu pai naquele dia em especial só me machucava mais, como eu sentia sua falta. Como eu queria ele agora comigo.
– Precisa de ajuda moça? Perguntou um moço com lindos olhos verdes olhando em minha direção.
- Não. Somente um café,sem açucar por favor. 
Por mais que minha vida estivesse precisando de algo doce,nunca fui fã de café adoçado. 
Enquanto esperava o meu pedido, me atrevi a olhar mais uma vez aquela carta. A mesma carta que até uns minutos atrás disse que nunca mais iria lê-la novamente...
Meu coração doía a cada palavra lida, meus olhos enxiam com a  falta de sentimento exposto alí...
- Aqui está seu café. Tem certeza que não precisa de mais nada? Perguntou novamente aquele homem,provavelmente preocupado com o meu estado.
Vestido de noiva um tanto quanto rasgado,maquiagem borrada pelas lágrimas que ainda teimavam escorrer pelo meu rosto. Acho que qualquer um se espantaria.
– É engraçado sabe? – Falei deixando as lágrimas continuarem a percorrer meu rosto. – Um dia eu machuquei meu joelho quando criança e meu pai falou que quando eu casasse iria sarar... E hoje eu ia casar. Só que hoje eu não casei. Ao invés de sarar aquela ferida,essa história só me rendeu uma outra ainda mais dolorida que a primeira. – Claro que nada do que eu estava falando pra ele tinha sentido...
O moço não soube muito o que dizer. Então apenas balançou a cabeça negativamente e soltou um 'sinto muito'. E eu apenas dei um meio sorriso forçado e virei o café que desceu rasgando pela minha garganta.
Agora,todos os dias pela manhã tomo café naquela lanchonete. Não pelo homem que me atendeu aquele dia e sim porque era lá onde ele costumava me levar...
Meu joelho já não dói mais e daquele machucado só restou a cicatriz. Eu não precisei casar pra sarar papai. Mas meu coração; esse sim tem uma ferida enorme... Que infelizmente nunca vai cicatrizar.

terça-feira, 22 de maio de 2012


Hoje eu acordei mais cedo que o normal. É final de semana; sábado pra ser mais exata, e todo mundo acorda tarde, mas eu não. Eu não consigo. Tem uma padaria do lado da minha casa, antes dela voltar a funcionar eu dormia como um bebê, até as 3h da tarde. Ou o bebê cresceu ou eles que me atentam demais mesmo. Uns pedreiros que estão trabalhando aqui perto, na construção de uma ponte tomam café lá, às 7h. Isso mesmo, às 7h da manhã. Eu consigo enrolar na cama até às 8h e pouquinho. Me dá agonia ficar deitada olhando pro teto sem ter nada pra fazer. Eu tinha curso de inglês à tarde, e eu sou muito lerda. Minha mãe diz que nunca viu alguém tão lesma quanto eu. Corri pra cozinha e me deparo com o meu tio na varanda, como sempre, fofocando. Falando da minha vida, e essas coisas que os parentes fazem. “É, esses dias eu vi a Mariana lá no terminal de ônibus, estava abraçada com um garoto…” — Mariana sou eu, prazer. Minha mãe me olhou séria, deu um riso meio baixo meio alto. — “É Jorge, já falei pra ela, quem fica com todo mundo acaba sem ninguém!” — Eu que costumo sempre ficar calada, retruquei. “Com todo mundo, com to-do mundo, mãe? Você não escutou o que ele disse? Eu estava abraçada. Eu não estava beijando, nem pegando, alisando ou algo do tipo. Eu estava a-bra-ça-da.!” Virei as costas e empurrei a cadeira em que eu ia me sentar na direção da porta. Ouvi o riso sem graça do meu tio e minha mãe dizendo o quanto eu andava “estressadinha” ultimamente. Desisti do meu pão com presunto e água. É, eu detesto refrigerante, café, suco e esse tipo de coisa. Fui pro banho, a água estava gelada pra caralho, era um dia frio e o chuveiro já não está lá essas coisas. Terminando aquele gelado banho fui pro meu quarto, me arrumei de uma vez e fiz o que eu tinha que fazer, sem atrasos. Tinha me atrasado o mês todo, mais um e talvez eu perdesse a bolsa. Não que minha mãe não tivesse dinheiro pra pagar um curso de inglês, eu é que nunca tive vontade mesmo. Me viro muito bem com meu “i love you”. Mas, como diz minha mãe, burro dado não se olha os dentes. Resolvi fazer o tal curso, e já tenho feito por uns dois meses, senão me engano. Mexi um pouco na internet, sei lá, ultimamente ela tem estado um porre, chata demais mesmo. Nada de novo, mas eu nunca consigo sair dela. Entrei no site do curso e vi que tinha um novo aluno na minha sala. Marcelo Ricardo. Nossa, que nome. Nunca gostei muito desses nomes compostos. Pra menina até vai; Maria Luiza, Anna Laura… Agora, Marcelo Ricardo? Foi uma junção da vontade dos pais ou pura breguice mesmo? Enfim, eu não estava muito anciosa pra conhecer o menino do nome estranho. Na verdade, não tenho estado anciosa pra conhecer ninguém.
Cheguei atrasada, mas não a ponto de levar falta na primeira aula. Sentei, coloquei a mochila na carteira do lado e olhei para o professor chatinho com pinta de padre. Sério, ele usava calça social, uma blusa muito feinha por dentro da calça e um cinto que me parecia ser bem velho. De mil novecentos e minha vó ainda tinha peitinho duro, sabe. Sem ofensas, mas pra mim ele sempre pareceu seminarista ou algo do tipo. Ele pegou o livro, e pediu que abríssemos na página 36. Nessa hora eu prestei atenção na mão dele, nunca havia reparado, mas choquei ao ver uma aliança. Uma aliança, sério? Na mão do professor padre, seminarista ou sei lá o quê? Ele é bem esquisito. É um daqueles caras que a gente olha e pensa “que mulher teria coragem de transar com ele?” Ele bateu com a mão na minha mesa. “Dá pra parar de ficar sonhando acordada e abrir o livro?” “É claro que dá, se o senhor esperasse um segundo. É que eu acabei de chegar né…” “É, percebi. Atrasada como sempre. Esses bolsistas acham que podem chegar a hora que querem, quero ver chegar à algum lugar se perder essa bolsa.” Me coloquei na posição de estressadinha, novamente. Fechei a cara e franzi a testa, olhei pro lado como quem quer dizer “foda-se, nem queria estar aqui mesmo”. Ouvi uma risadinha estranha vindo do meu lado direito, hesitei um pouco em olhar, então virei meus olhos aos pouquinhos. O garoto olhava pra mim e ria. Não sei se era do professor, da minha testa franzida ou dos meus olhos, mas ele ria. Ele usava óculos e tinha os dentes da frente bem separadinhos. Mas não era de todo feio; com a boca fechada pelo menos. Eu o encarei, e procurei fechar mais ainda a minha cara já muito fechada. Fiquei com medo de fechar demais e depois não conseguir abrir. Porque é o que minha mãe diz, quando a gente chora demais, esquece de como é sorrir… Bom, deixando as filosofias da minha mãe pra lá e voltando ao tal garoto e o meu professor. O professor fez a chamada, e adivinha quem levantou a mão ao ouvir Marcelo Ricardo? Ele. Exatamente! Olhei pro teto sem acreditar. O menino do nome esquisito e risadinha mais esquisita ainda já tinha uma história comigo. Uma história de três minutos. Uma história de risada, cara fechada e testa enrugada.
A aula até que passou rápido, e eu estava louca pra ir pra casa e ver o último episódio de The Vampire Diaries. Pra mim Elena (a “mocinha” da trama) ia se decidir de vez com quem ficar. Pro meu desgosto, ela deixou a resposta meio que… No ar. O jeito é ver esses seriados mesmo, já que minha vida é tão pouco agitada. Nunca que dois caras. Dois caras super gatos se apaixonariam por mim. Irmãos, ainda por cima. O único garoto que realmente me dá mole é meu vizinho, Otávio. E ele não tem nada de gato. Cabelo meio oleoso e muitas marcas de espinha no rosto. Ele é legal, só que… Sei lá. Mas eu também não posso exigir muito, não tenho nada de mocinha.
Peguei minhas coisas e saí do curso, ficava em um prédio grande, mas eu sempre ia de escadas. O tal garoto veio atrás de mim. “Ei, qual é o seu nome?” — Continuei descendo, não abri a boca. — “Tá, você é difícil e emburradinha. Disso eu já sei. Mas eu sou insistente, então posso ficar te seguindo o dia todo.” “Mariana. Meu nome é Mariana” “Ah tá, prazer Mari, eu sou Marcelo!” “Não, não sou Mari pra você. Sou Mariana. E, se me der licença, Marcelo, eu preciso ir.” — Eu tremia. Juro, não consigo explicar o porquê, mas esse garoto causava alguma coisa em mim, sabe? Os garotos não costumam se interessar por mim ou puxar algum assunto. As pessoas não são insistentes comigo; ele foi. — “Olha só Mariana, vamos fazer assim. Você dá uma voltinha comigo no parque, hoje. Coisa de 15 minutos, pode ser? De qualquer jeito nós vamos nos ver sempre no curso e eu tenho que passar lá pra comprar pipoca na barraquinha preferida da minha irmã.” — Eu pensei por 12 segundos (sim eu contei), e… — “Tá, tudo bem. Não tenho nada de importante pra fazer mesmo.” “A não ser ver um daqueles seriados idiotas né? Aposto. Minha irmã passa a tarde toda vendo. É um saco.” — Mas… Como? Nessa hora pensei em perguntar se ele era vidente ou algo do tipo. Mas ele disse que era um saco, e eu queria impressioná-lo de alguma forma. Não queria ser “um saco” pra ele. — “É. Um saco!” — Concordei dando um sorriso amarelo.
E lá estávamos nós, no tal parque. Comendo pipoca e jogando conversa fora. Ai, Deus, eu me diverti muito. Nunca havia me divertido tanto, eu acho. Nós vimos um casal de velhinhos juntos, e eu imaginei nós dois naquela mesma situação. Eu não sabia o que ele pensava no momento, eu pelo contrário dele, talvez, não fosse vidente. Vimos uma criança linda, do tipo que a gente olha e pensa “ah, quando crescer…” Mas, sem malícia, só por pensar o quanto mais linda ainda ela pode ficar. Eu gostava de tudo aquilo. Da nossa diferença toda, gostava da pipoca e do jeito que ele olhava pra mim. Ele também gostava. Do meu cabelo mal cortado, do meu esmalte descascando e da minha orelha, meio de abano. Horas e horas se passavam, e esse era o tipo de sonho do qual eu não queria acordar. O celular dele tocou, era a irmã, preocupada com o atraso. E nessa hora eu tive uma crise de risos. O toque era “Fogo de Palha”, do Mc Buchecha. Ele riu também. “Por que está rindo?” “O toque… O toque do seu celular” “Você não gosta de funk?” “Absolutamente não. Sei lá, já experimentou escutar rap, ou reggae?” — Ele ri novamente, e coloca meu cabelo atrás da orelha, pra continuar admirando aquela minha risada boba. — “Ah, esse tipo de música não é muito a minha praia. Gosto de música que me anime!” “Funk não é música!” “Cala a boca.” — Nós continuávamos rindo, nossos ouvidos agradeciam por aquelas gargalhadas gostosas, que a gente ouve e fica querendo mais. Daí ele resolveu me ligar pra ouvir o meu toque. Eu coloquei o celular na mão e esperei. “O que é isso?” “Tupac…” “Isso é o quê, de comer?” “Ah tá, falou o garoto em que o toque do celular dele é de um cara em que o nome profissional é uma parte do corpo. Buchecha. Sério? Faça-me o favor…” E nós poderíamos continuar a tarde, a noite, a madrugada toda e talvez até por dias naquele vai e vem de conversas, falando sobre nosso inglês xulo ou da incompatibilidade musical.
E ele começou a ouvir Projota e cantava Chuva de Novembro quando eu deitava no colo dele no sofá pra cochilar. Eu acordava ouvindo 107FM, e já cantava “atoladinha” no chuveiro. Nós vivemos um romance de filme. Deus escolheu o roteiro perfeito pra nós. Ou então de um livro, talvez um escritor famoso estivesse escrevendo toda a nossa vida. Eu encontrei aquele amor torto, mas que se encaixa perfeitamente no meu amor nada certo também. Eu encontrei o que todo mundo procura, mas não faz idéia de onde encontrar. É… Por cinco meses eu fui feliz, eu fui feliz pra porra. Eu que sempre odiei nomes compostos ganhei uma gatinha, que pus o nome de Maria Guilhermina. Passei a pedir pra minha mãe comprar refrigerante pra mim, aquele… Dolly, sabe qual é? E ela sempre me questionava o porque desse gostar repentino de refrigerante de marca barata, mas não ousava contar que era porque era o preferido dele… Todo sábado de manhã, quando eu ainda acordo super atrasada, com a barulheira na padaria e minha mãe e meu tio falando de mim na varanda, eu vou no meu computador e olho. Não o site do meu curso de inglês. Eu olho aquela foto; eu com a testa franzida e ele me olhando e sorrindo, com os dentinhos separados, que hoje, fazem uma falta danada pra mim.


Paloma M.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Por favor,vai e não volta mais..


"E pela primeira vez, não doeu deixar você ir. A pausa foi longa, você encostou na soleira da porta e disse “adeus”. Foi quase um sussurro surdo, foi um aceno imóvel com os lábios, a cabeça e a mão. E eu apenas acenei, exatamente como um “até mais”. É, até mais. Até mais tarde, até depois. Depois de uns dias, uns meses, uns anos, depois de um tempo, depois da vida. Sei lá, até depois. Até quando você crescer. Até qualquer dia, qualquer hora. Não doeu te ver virar as costas, bater a porta. Não doeu. Eu apenas me virei e voltei a olhar a distância da lua pela janela. A quantidade de passos que eu teria que dar dali até a lanchonete mais próxima. Eu estava faminta. E pela primeira vez, não de você. Não do seu cheiro, do seu gosto, do seu ego, do seu beijo, da sua carícia ou da sua carência, muito menos da sua incoerência ou indecisão. Eu estava faminta de fome, meu estômago vazio quase me motivou a sair dali e andar pela garoa da noite fria. Mas eu nem queria o frio, eu nem queria você por perto pra me aquecer. Eu não queria. Não mais. Eu não fazia nem questão de pensar em você, porque pensar em você cansa e enjoa, e me faz ver o quanto foi útil o tempo que eu perdi te pedindo para ficar. Agora vai mesmo. Sou eu que não te quer mais aqui. Vai e leva sua bagagem, seus pertences, sua cabeça vazia, seu cheiro de marmanjo de esquina, seu ego extra, sua boca suave e seu jeito fraco e insensível. Você só me motiva a ver o ruim da vida e eu cansei de ver tudo pelo lado ruim. De ruim já basta você. Vai e me deixa aqui sem você, porque a vida sem você é mais clara, mais óbvia, mais viva. A vida sem você é um passo ao paraíso e é justamente o passo que você atrasa. Eu cansei das suas neuroses, do seu medo, da sua falta de fé. Da sua coragem excessiva para as coisas ruins da vida e de ser só uma segunda opção. Cansei de carregar o peso da sua confusão nas costas e ainda sim sentir que estou incomodando você a entrar no quarto da primeira loira mesquinha que você encontrar na rua. Entra no quarto, na vida… e onde você quiser. Entra e se quiser eu até abro a porta. Abro a porta do quarto dela pra você entrar e a porta minha vida pra você sair. Porque a única coisa que eu quero de você agora, é que esse adeus tenha sido de verdade. Não como aqueles que você deu numa mensagem no celular ou depois de passar a noite comigo e querer dar uma volta na praça pra tragar mais um cigarro. E não volta, porque eu sou bem melhor sem você aqui. Não volta porque “até mais” foi quase um “tarde demais para você”.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Talvez um dia isso me faça falta...


Talvez você não saiba como é difícil ficar olhando para um teclado e não saber o que escrever. É falta de você. Eu estou sentindo uma falta absurda de você. Eu sei, sempre me dei bem com a tristeza. Ela é, realmente, inspiradora. Mas dessa vez está doendo tanto, tanto, tanto, que eu já nem sinto mais vontade de escrever nada. A dor é tanta que, como dizem por aí, criou anestésico próprio. E este anestésico me fez ficar sem ideias. Porque eu já não sei mais se escrevo sobre saudade, esquecimento, superação ou, simplesmente, amor. Porque tudo que eu escrevo é sobre você e isso está cansando quem lê. E eu leio. Querido, você está me cansando. Porque eu acordo contigo em mente, pensando no que deveria ter te dito na noite anterior. Eu vou pra escola contigo em mente, pensando que você poderia me mandar uma mensagem só para desejar que eu tenha um bom dia. Eu almoço contigo em mente, pensando na mensagem que você não mandou. Eu trabalho contigo em mente, pensando se devo ceder - pela trilionésima vez - e te procurar. Eu volto pra casa contigo em mente, pensando na merda que fiz ao dar ouvidos para o coração e te procurar. Eu janto contigo em mente, pensando no quão estúpido você foi comigo durante toda a tarde. E eu vou dormir contigo em mente, implorando para que todos os anjos sejam bons e me livrem de você. Porque, garoto, você me faz mal. Você me faz mal pra caralho! E eu continuo te amando. Porque sou boba. Sou sua. Sou inteiramente sua. Eu chego até a ter medo, caso um dia eu deixe de ser. Porque eu me acostumei tanto com essa dorzinha idiota que, quando eu te superar, talvez ela faça falta. Ou melhor, talvez a ausência dela seja incômoda, perturbante, não sei. Talvez eu não saiba o que fazer com essa ausência, é isso. Porque essa dorzinha idiota já está aqui há tanto tempo, me acompanhando nas tardes chuvosas, nas madrugadas frias, nos filmes melodramáticos, nos livros amanteigados, e nas músicas tristes, que talvez quando ela for embora, eu fique quase sem rumo. Porque a dor ir embora, significa você ir embora. E sem você eu fico sem rumo, mesmo não devendo, mesmo me sentindo uma idiota por isso, mesmo sabendo que te amo e não sou amada na mesma intensidade. Querendo ou não, eu me acostumei com seu mau humor, sua estupidez, sua frieza, sua ironia, seu fanatismo por futebol, suas piadas sem graça, sua antipatia pelo meu melhor amigo, sua ridícula homofobia, seu jeito meigo de dizer que sou boba, seu silêncio no telefone. Eu me acostumei com você. Porque gente idiota e apaixonada é assim: sempre se acostuma com coisa ruim. 

                                                                                                                       Paloma M.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Carta para a melhor amiga.


“ Oi,eai como esta aí em cima? Esta bem não é mesmo? Impossível não estar. Então, não sei muito bem o porque que estou escrevendo esta carta, afinal você não vai poder lê-la. Sabe vó, aqui mudou tanto quando você partiu. A família se afastou de vez, raramente passamos os natais juntos. Mas bem lá no fundo eu não me importo com isto, afinal você era o único motivo deu ir a todos os natais. Vejo nossas fotos juntas e me da um aperto no coração. Lembro perfeitamente de todos os momentos que passamos juntas, de todos os filmes de terror, de todas as piadas sem graça que a senhora me contava quando eu tropeçava e caia. Lembro de quando perdi o meu cachorro e você foi a única que me fez sorrir. Na verdade foi a única que foi conversar comigo. Lembro de quando você tentou me ensinar a costurar. Foram anos e anos tentando aprender, mas você deve toda a paciência do mundo comigo. Era você que me ajudava a fugir dos castigos. Lembro de quando me mandava dormir de tarde ao seu lado,por que criança tinha que dormir de tarde para repor as energias. Lembro quando você me chamava para assistir chaves ou castelo ra-tim-bum. Facavámos rindo por horas e por mais que a senhora já tivesse assistido aquele episódio umas duzentas vezes, a senhora sempre ria comigo. Incrivél como nunca houve nenhuma ~briga~ entre nós, e é por isso que só tenho boas lembranças de você. Talvez você não saiba disto, mas quando recebi a noticia que a senhora tinha falecido eu não chorei, lembrei de quando você me dizia que nunca era pra chorar na frente da minha mãe e de ninguém, que era pra mostrar que eu não me abalava, que era forte. Mas infelizmente eu não aguentei as lágrimas por muito tempo, não chorei na frente da minha mãe, mas assim que pisei no chão do quarto lágrimas escorreram pelo meu rosto, senti uma dor sem tamanho. Por isto, peço-lhe desculpas. Desculpa por não ter sido forte como você foi. Hoje vejo o quanto deveria ter te agradecido por tudo que fizestes por mim,que deveria ter agradecido enquanto você estava aqui entre nós. Gostaria de ter te olhado nos olhos e dizer que lhe amava, gostaria de te agradecer e de pedir perdão por qualquer coisa errada qeu eu fiz, mas infelizmente isso não foi possível, desculpe. Vó, nunca pensei que sentiria tanta dor, que sentiria tanta falta de alguém como eu sinto hoje de você. Já se passaram 4 anos que você se foi, muitas pessoas já superaram, mas eu não consigo, talvez porque você era a única que me entendia nesta família. Eu sei que esta carta não vai te trazer de volta para mim, mas vou me sentir melhor depois de ter dito com estas palavras o quanto você era e continua sendo importante para mim. Ah e mais uma coisa, eu te amo,muito

Paloma M.

sexta-feira, 30 de março de 2012


Não quero que me julgue por ter desistido de você
. De correr atrás de você. Na verdade, eu não desisti - ainda - só te dei o espaço que você deixava transparecer que queria. Mas, você também tem culpa nessa história. Se tivesse me dado pelo menos algum sinal de vida, tivesse vindo me ver, somente uma conversa e talvez um ponto final nessa história que na sua cabeça já teve fim há algum tempo… Mas você nem isso fez, me deixou abrir o coração, pedir desculpas, voltar atrás e nem sequer se moveu para nos acertarmos. Eu sei que a culpada desse começo todo fui eu, mas você poderia ter aparecido; ter dado uma satisfação. Não quero que me julgue por ter desistido, mas não dá para continuar correndo atrás de uma pessoa que só corre de você.

Paloma M.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

(CFA)

sexta-feira, 9 de março de 2012




- Alô.
- Oi, ér.. Você ainda tem um tempinho pra mim? Não precisa dizer nada tudo bem? pelo menos não até eu dizer o que eu quero. Só me escuta ta bom? Escuta com atenção.. Bem...Você deve ter recebido a carta que eu te escrevi né? Todas aquelas palavras que nela foram escritas, juro-te que foram as mais sinceras possíveis. Estou realmente arrependida por tudo que eu fiz com você,com esse coração tão bondoso. Eu estava muito confusa naquele tempo; acho que também não estava preparada pra encarar algo sério e encontrar uma pessoa como você.. assim tão perfeita,entende? E hoje eu me queixo todas as noites de mim mesma por ter estragado algo tão bonito que estava escrito pra minha vida pelas mãos de Deus. Sabe aquele ditado clichê "Você só da valor depois que perde" ? É, foi bem assim que aconteceu comigo. Hoje eu te perdi pra uma garota que deve estar cuidando de você como eu não soube cuidar. Uma garota que deve estar te falando todos os dias como ela deve estar feliz por ter você ao lado dela, de como o seu sorriso é belo e de como seus olhos devem brilhar quando você á vê... Ahhh se você soubesse o quanto eu queria que o tempo voltasse pra poder fazer tudo diferente. Mas,hoje eu resolvi te ligar, pra saber se eu ainda tenho alguma chance sabe?Se tenho chances de que um dia você volte á ser meu, que um dia eu possa voltar a escutar você me chamando de pequena e me dando aquele abraço tão confortante que só você sabe dar. E se você disser que não tem volta, eu vou entender.. Aliás, eu sempre entenderia mesmo se você não falasse, depois de tudo que eu fiz nem eu sei se eu vou conseguir me perdoar, imagina você não é mesmo? Mas, a esperança gritou um pouquinho aqui no peito e por isso resolvi escutar - qualquer resposta sua - saindo da sua boca. E se for um 'não' eu vou tentar seguir com a vida e te desejar que sejas muito feliz e toda a felicidade do mundo pra vocês. Só que agora eu preciso ouvir de você...
(Silêncio)
- Você ainda está aí?
- Agora me escute; eu ainda te amo! Mas, não sei se vou ter coragem de arriscar passar por tudo que passei. Agora que encontrei alguém que me fez superar aquela época... Época na qual você não saia do meu pensamento. Eu não sei se é o certo á fazer. Eu estou feliz com ela!
(Silêncio e soluços).
- Como eu disse, eu te entendo perfeitamente. Que vocês sejam muito felizes....

Paloma M.

segunda-feira, 5 de março de 2012

.


Você me desliga como um botão e finge que eu não significo nada. Eu não sou santo, isso é fácil de dizer. Mas adivinha só querida? Você não é nenhum anjo. Você gosta de gritar, usar palavras como arma. Bem, vá em frente, dê o melhor de si, mulher. Eu quero te deixar, é fácil de ver. Mas adivinha só querida? Não é tão fácil. Eu quero correr e escapar da sua prisão, mas quando eu saio, eu sinto que algo está faltando. Eu não estou assustado e isso é fácil de dizer. Isso não pode ser o paraíso, parece que eu estou no inferno. Você é como uma droga que eu não paro de usar. Eu quero mais, eu não paro de desejar. Eu ainda quero você, é fácil de ver. Mas adivinha só querida? Você não tão boa para mim. Nos tornamos tão complicado. Isso tudo é por nossas lembranças… Então arranque minhas fotos da sua parede. Rasgue-as e queime-as todas. Acenda o fogo, vá embora. Não há mais nada a dizer.
Então pegue as cinzas do chão, enterre-as todas, apenas para ter certeza que nada mais restou de mim. Apenas péssimas memórias doces

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estar sozinho,ficar sozinho,ser sozinho.

Estar sozinho é engraçado, louco, angustiante, libertário e triste, tal qual estar com alguém. No entanto, estar sozinho é absolutamente o oposto de estar com alguém. Estar sozinho é fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem uma mão para segurar. É acordar sem saber o que será do dia porque planejar sozinho dá preguiça. É falar a coisa mais engraçada do mundo para alguém que não vai rir, porque ninguém te entende tão bem. É ficar louca sem cúmplice. Não tem graça ser fora da lei sozinho. É querer contar tanta coisa para alguém, mas para quem? A vida simplesmente acontece para quem está sozinho, às vezes sem que a gente perceba, pois é mais fácil ter noção de si mesmo através de outra pessoa. Estar sozinho é fazer dengo sozinho na cama, sem ninguém para apenas encaminhar o ombro um pouco mais perto. É comer doce demais porque sua boca precisa de um incentivo para continuar salivando vida. É comer doce demais porque estar sozinho dá uma tremedeira estúpida de hipoglicemia. É o doce que substitui mal e amargamente o sexo. Estar sozinho é dormir até tarde no domingo. Não para congelar o tempo na alegria, mas para fazer de conta que o tempo não existe. É conviver com a ansiedade de que você pode encontrar alguém especial a cada esquina, então você tenta ficar bonita. Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia. É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar. Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão. Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido. Estar sozinho é usar roupas provocantes sem se sentir sexy com elas. É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do nada. É morrer de medo do nada que fica no estômago. Estar sozinho é uma coisa física, ou melhor, é a falta dela. Você se sente oco por dentro, por isso aquele respiro profundo de lamentação. É cogitar enlouquecer. O ombro pesa porque é tenso ficar sozinho. E porque não tem ninguém pra te fazer massagem também. Quando chove, venta, escurece, e você está sozinho, você lembra de Deus e do quanto é pequeno. Estar sozinho é se aproximar de Deus por piedade própria e não por agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele quando estamos amando. Estar sozinho é detestar ficar em casa. Ficar em casa sozinho, quando se está sozinho, é muita solidão. Então você sai, só para não ficar em casa sozinho. E descobre o quanto você é sozinho. E volta pra casa sozinho, e chora vendo fotos. Estar sozinho é implorar paixão e loucura com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de você ver que ele não está sozinho. É trabalhar para passar o tempo e só conseguir escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem inspiração. É procurar um olhar pela rua e andar por aí com cara de louco. É estar pronta para algo novo e não agüentar mais dias iguais. É ocupar a vida de açúcar, intrigas, fofocas, encrencas. Aventuras tortas. É ocupar a vida dos outros com reclamações, lamentações, dúvidas e carências. Resumindo: estar sozinho é triste, enche o saco dos outros e deve fazer mal para a saúde.

Tati Bernardi.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

“Mãe, deixa eu me apresentar.”


Oi mãe, tudo bem? Eu sou sua filha, a menina que você convive a 17 anos e que não a conhece direito. Queria convida-lá a abrir algumas portas comigo, quero te mostrar coisas que a senhora nem desconfia.
Essa é aprimeira porta, eu tinha 8 anos, desde já mãe, eu tinha uma imaginação muito fértil, quando eu caminhava com você pelas ruas daquela cidadizinha eu ja criava cenas na minha cabeça, olhava as pessoas e procurava ver o que elas sentiam, procurava saber o que elas pensavam, criava cenas na minha cabeça com elas, imaginava fazer elas felizes… Mãe, eu sempre gostei disso, de imaginar como aquela pessoa seria feliz, a senhora nunca conheceu esse meu lado sensível.
Vamos mãe, adiante.. Essa é a segunda porta, eu tinha uns dez anos e já comecei a descobrir o amor, é mãe o amor, não se assuste por favor, estou me mostrando… calma. É como já havia dito, estava conhecendo o amor, era apaixonadinha por um menino da minha escola, mas não era amor de namorar não mãe, eu só gostava do jeito que ele gostava de mim, me achava bonita… É mãe, desde cedo fui muito carente, aliás deixa eu te contar uma coisa… eu sempre me senti sozinha, sozinha empensamento… Nunca achei alguém que fosse parecido comigo.
Vamos mãe, a estrada é longa, vamos abrir a terceira porta… Essa sou eu, tenho 13/14 anos, epóca dificil essa viu, sim mãe eu era imatura, eu não tinha cabeça, olhando de hoje eu vejo o quanto eu errei, mas o quanto aprendi… Início da minha adolescência, os hormonios pulando, começo a andar com pessoas não tão certas assim, começo a olhar os garotos… os homens… Mãe, nunca senti uma certa confiança pra lhe falar as coisas, desculpa, mas eu nunca senti… talvez… se a senhora tivesse falado comigo antes, me dito que nessa epóca a cabeça e o coração ficam confusos… é quem sabe… Não mãe, não fique brava comigo, todas as vezes que a senhora conversou comigo, acredite, eu aprendi. Mas eu sempre fui assim, desde pequena, aprendo só com dores… e estas eu já senti um bucado.
Avante, chegamos na quarta porta, abra ,pode abrir. Esta ai, uma menina de 15 mas com cabeça de 20. É não parece, eu sei. Essa ai continua mentindo a respeito de coração, pensava ela: ‘pra que falar?, ela não vai enteder.’ Imaturidade ainda? É, acho que sim… mas será? Ah mãe, esqueci de te contar, essa sua filha é de uma insegurança tremenda… Medo do mundo, medo de se machucar, medo de sentir dor, mas do que sente com as dores do mundo. Essa menina que está vendo ai nessa porta, ela está virando uma mulher, apredendo com as dores do coração e observando o outro. Ei mãe, muitas vezes a senhora reclamou, achando ela uma ignorância não, ôh mãe… mal sabe a senhora que ela só estava triste, precisando se isolar…
Vamos, vamos abrir a quinta porta. Esta ai, uma menina-mulher que aprendeu tanto com o mundo, está ai uma menina prestes a receber uma responsabilidade imensa. Casa, irmão, cachorro, estudos, amigos, dores de amigos… Isso tudo a sobrecarregava, essa ai mais madura que nunca aprende tanto, a todo segundo. Essa ai é aquela que todos que a conhece, mesmo que não tenha nenhum grau de amizade, pede conselhos, ela que diz tanto a verdade ás pessoas mente pra senhora, mente por medo… medo de não entede-la, medo de que a conheça e a jugue…. É essa ai que com a sua aprendizagem tão precoce do tal amor sabe muito bem não cair nas suas armadilhas, essa que - modestia a parte - tem um coração imenso, esta que sente as dores do mundo mas que de vez em quando, quando se sente sozinha, sente suas dores também. Esta aí, a menina da quinta porta que se apaixonou, essa menina madura, corpo de menina e cabeça de mulher, esta aí a menina que continua mentindo sobre seu coração por medo, sempre medo. Esta ai a menina que queria se apresentar pra senhora, esta ai a menina que tem sim suas qualidades e valores - mas de defeitos imensos. Esta ai… essa que te ama e te admira mas que queria ser - de verdade - sua amiga. Esta ai a menina que pede desculpas por todas as decepções - que não foram poucas; Ela esta aí, aqui… Prazer Mãe.

(VerdadesDitas)